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Relator da Lei da Copa quer “acordão” por meia-entrada

Por Eduardo Bresciani

Brasília – O relator da Lei Geral da Copa, deputado Vicente Cândido (PT-SP), vai procurar os Estados e municípios para tentar um grande acordo em relação a questões polêmicas relativas à Copa do Mundo, como a venda de ingressos com meia-entrada e a permissão de venda de bebidas alcoólicas em estádios. Esses assuntos têm sido abordados até o momento por leis estaduais e municipais, e o governo federal tentava ficar de fora do debate.

“Acho melhor tentar um ‘acordão’. Acho que dá para trabalhar nessa direção”, disse o relator. Para ele, uma lei federal resolvendo o assunto seria o melhor caminho. “Se deixar que essa polêmica se estenda para cada sede, vai ter insegurança jurídica para todo mundo”.

Cândido pretende trabalhar para que a Fifa aceite a venda de ingressos com meia-entrada. Para ele, é mais fácil convencer a entidade a ceder do que os estudantes a abrir mão. O relator contou ter conversado com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, sobre o tema. Cândido afirmou que Teixeira estava “preocupado” com o debate. O relator disse ainda que o presidente da CBF vai tentar conversar com a direção da Fifa para tentar sensibilizá-los em relação ao tema.

O relator esboçou ainda uma proposta para a meia-entrada. Ele lembrou que a lei de São Paulo sobre o tema prevê cota de 30% para este tipo de ingresso. Como a previsão é de que somente um terço dos ingressos da Copa seriam vendidos para brasileiros, o prejuízo da Fifa não seria tão grande. “No fim, seriam só 10% dos ingressos com meia-entrada”, observou. Ele destacou ainda que as estimativas são de que a Copa do Mundo no Brasil será a mais lucrativa da história da Fifa.

Em relação à venda de bebidas alcoólicas, Cândido reafirmou sua posição favorável, mas ressaltou que pretende trazer representantes do Ministério Público para debater o tema.

O relator apresentará na próxima semana seu cronograma de trabalho. Ele pretende realizar audiência em quatro Estados, além das reuniões em Brasília. Cândido destacou que, apesar de o governo desejar aprovar o projeto na Câmara e no Senado até dezembro, o prazo acordado com a Fifa iria até abril de 2012.