De jornalístico novo, Ana Paula Padrão prepara salto nos negócios

Enquanto estreia programa na Band News, jornalista prepara atualização para duplicar faturamento da Escola de Você, seu curso de empoderamento feminino

Quem acompanha o MasterChef pode imaginar que a rotina da apresentadora Ana Paula Padrão seja suave: alguns meses de gravação por ano e o restante do tempo de folga. A impressão é contradita pela realidade. Desde que deixou a bancada do jornalismo da Globo, em 2005, quando muitos apostaram que desapareceria no horizonte, Ana Paula não para de se reinventar e acumular funções. Hoje, além de comandar o reality show que se tornou, com perdão do trocadilho, o principal ganha-pão da Band, ela prepara o seu retorno ao jornalismo em um programa desenvolvido pela Band News com o jornal americano The New York Times, cuja apresentação para a imprensa acontece nesta quarta em São Paulo, e também o pulo do gato nos negócios. Ana Paula, que estreou como empresária há mais de cinco anos com um portal para mulheres e uma produtora de conteúdo, a Touareg, agora vai expandir os ganhos de sua Escola de Você, curso digital voltado para o empoderamento feminino: com uma nova plataforma, prevista para janeiro, espera dobrar o faturamento da empresa em um ano.

“Vamos migrar nossos cursos para uma plataforma mais complexa, que vai nos permitir acompanhar a evolução de cada aluna e, assim, administrar um número maior de mulheres ao mesmo tempo. A plataforma que a escola tem hoje não permite que, ao apertar um botão, se saiba a porcentagem das aulas já feitas por uma determinada pessoa”, explica Ana Paula, que calcula que, com a mudança, fará a base de alunas saltar de 200.000, número amealhado entre 3.000 municípios diferentes, para 2 milhões. “A ideia é ter um negócio freemium, uma mistura de free com premium. Os cursos básicos devem continuar gratuitos. É por onde a aluna entra e começa a se empoderar. Depois, a gente pode começar a cobrar por cursos específicos. Essa etapa deve começar em janeiro. Em dois anos, podemos quadruplicar a receita”, diz. “A gente já tem um business plan robusto o suficiente para atrair investimentos, e tem gente interessada, como a Camila Farani, da MIA, as Mulheres Investidoras Anjo, um grupo que aposta em negócios geridos por mulheres.”

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Dedicada a trabalhar a autoestima da mulher, a Escola de Você é um site que reúne aulas em vídeo sobre temas como “Que mulher você quer ser?”, “Fazer amigos e negócios” e “Bem-vinda ao seu melhor”, que podem ser vistos no ritmo desejado – à la Netflix. A meta, diz Ana Paula, é empoderar a mulher para que ela aprenda a se colocar na vida pessoal e no mercado de trabalho. Em seminários do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) a que assistiu, a jornalista, uma pesquisadora da questão feminina há mais de dez anos, descobriu um estranho e triste paradoxo: na América Latina, a mão-de-obra feminina, embora qualificada, tem baixa empregabilidade. “Não basta qualificar. Na cultura latina, é necessário um processo anterior ao de ensinar, que é o de empoderar a mulher. Quando ela se sente empoderada, ela absorve informações e é capaz de manipular essas informações de maneira correta para se colocar”, diz. “O que atrapalha o desenvolvimento é você achar que não é capaz de algo.”

DEMANDA POR PODER

Nas palestras que dá, Ana Paula sempre pergunta à plateia de mulheres o que as faz felizes. E as respostas quase sempre recaem sobre conquistas de outras pessoas, como o filho que passou de ano na escola. “Entre os latinos, a identidade da mulher está muito fundamentada na de outra pessoa, em geral um homem. Ela não é ela, é filha do pai dela, mulher do marido dela. Os homens são criados da porta para fora, para conquistar, e as mulheres são criadas na cozinha para ver se alguém precisa de café na sala. A identidade fica diluída nesse contexto”, diz. “Esse problema não é restrito a nenhuma classe social, é cultural, é transversal. A gente tem dificuldade de dizer o que faz a gente feliz. Eu me faço essa pergunta sempre, para ver se estou no rumo certo”, conta Ana Paula, que desistiu da rotina do jornalismo diário e de tentar engravidar ao ver que aquilo ameaçava a felicidade que havia construído.

