Insegurança compromete desempenho dos alunos da escola pública

Presença da polícia não é solução para violência nas instituições

A morte do estudante Wesley Guilber Rodrigues de Andrade, de 11 anos, atingido por uma bala perdida dentro de uma sala de aula, em julho, no Rio, não foi uma tragédia isolada. “O episódio comprometerá também os demais estudantes do colégio”, afirma Susana Castro, professora de filosofia da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “A atmosfera desequilibrada influencia negativamente no desempenho das crianças”.

Segurança é elemento de infraestrutura escolar que mais preocupa os brasileiros, segundo revelou a pesquisa Ibope/CNI Retrato da Sociedade Brasileira, divulgada nesta sexta-feira. Para os 2002 entrevistados, as instituições deveriam oferecer um ambiente mais seguro aos seus alunos.

Neide de Aquino Noffs, professora da Faculdade de Educação da PUC/SP, afirma que ninguém pode aprender diante da insegurança. E por falta de segurança não se deve compreender apenas violência. A falta de manutenção estrutural dos colégios também impede que os estudantes se sintam seguros. “O aluno não aprende se, ao chover, achar que o teto da escola pode cair”, diz.

Com relação a vigilância, ambas educadoras compartilham da mesma opinião. “Do ponto de vista pedagógico, não seria interessante a presença de policias e câmeras nas escolas”, diz Suzana. “O melhor seria investir em recursos humanos e em supervisores competentes”, completa Neide.

Romualdo Luiz Portella de Oliveira, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, acrescenta outro elemento à discussão. “O sistema público de ensino ainda usa como modelo o estudante classe média de décadas atrás”, diz. “Ainda não estamos preparados para lidar com problemas enfrentados pela população de baixa renda”, afirma, referindo-se a escolas incrustradas em regiões cercadas pelo crime.