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Vereadores do Rio terão carro oficial de 65 mil reais

Seis dos 51 integrantes da Câmara Municipal recusam os novos carros oficiais, modelo Volkswagen Jetta

A última novidade do Legislativo carioca é um aumento no conforto, pelo menos dos vereadores. É também um aumento nas despesas da Câmara. Por decisão da Mesa Diretora da Casa, em março, serão adquiridos automóveis para os 51 vereadores do Rio. Só seis deles, até o momento, se disseram contrários e anunciaram que vão recusar a compra do carro.

O modelo escolhido é o Volkswagem Jetta, avaliado em aproximadamente 65 mil reais e sonho de consumo dos amantes de automóveis. Com a compra em volume, o valor unitário será de 55 mil. A princípio, o veículo adotado seria o Bora, usado pelos deputados estaduais do Rio. Como o modelo não é mais vendido no país, a Câmara dos Vereadores optou pelo modelo mais simples do Jetta: o que não tem teto solar.

Para a vereadora Andréia Gouveia Vieira, que recusou o carro, trata-se de um retrocesso. “Há um ano, eu peço computadores novos para o meu gabinete. Eu precisei pagar por metade deles. Mas, para a compra de carro, há dinheiro. Eu abri mão do meu e pedi uma porção de coisas necessárias para o trabalho”, diz a vereadora Andréia Gouveia Vieira, do PSDB. Na sua lista, constam o pedido por computadores, insulfilme para as janelas – atualmente cobertas por papel pardo – e cadeiras “descentes”.

“Isso é importante para trabalhar. Se existe dinheiro para o automóvel, tem que haver verbas para melhorar o dia a dia dos funcionários da casa”, argumenta Andréia. A vereadora acredita que essa situação seja um passo dado para trás. “Não temos carro há 20 anos e nem por isso um vereador deixou de exercer o mandato. O que mudou para que, ao invés de a Câmara ir para frente, retroceda? Temos que usar menos recurso do contribuinte”, afirma.

Recusaram os carros oficiais, além de Andréia, os vereadores Teresa Bergher, Paulo Pinheiro, Tio Carlos, Eliomar Coelho e Leonel Brizola Neto.

O salário do vereador carioca é de 15.031 reais. E todos recebem uma cota de ajuda de custo para gastar com combustíveis – podem gastar até 800 litros de combustível. O vereador Eliomar Coelho, do PSOL, também foi um dos que recusou o beneficio. E faz a pergunta que ronda a mente dos cariocas: “Se o vereador já tem um carro, por que mais um? Com o nosso salário, dá para comprarmos. Eu tenho o meu e ele é suficiente para as minhas atividades de legislador. Temos o auxílio combustível que permite fazer reuniões em qualquer lugar da cidade, atendendo às nossas necessidades de mandato”.