Cientistas decodificam o genoma do tomate

Com a descoberta, os pesquisadores esperam trazer melhorias em termos de qualidade e durabilidade para um dos frutos mais cultivados do planeta

Uma equipe internacional de cientistas decodificou o genoma do tomate, abrindo possibilidades de melhoria no sabor e propriedades nutritivas do alimento. Os resultados foram publicados na edição desta semana da revista Nature.

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HIBRIDIZAÇÃO

Cruzamento genético de indivíduos com características diferentes. Esse processo ficou bastante conhecido em estudo feito por Gregor Mendel (1822-1884), o pai da genética. O botânico explicou de que forma características são herdadas ao cruzar diversos tipos de ervilhas e verificar de que forma características distintas se manifestavam nas gerações descendentes.

ENGENHARIA GENÉTICA

Termo usado para definir o processo de manipulação dos genes em um organismo, geralmente fora de seu processo natural reprodutivo. O objetivo é introduzir novas características em um ser vivo, geralmente que tragam melhorias em relação a sua produtividade.

O Consórcio do Genoma do Tomate, que reúne mais de 300 pesquisadores em 14 países, comparou o fruto doméstico atual com seu parente sul-americano, o Solanum pimpinellifolium. Os cientistas revelaram que o tomate tem 35.000 genes e que a variação genética entre a o fruto selvagem e o encontrado atualmente no supermercado é de 0,6%.

O tomate faz parte da família Solanaceae, que inclui outros cultivos importantes: a batata, a pimenta, a berinjela e temperos e ervas de uso medicinal. Em termos de comparação genética, o estudo revelou que o tomate é apenas 8% diferente da batata.

Modificações genéticas – Pesquisadores têm se dedicado à decodificação de produtos amplamente cultivados, como o tomate, para identificar os genes que afetam o sabor, a resistência a doenças ou a habilidade de crescimento em diferentes solos e climas. O tomate está entre os produtos mais cultivados do planeta. Sua produção global em 2010 foi de 146 milhões de toneladas.

Os resultados do estudo possibilitam aos cientistas produzir tomates com características melhores através de alterações genéticas. Esse processo poderia ser feito através da engenharia genética ou através de hibridização tradicional. Estudos anteriores já decodificaram o DNA do milho, trigo, arroz, soja, maçã e morango.

“O tomate é uma das espécies mais comuns e exploradas”, afirmou Francisco Camara, do Centro de Regulação de Genoma da Espanha. “Conhecer seu genoma em detalhes nos permite, por um lado, ter uma compreensão maior da evolução de plantas vasculares (com raiz, caule e folhas) e também fornece novas ferramentas para a agricultura do futuro”, acrescentou.

Os membros do consórcio são originários de Argentina, Bélgica, Grã-Bretanha, China, França, Alemanha, Índia, Israel, Itália, Japão, Coreia do Sul, Holanda, Espanha e Estados Unidos.

(Com Agência France-Presse)