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Luana usou os pássaros como asas para o conhecimento

'Em uma região repleta de aves, não faz sentido ensinar usando apenas os livros', diz professora, que está entre selecionados pelo Prêmio Educador Nota 10

A Escola Colibri, localizada em Embu das Artes, São Paulo, em uma região de reserva de mata atlântica, serviu como palco perfeito para o aprendizado dos pequeninos alunos do 1º ano. A percepção afiada de Luana Viegas de Pinho Portilio fez com que as paredes da sala de aula sumissem para a aprendizagem sobre as aves do pátio da escola e arredores. “Em uma região repleta de aves, não faz sentido ensinar usando apenas os livros”, afirma professora.

Seus alunos, conta, são extremamente curiosos – aliás, todas as crianças são, diz. É a partir dessa premissa que Luana coordena suas aulas sem, como ela mesmo afirma, “podar as asas da criatividade”. Isso transformou sua sala de aula em um grande laboratório desses animais. Assim, os alunos levantam dúvidas, hipóteses e sanam o próprio questionamento, criando sozinhos o conhecimento.

Ao colocar as aves dentro da classe, Luana não estava mirando em um produto final, mas no caminho que seus pupilos percorreriam para construir a sabedoria. Levando os pequenos para observar o comportamento desses animais, ela os incentivou a criar diversas perguntas e teorias – algo realizado em todo bom trabalho de conclusão de curso. Com auxílio de livros e material de pesquisa, as crianças buscaram soluções para suas dúvidas. “Explicar o conteúdo para o aluno não garante que ele vá aprender. O conhecimento precisa passar pela mão dele. A criança precisa ser mais autônoma nesse processo que é dela, não meu”, afirma Luana.

O trabalho provou – não apenas à professora, mas aos próprios alunos – que eles não devem subestimar a capacidade que têm de aprender. “Perceber que essas crianças de 6 anos são capazes disso tudo vem de um olhar do professor para o aluno. Todas as crianças têm sede de aprendizado e são cheias de perguntas. A criança é uma esponja. Nós precisamos ler de onde vem essa curiosidade e, a partir do que elas querem, trazer o conhecimento”, diz a professora, que explica a noção básica do ensino construtivista: o protagonismo do estudante.

Os alunos parecem ter descoberto um mundo novo. Segundo Luana, em um dos episódios de observação, eles perceberam que uma fêmea de sabiá-laranjeira havia saído do ninho e que seus filhotes estavam mortos. Sem instrução da professora, levantaram as hipóteses do que deveria ter acontecido e, com esses questionamentos, foram para a sala de aula pesquisar mais. “Não podemos limitar uma criança a uma sala de aula, uma folha de papel, um caderno. É importante ensinar o procedimento de pesquisa científica: como ele pode sanar todas as dúvidas que surgem?”, diz.

O processo ainda envolveu a produção de texto com correções ortográficas. Para passar todo o conhecimento que a turma conquistou durante o projeto, os alunos aprenderam a identificar qual é a melhor forma de escrever uma descoberta científica e, a partir daí, produzir conteúdo sobre as aves observadas. O envolvimento foi tamanho que a professora conta que a própria escola acabou virando um ambiente de conversas abertas entre os estudantes, professores e jardineiros, que sentem um significado cada vez maior no próprio trabalho por auxiliar as crianças.

Além de trilhar um belo caminho para o aprendizado e para as descobertas, o projeto criou consciência ambiental nos pupilos. A aproximação dos alunos com as aves e o sentimento de investigação, incentivado pela professora, fez com que eles se sentissem parte de um ecossistema.

“Compreenderam a importância das árvores para esses animais, por exemplo. A escola precisa ter todo o cuidado com os ninhos de aves, pois os meninos e meninas ficam de olho e indagam a diretoria sobre essas precauções. Uma criança questionou os pais quando foram comprar uma cacatua e disse que não poderiam manter um animal que deveria ser livre dentro de uma jaula”, afirma a professora, que garante: ela se modificou junto com os alunos.

Com a iniciativa, Luana conquistou um lugar entre os dez melhores professores do ano pelo Prêmio Educador Nota 10, promovido pelas fundações Victor Civita e Roberto Marinho. Ela também tem a chance de ser eleita Educador do Ano na cerimônia que acontece no dia 30, em São Paulo.

Conheça os dez indicados


Denise Rodrigues de Oliveira
Novo Hamburgo – RS


Di Gianne de Oliveira Nunes
Lagoa da Prata – MG


Diogo Fernando dos Santos
Pindamonhangaba – SP


Gislaine Carla Waltrik
União da Vitória – PR


Luana Viegas de Pinho Portilio
Embu das Artes – SP


Rosely Marchetti Honório
São Paulo – SP