Bienal do Livro do Rio reúne Thalita Rebouças e Maurício de Sousa

Segundo dia de evento também teve debates entre historiadores e sessões sobre romance que abordam o futebol

Namoro de adolescente sempre é coisa séria. Ainda mais se envolve dois grandes ícones do universo teen como Thalita Rebouças e Maurício de Sousa. No sábado, segundo dia da Bienal do Livro Rio, os dois autores se encontraram no auditório Mario de Andrade, no Riocentro, para celebrar sua parceria em um projeto para o público infanto-juvenil. “Quando Mauricio me encontrou há três anos e propôs que trabalhássemos juntos, eu pensei ‘Ah, que fofo’. Achava que ele só estava querendo ser gentil”, disse a autora de quinze títulos que já venderam um milhão de exemplares dentro e fora do Brasil. “Nosso ‘namoro’ começou no Ceará e fiquei três anos elaborando o caminho que seguiríamos”, disse Maurício, que revelou a intenção de ampliar seu público-alvo, incluindo agora os adultos

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Três perguntas para…Thalita Rebouças

Nessa Bienal, a dupla lançou o primeiro projeto que fizeram juntos, o livro Ela Disse, ele Disse – O Namoro, em que Mônica e Cebolinha adolescentes comentam as aventuras dos personagens Leo e Rosa, criados por Thalita na matriz Ela Disse, ele Disse.

Durante o encontro com público eles também falaram sobre a adaptação de alguns de seus livros para o teatro e o cinema. Thalita anunciou a adaptação de Era uma Vez minha Primeira Vez e Fala Sério, Mãe para o teatro. Tudo por um Namorado e Uma Fada Veio me Visitar vão para o cinema. Já Ela Disse, ele Disse foi licenciado para TV, cinema e teatro.

Maurício falou de planos ambiciosos para o dinossauro Horácio e a Turma da Mônica, que vão chegar aos cinemas nos próximos anos. Horácio estreia seu primeiro longa, até 2015, em 3D. As personagens de Maurício também vão ser lançadas em novas produções para a TV, de olho no mercado externo.

Futebol – Na sessão Gols de letra: os dois romances que serviram ao debate foram O Drible, de Sérgio Rodrigues, que será lançado no dia 26 de setembro pela Companhia das Letras, e Vai na Bola, Glanderson, do ex-Casseta Helio de la Peña, editado em 2006. Os livros – o primeiro num mergulho literário mais ambicioso, o segundo com leveza e humor – têm pouco em comum além dos personagens ligados ao futebol brasileiro.

“Sendo um romance, O Drible não tem como tema o futebol, e sim relações humanas. No centro de tudo está a história de amor e ódio entre um velho cronista esportivo e seu filho. Mas o futebol é uma espécie de personagem e pano de fundo. Minha intenção foi fazer a literatura prestar homenagem à grande história do futebol brasileiro, que é talvez, ao lado da música popular, nossa maior e mais original contribuição à cultura mundial”, disse Sérgio.

História – No Café Literário, a monarquia brasileira era o pano de fundo do debate Fatos, Lendas e Personagens da História Brasileira, que reuniu a historiadora Mary del Priori e o jornalista e escritor Laurentino Gomes. “Nossos livros são de alguma forma complementares”, disse o jornalista, cuja trilogia (1808, 1822 e o recente 1889) trata da formação sócio-política do Brasil no século XIX. “A República, por exemplo, se impôs pela fragilidade do Império, nem D. Pedro II, que estava há cinquenta anos no trono, diabético e cansado, o defendeu. A monarquia cavou sua própria sepultura com a ajuda inclusive da princesa Isabel e do conde D’Eu”, disse.

A partir do recém-lançado O Castelo de Papel (Editora Rocco), a premiada pesquisadora jogou luzes sobre a vida íntima e os acontecimentos históricos de que participaram a princesa e o conde. Mary arrancou risos de uma plateia atenta com passagens pitorescas do casal que, segundo ela, se amava, o que não era comum na época e nas pessoas da nobreza com seus casamentos arranjados.