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Suspeito de matar menino boliviano é foragido da Justiça

Secretaria de Segurança paulista diz que condenado por roubo aproveitou indulto de Dia das Mães para deixar presídio e não voltar mais

O principal suspeito de atirar na cabeça do menino boliviano Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, é um foragido da Justiça. Diego Rocha Freitas Campos, de vinte anos, cumpria pena por roubo e aproveitou o benefício do indulto de Dias das Mães, no início de maio, para deixar o presídio de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e não voltar mais.

Cinco semanas depois de deixar o presídio, segundo a polícia, ele estava entre os cinco invasores da casa do casal boliviano Yanarico Quiuchaca, de 28 anos, e Veronica Capcha Mamani, de 24 anos, pais do menino Brayan. A casa fica na Zona Leste de São Paulo, e também abriga uma pequena oficina de costura tocada pelo casal e por parentes.

As informações são da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Campos e outro suspeito ainda são procurados pela polícia. Quem tiver informações sobre os suspeitos pode entrar em contato com o Disque Denúncia.

Crime – O crime ocorreu no início da madrugada de 28 de junho. Na ocasião, após invadirem a casa da família boliviana, os criminosos exigiram dinheiro. O casal Quiuchaca e outros parentes que estavam no local entregaram 4 500 reais, mas os assaltantes exigiram mais e passaram a fazer ameaças. Segundo os pais, aterrorizado com a cena, o menino Brayan começou a chorar.

Em determinado momento, um dos invasores, apontado como Diego Campos, atirou na cabeça do menino. Os pais contaram que o garoto chegou a implorar para não morrer e chegou a entregar algumas moedas para os bandidos. Depois de cometerem o ato bárbaro, os assaltantes fugiram. Os pais de Brayan haviam chegado ao Brasil há apenas seis meses. O menino completaria seis anos no próximo sábado.

Nos dias seguintes ao crime, dois suspeitos de participação no crime foram presos e um menor, apreendido. O menor, segundo a polícia, confessou participação e apontou os outros suspeitos, Paulo Ricardo Martins, de dezenove anos, e Felipe dos Santos Lima, de dezoito anos. Por meio dos depoimentos dos presos e das testemunhas, a polícia conseguiu determinar que Diego Campos foi o autor dos disparos. O menor foi encaminhado para a Fundação Casa. Os dois adultos tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça. Além de Diego, a polícia também procura pelo quinto membro do bando, Wesley Soares Pedroso, de dezenove anos.

Protestos – O crime chocante provocou repúdio na comunidade boliviana de São Paulo. No sábado, um grupo de cem bolivianos bloqueou uma avenida na Zona Leste para protestar contra a violência. Nesta segunda-feira, um grupo menor voltou a protestar no Brás, também na Zona Leste. O corpo do menino deve ser levado para Bolívia ainda nesta segunda. Os pais afirmaram em um vídeo gravado pelo jornal O Estado de S. Paulo que devem deixar o Brasil por medo da violência. “Tenho medo. Já não quero mais ficar aqui. É mais perigoso do que a Bolívia”, disse Verônica Capcha Mamani, a mãe do menino.

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