Nasa: descoberto primeiro exoplaneta habitável do tamanho da Terra

Batizado de Kepler-186f, planeta é rochoso e pode ter água líquida

Pesquisadores da Universidade Estadual de São Francisco, nos Estados Unidos, anunciaram a descoberta de um novo planeta rochoso com grandes chances de ter água líquida – e vida – em sua superfície. O achado foi publicado nesta quinta-feira na revista Science.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: An Earth-Sized Planet in the Habitable Zone of a Cool Star​

Onde foi divulgada: periódico Science.

Quem fez: Elisa V. Quintana, Thomas Barclay, Sean N. Raymond, Jason F. Rowe, Emeline Bolmont, Douglas A. Caldwell, Steve B. Howell, Stephen R. Kane, Daniel Huber, Justin R. Crepp, Jack J. Lissauer, David R. Ciardi, Jeffrey L. Coughlin, Mark E. Everett10, Christopher E. Henze, Elliott Horch, Howard Isaacson, Eric B. Ford, Fred C. Adams, Martin Still, Roger C. Hunter, Billy Quarles e Franck Selsis

Instituição: Universidade Estadual de São Francisco, entre outras.

Resultado: Descoberta do Kepler-186f, um planeta com dimensões semelhantes às da Terra, composto de rochas e contendo água líquida.

Chamado de Kepler-186f, o planeta foi localizado pelo telescópio Kepler, da Nasa, que foi lançado ao espaço em março de 2009 com o propósito de procurar zonas habitáveis e planetas com dimensão semelhante à da Terra fora do nosso Sistema Solar.

São considerados habitáveis planetas que mantêm a maior parte de sua água em estado líquido – elemento que os astrônomos consideram fundamental para a existência de vida extraterrestre. “É lógico que não sabemos se existe, realmente, vida nessas zonas. Partir dessa premissa, porém, é importante para concentrarmos as nossas buscas”, diz Stephan Kane, professor de física e astronomia da Universidade Estadual de São Francisco.

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O Kepler-186f orbita uma estrela anã chamada Kepler-186, localizada a cerca de 500 anos-luz do nosso sistema solar, e é, dentre os exoplanetas localizados em zonas habitáveis, o primeiro com tamanho e densidade parecidos com os da Terra. “Uma vez que se sabe a densidade de um planeta, podemos calcular se ele é rochoso ou não”, afirma Kane. O Kepler-186f se distancia dos grandes planetas gasosos, que, por causa da grande massa, acumulam gás de hidrogênio e hélio na atmosfera.

Outra peculiaridade do Kepler-186f é a sua rotação, parecida com a da Terra. “Planetas encontrados anteriormente têm apenas uma face voltada para a estrela e a outra para a escuridão. O Kepler-186f deve ter, portanto, uma temperatura bem distribuída na sua superfície”, diz Douglas Galante, pesquisador do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, e do Núcleo de Pesquisa em Astrobiologia da USP. “Esse é o planeta mais promissor já encontrado e merece ser estudado por outras técnicas para aprendermos melhor sobre suas características.”

Galante ressalta que o anúncio do Kepler-186f é um avanço natural das pesquisas na área e que outras descobertas devem ser feitas. “O Kepler-186f deve ser o primeiro de muitos planetas com condições promissoras para a existência de vida que serão encontrados por esses novos telescópios.”

Atualmente, apenas a Terra tem condições óbvias de vida no Sistema Solar. Marte, no entanto, já teve, há bilhões de anos, água e uma atmosfera espessa. Os astrônomos já mostraram, também, que as luas Europa, de Júpiter, e Enceladus, de Saturno, têm oceanos ou grandes lagos de água líquida sob sua superfície congelada, indícios de condições adequadas para alguns tipos de vida.