Botafogo assina contrato de patrocínio com a TelexFree

Empresa cujos bens estão bloqueados no Brasil devido a uma grave acusação de formação de pirâmides terá sua marca estampada na camisa do clube

A empresa TelexFree, investigada no Brasil por comandar um esquema bilionário de pirâmide financeira, fechou parceria nesta quinta-feira com o clube Botafogo, do Rio de Janeiro. O contrato foi firmado pela subsidiária americana da TelexFree, tendo em vista que, no Brasil, a empresa teve suas operações bloqueadas pela Justiça, assim como todo o seu patrimônio e o de seus sócios. Desde então, a companhia vem angariando brasileiros para colocar dinheiro em suas subsidiárias estrangeiras, sobretudo na América Latina (Bolívia e Paraguai), Estados Unidos, e até no Japão.

A marca da empresa estará estampada na parte inferior da camisa do time, abaixo da Guaraviton, patrocinadora principal. A entrada da TelexFree ocorreu logo após a Havoline não renovar o contrato. Participaram do anúncio o diretor-executivo do clube, Sergio Landau, o diretor de Marketing Ayrton Mandarino, o presidente da TelexFree Internacional James Merrill e o tesoureiro da empresa, Carlos Wanzeler. O valor do patrocínio não foi divulgado mas, segundo os diretores, o dinheiro virá da empresa americana, que não teve sua operação bloqueada.

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Segundo Landau, a escolha da parceria se deu devido à “abrangência” da TelexFree no mercado internacional. “Estamos namorando o mercado americano há um tempo e a TelexFree pode nos ajudar a nos aproximarmos. Se olharem a base internacional da empresa, podem imaginar onde o Botafogo chegará”, afirmou o executivo, segundo nota publicada no site do clube alvinegro.

Durante o anúncio, o diretor do Botafogo não quis se manifestar sobre os problemas da empresa com a Justiça brasileira e afirmou que o acordo com a TelexFree já estava fechado no final de dezembro.

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Investigação – A operação da TelexFree no Brasil foi bloqueada em junho do ano passado, após uma força-tarefa de Ministérios Públicos apurar irregularidades em inúmeras empresas que praticam o chamado “marketing multinível”, que consiste na remuneração dos vendedores com base não só na venda direta de produtos, mas também na quantidade de novos vendedores que conseguem trazer para a empresa. No caso da TelexFree, os vendedores são chamados de divulgadores.

A empresa alega que comercializa, tanto no Brasil quanto no exterior, um sistema de telefonia via internet, de tecnologia Voip (Voice Over Internet Protocol). O problema detectado pelo Ministério Público é que a maior parte da receita da empresa não é proveniente da venda de produtos, e sim do fato de os “divulgadores” investirem dinheiro na empresa sem ao menos vender qualquer tipo de plano Voip. Ao longo de 2013, o site de VEJA conversou com diversos divulgadores que sequer haviam usado o sistema Voip. Seu trabalho consistia em investir na empresa e passar o dia postando mensagens em sites da internet e redes sociais chamando novas pessoas para aderir à TelexFree. “O dinheiro dos novos entrantes era direcionado para pagar o lucro dos que entraram primeiro, daí o nome de pirâmide. Esse tipo de negócio é insustentável no longo prazo”, explicou o procurador Hélio Telho, do MP de Goiás.

Até o momento, o MP tenta um acordo com a TelexFree para fazer com que a empresa concorde em usar o dinheiro bloqueado para ressarcir os divulgadores que ficaram com suas economias “presas” na empresa. Estima-se que mais de 600 milhões de reais estejam sob bloqueio e mais de 1 milhão de divulgadores tenham sido lesados.

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