‘A Lei do Amor’ vai mostrar prefeito honesto de mãos atadas

Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, que assinam a novela das 9, falam sobre a trama política, mas ressaltam: ‘O folhetim é sobre pessoas boas’

A Lei do Amor, novela das 9 que estreia nesta segunda-feira na Globo, deveria ter entrado no ar depois de A Regra do Jogo, mas, por causa das eleições, acabou adiada. Isso porque a trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari vai tratar também de eleições municipais, política e corrupção na pequena cidade fictícia de São Dimas, alojada na Grande São Paulo. “Na história, o Tarcísio Meira vai ser um político que já foi extremamente corrupto, que montou um esquema. Mas vamos apresentar também um prefeito honesto que está tentando se reeleger, que é o Augusto Tavares (Ricardo Tozzi). Ele se recusa a se corromper e, por isso, consegue realizar muito pouco”, diz Maria Adelaide, que estreia agora no horário, depois de se destacar na produção de minisséries e de reescrever Ti-Ti-Ti para a faixa das 7.

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Mas os autores reforçam que, apesar de a novela estar recheada de vilões e corruptos, ela vai tratar mesmo é de amor e de “pessoas boas”, entre as quais sobressaem os protagonistas, o casal Pedro (Chay Suede/Reynaldo Gianecchini) e Helô (Isabelle Drummond/Cláudia Abreu), que se apaixonam quando jovens, mas são separados por causa de um plano arquitetado por Magnólia (Vera Holtz), madrasta do rapaz. “Tem gente muito boa nessa novela. Na vida, a gente topa com pessoas muito ruins, mas a maior parte das pessoas é legal, olha para a sua família, para os seus colegas de escola, de trabalho. Eu conheço muita gente boa e é isso que a gente vai colocar na novela”, afirma a autora.

Confira abaixo a entrevista com os autores de A Lei do Amor, Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari:

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Por que investir no melodrama?

Vincent Villari: O melodrama esteve sempre presente no horário das nove. Velho Chico é prova disso, era um melodrama clássico, com briga de famílias. Quando a gente trata de dramaturgia, a gente trata dessas regras. A nossa história é sobre o amor, amor romântico, entre amigos, família, pais e filhos, irmãos, pelo meio ambiente. Amor na sua totalidade, pelo planeta onde você constrói a sua história.

Maria Adelaide Amaral: Novela descende da radionovela, que por sua vez descende do folhetim, que foi um gênero literário muitíssimo cultivado sobretudo no século 19 por escritores como Machado de Assis e Eça de Queirós, sem falar de Honoré de Balzac, que pagou muitas dívidas com os folhetins que ele publicou. Grande parte da Comédia Humana foi publicada em jornais na forma de folhetim. É um gênero perfeitamente legítimo como qualquer outro.

VV: É um gênero popular e é isso o que nós queremos, nos comunicar com o grande público.

MAM: Sim, é essa a nossa intenção desde Anjo Mau, que foi exibida pela quarta vez agora (no Vale a Pena Ver de Novo) com bastante sucesso. Era essa a minha intenção em todas as minisséries que eu escrevi, era essa a nossa intenção no remake de Tititi, em Sangue Bom e vai ser agora também.

 

A Lei do Amor foi adiada para não coincidir com as eleições. Quando a política vai começar a ser mostrada, e de que forma?

VV: A política não entra no primeiro mês, que é o mês de intervalo entre o primeiro e o segundo turnos. A nossa novela trata de eleições municipais, era essa a grande questão. Terminando as eleições na vida real, a gente começa a tratar na ficção e teremos liberdade para tratar disso até o final da história.

MAM: Na história, o Tarcísio Meira vai ser um político que já foi extremamente corrupto, que montou um esquema. Mas vamos apresentar também um prefeito honesto que está tentando se reeleger, que é o Augusto Tavares (Ricardo Tozzi). Ele se recusa a se corromper, a entrar no jogo de propina instalado em gestões anteriores. Ele se recusa, e, por isso, consegue realizar muito pouco. Mas isso é o pano de fundo, não é a coisa mais importante na novela. É importante, claro, até porque a gente não consegue se livrar da política, a gente respira, acorda, liga a televisão, topa com ela a todo momento. A gente sente na pele e no bolso todas as consequências e os desmandos da p* que se instalou nesse país.

 

É raro ver Tarcísio Meira em uma novela inteira. Seu personagem vai até o fim da trama?

MAM: A gente, na verdade, ainda não sabe até quando ele vai ficar. Mas ele vai ficar bastante tempo, talvez em condições precaríssimas por causa do atentado que ele sofre no começo.

 

O horário das 9 ficou muito marcado nos últimos anos por mostrar tramas realistas, passadas quase sempre no Rio de Janeiro ou em São Paulo, que abordavam temas como violência, corrupção. Isso chegou a ser apontado como um problema por espectadores. Tem medo que a sua novela sofra rejeição por voltar a esses temas?

MAM: Não, porque a nossa novela não vai mostrar violência. A nossa novela tem violência como qualquer outra, mas não é o cerne. Muito pelo contrário. Tem gente muito boa nessa novela. Na vida, a gente topa com pessoas muito ruins, mas a maior parte das pessoas é legal, olha para a sua família, para os seus colegas de escola, de trabalho. Eu conheço muita gente boa e é isso que a gente vai colocar na novela.

 

Como surgiu a cidade fictícia de A Lei do Amor?

MAM: São Dimas é uma cidade pequena, o município mais pobre da Grande São Paulo e com o menor índice de desenvolvimento humano, mas há personagens que moram em São Paulo, como o do Zé Mayer. A ideia de uma cidade fictícia começou pelo nome: eu sou devota de São Dimas. Não sei se você sabe, mas São Dimas é o bom ladrão. O nome é simbólico, porque o Fausto (Tarcísio Meira) é um ladrão de uma cidade que tem o nome do santo bom ladrão. Foi proposital.

 

Acha que o público das novelas mudou nos últimos anos?

MAM: As mídias se multiplicaram e com elas o público. Acho que o público quer se emocionar e se identificar. Já nos anos 1970 se dizia que os espectadores das novelas estavam divididos e que os folhetins não conseguiam atingir todas as pessoas. Mas aí veio Dancin’ Days (1978). E, mais recentemente, Avenida Brasil (2012) conseguiu atingir todos os públicos.

Comentários

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  1. José Carlos Lopes de Oliveira

    Estranha a chamada dessa matéria, Ou mostra um prefeito ou mostra um honesto. Os dois na mesma pessoa… sei não se dá.

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