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Osklen mostra na SPFW um verão de luxo despojado

Por Flavia Guerra

São Paulo – Há dez anos Oskar Metsavahat criou um desfile escuro, quase sombrio, calcado no preto. Houve quem reclamasse e sentisse falta da leveza tropical chic que ele e sua Osklen tanto sabem traduzir na passarela. “Mas era tudo parte de um processo. Eu estava literalmente pegando uma folha em branco e redesenhando tudo. Estava me propondo a aprender a fazer moda. Houve quem achasse pretensioso, mas eu realmente pretendia aprender”, comentou o diretor criativo ao Grupo Estado após seu desfile na noite da quinta-feira.

Por que falar disso quando se fala da nova coleção, cujo tema foi Endless Summer (“verão sem fim”)? Porque é justamente nesta coleção que culmina a década de aprendizado de Oskar. “Claro que voltamos a explorar o verão e a nossa praia, mas viemos agora com pesquisa de materiais madura, com conceitos de moda e sustentabilidade mais amadurecidos, com a maturidade que buscava em todos estes anos”, comentou Oskar.

Ainda que a modelagem tenha surgido o corte criativo de peças como as saias mullets discretas, as camisas �mullet invertido� (mais curtas nas costas) tanto para elas quanto para eles, as calças cropped, foi na pesquisa, no uso e na manipulação de materiais que a coleção revelou a maturidade da marca. É interessante observar como cada vez mais a Osklen utiliza matérias-primas que poderiam ser “de luxo” e as transforma em peças despojadas.

Nesta coleção, a seda em estado bruto virou um tricô rústico e ao mesmo tempo requintado. O simples é o novo luxo. Os tecidos naturais como o algodão e o linho surgem acoplados ao denin lavado, e aos mais tecnológicos como o neoprene e o náilon holográfico, que aqui virou parca de chuva e shorts masculino.

Por falar em masculino, a Osklen investe bem na moda para eles e sempre traz opções interessantes. Desta vez, depois do desfile ser aberto por um look feminino do tradicional macacão de neoprene (para surfar) com apliques de pedrarias, foi a vez da mesma peça surgir em versão masculina, “pintada” de céu, em tons claros, exibindo a paisagem californiana. É ousado, mas não afetado.

Ousada também a peça em que as costas de tricô de seda são costuradas à frente “canga no pescoço”. Difícil explicar, mas bom de olhar e melhor de vestir. A mistura causa impacto e agrega valor à sempre básica moda praia. Ainda para eles, surgem paletós e macaquinhos com corte justo e preciso e textura rústica garantida pelo linho de seda. Parece casual, mas não é.

Parece também casual a estamparia em degradê, que reproduz os cenários cariocas e vai do verde-azul do mar até o cinza claro dos prédios da orla, ou que se dissolve em vários tons de laranja e degradê amarelado do pôr-do-sol. Uso preciso da impressão digital para criar um efeito natural em camisas, saias, vestidos e camisetinhas.

Ao final do desfile, quando o sol já baixava no imenso telão que envolveu a plateia com a trilha sonora evocando um programa de rádio da Califórnia, a sensação era de que, se depender da Osklen, vamos passar um verão elegantemente despojados.