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Brasil tem maior taxa de reprovação no ensino médio

Índice ficou em 13,1% em 2011. Em São Paulo taxa é ainda maior: 15,4%

O Brasil registra a maior taxa de reprovação no ensino médio, entre colégios públicos e privados, desde que as estatísticas passaram a ser divulgadas, em 1999. O índice de 2011 ficou em 13,1%, aumento de 5% em relação ao ano anterior. Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do Ministério da Educação.

O salto entre 2010 e 2011 foi o maior já registrado. Se consideradas apenas as escolas públicas do país, a taxa de 2011 é ainda maior: 14,1%. Chama a atenção a situação de São Paulo, o estado mais rico do Brasil, onde o índice atingiu 15,4%, superando a média nacional.

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Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) Ocimar Alavarse, especialista em avaliação educacional, os resultados são injustificáveis. “São Paulo tem uma rede pública que é antiga, consolidada. O estado está influenciando a piora dos níveis do Brasil”, afirma. Alavarse diz que a situação é mais preocupante porque os dados não levam em conta o desempenho. De acordo com resultados do último Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar (Saresp), por exemplo, só 0,3% dos estudantes do terceiro ano do ensino médio tinha o conhecimento adequado em matemática.

Outro fator relevante é que o número de alunos da rede estadual vem caindo ao longo dos anos. Dados do Inep, tabulados por Alavarse, mostram que, de 1993 a 2011, o número de alunos da rede estadual de São Paulo teve uma redução de 46%.

Segundo a educadora Wanda Engel, do Instituto Unibanco, o ensino médio é o ponto mais delicado para a melhoria da educação. “Uma das causas desses resultados é a falta de condições acadêmicas para o aluno cursar o ensino médio, onde os conteúdos são acumulativos. Os dados refletem também o pouco avanço do ensino fundamental”, explica Wanda. Ela cita, por exemplo, que os piores resultados estão no período noturno – que concentra 40% das vagas. No ensino fundamental, a reprovação foi de 9,6% e o abandono, de 2,8%.

(Com Agência Estado)