‘Horizonte Profundo’ vale mais pela ação que pela história

Filme estrelado por Mark Wahlberg é baseado em acidente real que aconteceu em uma plataforma de petróleo em 2010

Em 2010, um acidente em uma plataforma de petróleo da companhia britânica British Petroleum (BP) foi o responsável pelo maior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos. O desastre na Deepwater Horizon, localizada no Golfo do México, causou a morte de 11 funcionários e um incêndio dedois dias. Esta história real é a base do filme Horizonte Profundo, estrelado por Mark Wahlberg, que estreia nesta semana nos cinemas brasileiros.

Horizonte se concentra nos trabalhadores da plataforma de petróleo, principalmente o eletricista Mike Williams (Mark Wahlberg) e a navegadora Andrea Fleytas (Gina Rodriguez). O roteiro apresenta um pouco das vidas deles em terra firme, antes de acompanhar o embarque em alto-mar e todo o desastre que se sucederá rapidamente.

Enquanto ambienta o espectador no cenário da plataforma, o filme tenta criar um suspense mostrando uma estrutura a quilômetros de profundidade se desfazendo, e as suspeitas dos funcionários de que um teste de segurança não foi realizado por uma equipe contratada pela BP, além de inúmeros dados que não fazem sentido para os leigos, mas sinalizam que algo vai dar errado. O motivo desse descuido seria a ganância dos empresários da empresa, principalmente Vidrine (John Malkovich), que quer ver a plataforma, que está 43 dias atrasada, finalmente dar lucro.

Quando as explosões acontecem é que o filme realmente engrena, e o espectador fica preso pelo suspense da carnificina inflamável e as cenas de resgate. Horizonte Profundo funciona como um thriller de ação, com as explosões de fogo e lama, e infinitos perigos em um espaço confinado. No meio de todo caos, nenhum drama pessoal dos personagens importa mais, pois tudo que se deseja ver é como eles vão conseguir sair vivos daquele inferno em alto-mar, o mais depressa possível.

Outro intuito do filme é deixar os espectadores enfurecidos com a insensatez da burocracia da empresa petrolífera. Fica claro o propósito dos roteiristas em culpar a ganância da indústria petrolífera por tudo de ruim que aconteceu naquele dia, inclusive as mortes, que recebem uma homenagem justa ao final dos créditos.