BC reduz projeção de alta do PIB para 2,7% em 2013

Agricultura deve ser o destaque e a indústria, decepcionar

O Banco Central reduziu a projeção de crescimento para a economia brasileira neste ano, de 3,1% em março para 2,7% agora, conforme mostrou seu Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira.

“Para o Comitê, esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, os estoques em níveis ajustados e a gradual recuperação da confiança dos empresários criam perspectivas de intensificação dos investimentos e da recuperação da produção industrial”, destacou em relatório.

O PIB é analisado pelos economistas sob duas óticas distintas: a da oferta, representada pelo setor produtivo (agropecuária, indústria e serviços) e a dos gastos, representada por investimentos, consumo das famílias, gastos do governo e balança comercial (exportações menos importações).

Sob a ótica da oferta, a produção agropecuária será o destaque, com crescimento de 8,4% (estimativa anterior era de 6%), enquanto para o setor de serviços é esperada alta de 2,6% – ante 3,1% da estimativa anterior. Para a indústria, o BC cortou a previsão de 2,3% para 1,2%. Para a construção civil, espera crescimento de 1,1%, e não 1,8% como projetado no relatório passado.

Já, sob a ótica dos gastos, o otimismo está no item investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) que é esperado subir 6,1% e não 4% como projeto em março. Para o consumo das famílias a projeção caiu de 3,5% para 2,6% e para o consumo do governo caiu de 2,8% para 2,4%. Por fim, na balança comercial o BC estima que o exportações subam 2,8% e não mais 1,1% como acreditava em março, enquanto as aumentarão 7,6% ( ante 7% antes).

Leia mais:

Mantega admite PIB menor em 2013

Prévia do PIB acelera 0,84% em abril

Externo – Segundo o relatório do BC, o ambiente externo ainda está complexo, com alguns países apresentando desiquilíbrios fiscais, blocos econômicos frágeis, com alto endividamento público, atividade econômica moderada e recuperação lenta da economia americana. “No horizonte relevante para a política monetária, o Comitê reafirma sua visão de que a volatilidade dos mercados financeiros tende a reagir ao início (ou sua iminência) do processo de normalização das condições monetárias nos Estados Unidos. Nesse contexto, apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo”, diz.

Na segunda-feira, o relatório semanal Focus, também publicado pelo BC mostrou que o mercado não está tão otimista. A média da projeção dos analistas para o PIB caiu de 2,49% para 2,46% em 2013. Para 2014, caiu de 3,20% para 3,10%. Para a produção industrial, a projeção foi elevada de 2,5% para 2,56% , mas caiu de 3,20% para 3,10% no ano que vem.

A estimativa para o PIB soma de todos os bens e serviços produzidos no país em determinado período e é oficialmente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro trimestre, a economia brasileira decepcionou e cresceu apenas 0,6% em relação ao trimestre anterior – quando se esperava pelo menos 1% de alta. Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, o PIB brasileiro teve crescimento de 1,9% e, no acumulado dos 12 meses, a expansão foi de 1,2%.

Leia ainda: Resultado do 1º tri indica: Dilma amargará ‘pibinho’ em 2013

2012, o ano em que o PIB do Brasil não aconteceu