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7 letras de músicas para entender o Nobel de Bob Dylan

Músico americano surpreendeu a todos ao vencer o maior prêmio da literatura mundial dado pela Academia Sueca

Além de 12 Grammys e um Oscar (por Things Have Changed, tema do filme Garotos Incríveis), Bob Dylan agora também possui um Nobel de Literatura. “Ele é o grande poeta, um grande poeta dentro da tradição da língua inglesa. Um autor original que carrega com ele a tradição e está há mais de 50 anos inovando e se renovando. Homero e Safo escreveram poesias que eram para ser lidas em voz alta, assim como as de Bob Dylan”, disse a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, após o anúncio do prêmio ao músico, nesta quinta-feira.

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Com mais de 50 anos de carreira, Bob Dylan inspirou muitos músicos e se tornou um grande nome do folk e do rock, com suas letras fortes e memoráveis. VEJA selecionou alguns dos versos mais poderosos do músico para explicar a escolha da Academia Sueca. Confira a lista abaixo:

 

1. The Times They Are a-Changin’

Uma das canções mais clássicas de Dylan foi lançada em 1964, em uma época em que os Estados Unidos sofriam grandes transformações sociais, com a contracultura, o movimento pelos direitos civis e o debate sobre a Guerra do Vietnã, e se tornou uma das canções políticas e de protesto mais populares da história, um verdadeiro hino de manifestações:

“Venham senadores, congressistas/ Por favor escutem o chamado / Não fiquem parados no vão da porta / Não congestionem o corredor / Pois aquele que se machuca / Será aquele que nos impediu / Há uma batalha lá fora / E está rugindo / E logo irá balançar suas janelas / E fazer ruir suas paredes / Pois os tempos estão mudando”

 

2. Blowin’ in the Wind

Lançada em 1962, a canção possui uma sequência de perguntas retóricas, que abordam temas como paz e liberdade, e cujas respostas estão na cara de todos, mas ao mesmo tempo são intangíveis como o vento.

“Quantas estradas um homem precisa andar / Antes que possam chamá-lo de homem? / Quantos mares uma pomba branca precisa sobrevoar / Antes que ela possa descansar na areia? / Sim, e quantas balas de canhão precisam voar / Até serem para sempre banidas? / A resposta, meu amigo, está soprando ao vento”

 

3. Like a Rolling Stone

Lançada em 1965, a canção fala de uma mulher que antes era rica e nobre, mas, por causa de uma reviravolta do destino, perdeu todo o dinheiro que tinha, e agora mendiga pelas ruas, e precisa defender a si mesma de um mundo desconhecido e hostil.

“Era uma vez, você se vestia tão bem / Em seu auge, dando esmola aos mendigos, não era? / As pessoas diziam “Cuidado, boneca! Você pode se dar mal!” / Você pensou que estavam brincando / Você costumava rir / De todos que vagavam à sua volta / Agora, você não fala tão alto / Agora, você não parece tão orgulhosa / Tendo que roubar sua próxima refeição / Qual é a sensação? / Qual é a sensação? / De estar sem lar? / Como uma completa desconhecida? / Como uma pedra solta?”

 

4. Knockin’ on Heaven’s Door

Produzida para a trilha sonora do filme Pat Garrett e Billy the Kid (1973), a canção já foi regravada por diversos artistas, como Guns N’ Roses e Avril Lavigne e até ganhou uma versão em português com Zé Ramalho. Entrando no clima do faroeste do cinema, Dylan escreve em seus versos a última súplica de um xerife.

“Tire este distintivo de mim / Eu não posso mais usá-lo / Está ficando escuro, escuro demais para enxergar / Sinto como se eu estivesse batendo à porta do paraíso / Bate, bate, bate à porta do paraíso”

 

5. Don’t Think Twice (It’s All Right)

Outra canção que já recebeu inúmeros covers, a melodia e a letra de Don’t Think Twice (It’s All Right) é na verdade baseada na canção Who’s Gonna Buy You Ribbons When I’m Gone?, do cantor Paul Clayton, que era amigo de Dylan.

“Até mais, querida / Aonde vou, não sei dizer / Mas adeus é uma palavra forte demais, querida / Então direi apenas ‘passe bem’ / Não estou dizendo que você me tratou mal / Você poderia ter feito melhor mas não me importo / Você apenas desperdiçou o meu precioso tempo / Mas não pense duas vezes, está tudo bem”

 

6. Hurricane

Em 1975, Bob Dylan lançou Hurricane para protestar contra a prisão do boxeador Rubin “Hurricane” Carter, que foi preso injustamente por assassinato, em 1966, no auge da carreira. Nos versos, o cantor denuncia o racismo da polícia e da sociedade americana, um tema que continua válido 40 anos depois.

Todas as cartas de já estavam marcadas / O julgamento foi um circo, ele não teve a menor chance / O juiz fez das testemunhas de Rubin bêbados / E para os brancos que assistiam, ele era um revolucionário / Para os negros, apenas mais um crioulo maluco / Ninguém duvidava que ele tivesse apertado o gatilho / Embora não conseguissem mostrar a arma / O promotor público disse que era ele o responsável / E o júri, todos de brancos, concordou”

 

7. Make You Feel My Love

A canção foi escrita por Bob Dylan em 1997, mas, um mês antes de o cantor divulgar a faixa, Billy Joel lançou uma versão com o título To Make You Feel My Love. A música alcançou fama recente na voz de Adele, que regravou o single para o seu primeiro álbum, 19, em 2008.

“Eu sei que você ainda não se decidiu / Mas saiba que eu nunca lhe faria mal / Sei disso desde que nos conhecemos / Na minha cabeça, não há dúvidas, eu sei o lugar a que você pertence / Eu passaria fome, eu ficaria triste e deprimido / Eu iria me arrastando avenida abaixo / Não há nada que eu não faria / Para fazer você sentir o meu amor”

 

Estes são alguns exemplos do trabalho extenso e grandioso de Bob Dylan. Para relembrar mais sucessos dele, confira abaixo uma playlist especial feita por VEJA no Spotify:

 

Comentários

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  1. Jose Rodney Cagnassi

    letra de musica pode ser considerada literatura. desde que a letra não seja de lixos funk. sertanejo. ou outros tipos alternativos. que nem podem ser chamados de musica . oportunistas.

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  2. Jose Rodney Cagnassi

    letra de musica pode e deve ser considerada literatura. desde que não sejam absurdos originados de sertanejos. funkeiros. e assemelhados. que não servem nem como lixo.

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  3. Arlindo Forni

    O mundo carece de mestres de literatura. Na falta de um, entra Bob Dylan. No Brasil acontece algo parecido na Academia de Letras. Até o jagunço José Sarney virou imortal. A próxima a ser agraciada deve ser Maitê Proença, artista de telenovelas.

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  4. EM 1998 Bob Dylan se apresentou com os Rolling Stones no estádio do Ibiraquera e não no estádio do Morumbi. Emocionante interpretação de “Like a rolling stone”. Talvez ninguém da redação tenha ido ao show, o que é uma grande pena.

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  5. Vamos supor que as letras sejam do Buchecha ou do Jacaré, do É O Tcham!… Ainda são grandes letras? Só eu estou constrangido em ler coisas tão vazias, simplórias e, sim, amadoras?

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