Foi essa a visão usada por Ana Paula e a sócia, a também jornalista Natália Leite, para moldar a Escola de Você. O curso, que no início contou com o apoio técnico do BID, não demorou a provar que o diagnóstico de Ana Paula estava correto. Há uma demanda enorme por empoderamento feminino. Assim que abriu inscrições, a EDV, como é chamada por alunas e pelas especialistas que participam das aulas, teve uma procura de 20.000 mulheres. O canal das aulas, a internet, ajudou. “A mulher se empodera pela internet. Estuda, conhece outras pessoas, passa a se sentir parte de uma rede, a criar network, a criar negócios. Hoje, 65% das brasileiras estão na internet. São 105 milhões de brasileiras, que em 2016 vão gerar 1,6 trilhão de reais em renda. Se isso fosse um país, seria o 17º do mundo em PIB (Produto Interno Bruto). É muita capacidade de consumo, e na mão de quem decide: 85% das decisões sobre a compra de carro e moto hoje estão na mão da mulher”, diz Ana Paula, citando dados do IBGE usados pelo Instituto Locomotiva.

O tema, como se vê, é uma paixão da apresentadora, que segue citando números do seu público-alvo: mulheres entre 25 a 45 anos, em geral casadas e com filhos, e renda própria (quando têm) de 2.000 a 2.500 reais por mês, que vivem “massacradas pela rotina” e querem revolucionar a sua vida. “A mulher faz a sua revolução da maneira mais silenciosa possível. De 1960 para 2015, a escolaridade passou de 1 ano e pouco por mulher para 9 anos, e a fecundidade, de pouco mais de seis filhos para 1,7 filho por mulher. Um gráfico lindo que não se vê em nenhum país do mundo. Foi a maior mudança de queda de fecundidade contra aumento de escolaridade do mundo, e ninguém viu isso.”

ESCOLETES

Além da procura, a EDV logo surpreendeu Ana Paula e Natália Leite ao se mostrar um polo de engajamento. Sem que ninguém interviesse, ou previsse, as participantes passaram a interagir entre si nas redes sociais e a agendar encontros presenciais. Quando descobriram, Ana Paula e Natália passaram a estimular as reuniões, nomeando “embaixadoras”, mulheres responsáveis por gerir os eventos. Hoje, há um curso específico para quem quer ser uma liderança da EDV. “Sempre me interessei pela questão feminina, desde estudante. Fiz o curso da Escola de Você e fiquei encantada com a proposta e a metodologia utilizada, de vídeos curtos com conteúdo de aplicação prática”, diz a maranhense Rosely Vieira, servidora pública no Tribunal Regional do Trabalho e embaixadora da EDV em São Luís. “Além de estimular a cooperação entre mulheres, a EDV estimula e capacita o empreendedorismo feminino.”

Os vídeos têm participação de Ana Paula e de Natália Leite, ex-repórter de TV que ela conheceu na Record. “Quando conheci a Natália, ela dava cursos para grupos de até quarenta mulheres sobre conceitos humanistas, em auditórios ou empresas que contratavam as aulas. Fui assistir a algumas dessas aulas no começo de 2012 e gostei, mas também achei que ela falava de um jeito difícil, que era preciso tornar mais acessível para massificar. Falar para vinte ou 200.000 dá o mesmo trabalho, então, eu não vejo sentido de fazer para pouca gente”, relembra Ana Paula. “Passamos um tempo juntando nossa experiência de TV e as nossas pesquisas para criar o formato que adotamos para as aulas. São vídeos de cerca de 5 minutos com uma cabeça, aquela abertura da notícia que é feita na TV, uma dramatização sobre o mesmo tema, para criar identificação, e uma especialista que diz a mesma coisa de outra maneira, uma técnica de TV para fixar conhecimento.”

As aulas, voltadas para mulheres, também atraem homens: há maridos que, depois de perceber o envolvimento da esposa, se interessaram pelo curso. “Assisti a muitas aulas com meu esposo. Ele é administrador de empresas e coach, e gostou bastante. Ficamos fãs especialmente da Luiza Trajano, que fala de relacionamento interpessoal”, diz a baiana Ana Paula Costa Henrique, das primeiras turmas da EDV.

Comentários

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  1. Henry Guerra

    Não pode ser real isso
    /facepalm

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  2. Ataíde Jorge de Oliveira

    Padrão.2.0; Horário_100 :Cem Censura, — aPóS a Meia-Noite.rs.RS.rs

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  3. Cesar8002UTB

    Esse negócio de ser Feminazi dá dinheiro hein?
    Mas esse negócio de empoderamento é feio demais. Nego não sabe nem interpretar, traduzir de maneira correta. Pegam um termo já feio em inglês e fica muito pior em português.

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