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Ações da Petrobras despencam e fazem Ibovespa fechar no vermelho

Papéis preferenciais fecharam o pregão em queda de 6,94%. Escolha de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras frustrou o mercado

A nomeação de Aldemir Bendine para presidência-executiva da Petrobras frustrou investidores que esperavam um nome mais independente no comando da estatal. Com isso, as ações da petroleira caíram e arrastaram junto o Ibovespa nesta sexta-feira. Enquanto os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) caíram 6,94% a 9,09 reais no fim do pregão, os ordinários (ON, com direito a voto) recuaram 6,42%, a 9,04 reais. O Ibovespa, por sua vez, fechou em queda de 0,90%, a 48.792 pontos. Na mínima do dia, o índice chegou a perder 2%. O giro financeiro do pregão foi de 7,3 bilhões de reais.

O Ibovespa acumulou alta de 4,02% na semana, no melhor desempenho semanal desde novembro. Tal avanço foi puxado pela alta de mais de 14% das ações da Petrobras na terça-feira, quando ficaram mais fortes os rumores de que a então presidente da estatal, Graça Foster, deixaria o posto.

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Escolha – O Conselho de Administração da Petrobras oficializou durante a tarde a nomeação de Bendine como presidente-executivo e Ivan Monteiro como diretor de Finanças da estatal. Monteiro também ocupava o mesmo cargo no BB.

Bendine já estava de saída do Banco do Brasil depois de ser envolvido em denúncias no ano passado. Ele passou a ser investigado pelo Ministério Público depois que seu ex-motorista, Sebastião Ferreira, afirmou ter feito diversas entregas em dinheiro vivo em nome do patrão. Outros nomes cotados para presidir a Petrobras eram o de Murilo Ferreira, presidente da Vale, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, e Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central.

O nome de Bendine não foi bem recebido pelo mercado. A indicação do executivo, que não é um técnico de carreira da estatal e tampouco um grande expoente do setor de óleo e gás, sinaliza a intenção do governo de manter a ingerência na Petrobras num momento em que se espera mais transparência dos gestores da empresa.

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Câmbio – O dólar também teve forte oscilação nesta sexta. A moeda americana subiu mais de 1% ante o real e fechou na máxima em mais de dez anos, após números sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos reforçarem as apostas de que os juros começarão a subir em meados do ano na maior economia do mundo.

O avanço também foi impulsionado pela apreensão dos investidores com o futuro da Petrobras e com as mudanças na diretoria do Banco Central brasileiro.

A moeda norte-americana avançou 1,34%, a 2,77 reais na venda, após atingir 2,78 reais na máxima da sessão. A cotação de fechamento é a maior desde 9 de dezembro de 2004 (2,78 reais). Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 900 milhões dólares.