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Vale mantém otimismo para demanda de minério pela China

Ações preferenciais da Vale acumulam queda de 34% este ano, registrando performance pior que a do Ibovespa e que as das rivais BHP Billiton e Rio Tinto

A Vale não enxerga uma deterioração no apetite da China por minério de ferro, apesar da recente turbulência nos mercados, afirmou o diretor executivo de Ferrosos e Estratégia da empresa, José Carlos Martins. Segundo ele, a Vale espera completar seus planos de expansão, mesmo com suas ações sendo negociadas nos menores preços em quatro anos.

Uma campanha agressiva do banco central chinês para controlar o crédito no mês passado, em combinação com a desaceleração na segunda maior economia do mundo e as especulações sobre o fim do programa de compra de bônus do Federal Reserve, fez com que o dólar avançasse e prejudicasse as commodities e os ativos de mercados emergentes.

Martins, no entanto, disse que a Vale “não sentiu um impacto negativo em termos de demanda” e que vê o lado bom da recente depreciação do real. “Misturando tudo isso – os efeitos positivos e negativos de toda essa confusão – a verdade é que não tivemos muitas mudanças no cenário para o minério de ferro”, disse, em entrevista. Ele comentou que o renminbi chinês “foi uma das poucas moedas dos países emergentes que não sofreu”, o que significa que os custos da Vale em relação à produção de minério de ferro na China declinaram.

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Mesmo assim, as ações preferenciais da Vale acumulam queda de 34% este ano, registrando performance pior que a do Ibovespa e que as das rivais BHP Billiton e Rio Tinto. Nos últimos meses, o papel tem se mostrado muito sensível a dados econômicos da China, responsável por metade da produção mundial de aço e que estabelece os preços de referência globais do minério de ferro. O gigante asiático é o maior mercado da Vale. Investidores temem que os esforços atuais das autoridades chinesas de direcionar seu modelo econômico dos investimentos para o consumo possam prejudicar o crescimento do país e afetar a demanda por metais.

Martins, que viaja com frequência à China e que acredita conhecer o país “melhor do que muitos analistas”, diz que a alta taxa de poupança dos chineses vai dar ao governo flexibilidade para ajustar a política econômica.

“Apesar de todos os problemas, o que vejo das autoridades chinesas é um pragmatismo extraordinário no que diz respeito à economia”, avaliou o executivo. “Mesmo agora, com o mundo inteiro preocupado com a liquidez, eles diminuíram a liquidez. E esta é uma medida absolutamente ortodoxa que nem mesmo os rapazes em Chicago teriam tomado.”

Segundo Marins, existe uma “assimetria” entre as percepções de curto prazo do mercado, refletidas no preço da ação da Vale, e a natureza de longo prazo do negócio de mineração. O aperto de capital chinês, diz ele, poderá acabar sendo positivo ao permitir que a economia fique com uma base mais forte.

Demanda – Com a expectativa de que a população chinesa continue migrando para cidades e exija mais infraestrutura e moradias, a Vale projeta que a produção de aço do país atinja um pico de cerca de 1 bilhão de toneladas por ano entre 2025 e 2030, ante quase de 800 milhões de toneladas no presente. Por isso, prevê Martins, a demanda por minério continuará forte, embora não no ritmo “exuberante” de crescimento visto na última década. “Eu diria que hoje o impacto maior no preço vem do lado da oferta, e não do lado da demanda”, disse Martins.

Já o aumento da produção da Rio Tinto e BHP tem pesado no mercado de minério desde o primeiro trimestre, quando os preços de referência se aproximaram de US$ 160,00 por tonelada. O preço de referência do Steel Index para o minério com teor de 62% de ferro ficou em US$ 116,50 por tonelada na semana passada.

“Acreditamos que esta situação vai se manter no terceiro trimestre, até que a produção adicional seja absorvida”, comentou Martins. “Mas acreditamos que os preços terão alguma recuperação até o fim do ano.”

(Com Estadão Conteúdo)