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‘A Maldição da Floresta’ e o terror decrescente

Nos cinemas a partir de 6 de outubro, o longa começa como um forte expoente do horror, mas perde as qualidades no desenrolar do enredo

Na linha dos clichês do gênero, A Floresta Amaldiçoada começa com um casal — Adam (Joseph Mawle) e Clare (Bojana Novakovic) — de mudança para uma área remota da Irlanda, uma área cercada pela floresta. Imediatamente, eles são alertados pelo estranho vizinho Colm (Michael McElhatton) sobre os horrores que se alojam no mato: caso incomodadas, as criaturas se voltam para o vilarejo em busca de criancinhas. Porém, o cético Adam foi contratado justamente para estudar as árvores em torno de sua casa, e ignora as recomendações do vizinhos enquanto explora a floresta com seu bebê, Finn, e o cachorro da família.

Em uma de suas empreitadas, o ambientalista encontra uma cabana abandonada e, na contramão dos instintos de sobrevivência, resolve conferir o que há lá dentro. À primeira vista, Adam encontra apenas um veado em decomposição, mas um olhar minucioso vai revela mais: há uma estranha substância preta escorrendo do animal. Mais uma vez ignorando os perigos, ele leva uma amostra da substância para casa, a fim de estudá-la. É aí que descobre uma espécie de fungo-zumbi, que ataca as células hospedeiras e as controla — uma descoberta científica real, não uma construção horrorífica.

Como de praxe, o espectador é primeiro a ser introduzido nos estragos causados pelas criaturas malvadas da floresta, antes de checar o belo trabalho da direção de arte na construção de bestas humanoides — baseadas em antigas lendas irlandesas. Diferente da moda entre os filmes de terror, A Maldição da Floresta não gira em torno de questões adolescentes, mas adultas como a preservação da natureza e a família. Mas, infelizmente, o filme segue os chavões do gênero, como deixar o pequeno Finn sozinho e desprotegido diante da ameaça dos monstros lá fora, que atacam o quarto da criança.

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A partir de então, uma onda de tensão se projeta do filme, e o mínimo barulho fora do normal pode levar a pulos na cadeira do cinema. Mas, ao invés de seguir a boa sequência construída até o momento, o diretor e roteirista Corin Hardy salta logo para a selvageria, e o terror pelo terror guia o clímax do filme. Ao mesmo tempo, este é um daqueles filmes que transpiram a certeza de que no final dará tudo certo, mesmo com alguns prejuízos. Uma pena.