Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Aves cantam ‘enrolado’ sob o efeito do álcool, diz estudo

Pesquisa publicada no periódico 'Plos One' com pássaros que cantam por meio de circuitos neuronais semelhantes aos usados pelo homem para falar pretende decifrar de que maneira a linguagem humana é afetada pela bebida

O canto dos pássaros sofre alterações significativas sob o efeito do álcool, revelou uma pesquisa publicada no periódico científico Plos One. O estudo, feito por cientistas da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon (Estados Unidos) com pássaros da espécie mandarim, mostrou que quando os animais atingem uma concentração de 0,08% de álcool no sangue passam a cantar de forma mais calma, desorganizada e menos ritmada, de forma semelhante ao que acontece com a fala humana sob o efeito de bebida alcoólica na mesma concentração.

Leia também:

Linguagem dos macacos tem ritmo semelhante ao da fala humana

Cães entendem as palavras ditas a eles, diz estudo

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Drinking Songs: Alcohol Effects on Learned Song of Zebra Finches

Onde foi divulgada: periódico Plos One

Quem fez: Christopher R. Olson, Devin C. Owen, Andrey E. Ryabinin, Claudio V. Mello

Instituição: Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, EUA

Resultado: Os pesquisadores adicionaram álcool ao suco dado a pássaros e descobriram que seu canto é alterado sob o efeito da bebida, tornando-se mais calmo e caótico

O objetivo dos cientistas ao “embebedar” os pássaros é compreender de que maneira a linguagem humana é afetada pelo álcool, algo ainda não compreendido com clareza pela ciência. Os mandarins são uma espécie conhecida por aprender a cantar por meio de circuitos neuronais análogos aos usados pelos homens quando começam a falar. Eles possuem os mesmos genes que nós para a fala e, portanto, seu canto espelha os mecanismos neuronais da fala humana.

Canto calmo e desorganizado – Para desenvolver a pesquisa, os cientistas misturaram álcool ao suco dado aos pássaros, até que a concentração atingisse 0,08% no sangue dos animais – semelhante ao permitido a motoristas em alguns países (no Brasil, a taxa legalmente aceita é de 6 decigramas por litro de sangue). Eles gravaram os cantos das aves com e sem a bebida e perceberam que, assim que o álcool era metabolizado, o canto se alterava.

“Os efeitos mais marcantes foram a diminuição da amplitude das notas musicais e aumento da entropia”, afirmam os pesquisadores no estudo. Ou seja, as frases melódicas se tornaram mais tranquilas e caóticas, efeito parecido com a fala humana “enrolada” sob o efeito do álcool. No entanto, nem todas as partes da canção foram igualmente afetadas, sugerindo que a bebida afeta mais alguns circuitos ligados ao canto que outros.