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Resolvido mistério antigo: vapor d’água de Saturno provém de uma de suas luas

O vapor d’água descoberto na alta atmosfera de Saturno provém dos gêiseres localizados em Encelade, uma das luas do planeta dos anéis, anunciou nesta terça-feira a Agência Espacial Europeia (Esa), baseando-se em dados fornecidos pelo satélite Herschel.

A identificação dessa fonte “resolve um mistério que vem intrigando os cientistas há 14 anos”, revela a Esa em comunicado.

Encelade, uma pequena lua gelada com um raio de 500 km, expulsa cerca de 250 kg de vapor d’água por segundo através dos gêiseres situados perto de seu Polo Sul, numa região batizada pelos astrônomos de “listras de tigre” por causa das marcas visíveis na superfície.

Esse vapor d’água se acumula numa gigantesca nuvem em forma de argola (como um pneu) no rastro de Encelade, que orbita a cerca de 238.000 km de Saturno, ou seja, a uma distância correspondente a quatro vezes o raio de Saturno. A nuvem de vapor d’água possui cerca de 50.000 km de espessura.

Apesar de seu grande tamanho, não havia sido detectada até então porque o vapor d’água é transparente, na extensão da onda de luz visível, mas não para a radiação infravermelha que o Herschel foi projetado para captar.

A presença de água na alta atmosfera de Saturno havia sido registrada pela primeira vez em 1997, através das observações com ajuda do telescópio espacial ISO (Infrared Space Observatory) da Esa, sem que se compreendesse sua fonte, lembra a agência europeia.

Apenas 3% a 5% da água expulsa por Encelade cairiam em Saturno, segundo simulações numéricas realizadas após as mais recentes observações do satélite Herschel. Esta pequena fração basta para explicar a presença de água na alta atmosfera do planeta.

Encelade é, também, “a única lua do sistema solar conhecida por influenciar a composição química de seu planeta”, destaca a Esa.

O relato dos cientistas das observações do Herschel sobre esta fonte de água foi publicado na revista Astronomy and Astrophysics.