População das favelas cresceu acima da média carioca

IBGE divulga radiografia dos bairros do Brasil a partir de dados do Censo de 2010 e mostra que a Rocinha cresceu 23% em dez anos

Algumas das maiores favelas do Rio de Janeiro tiveram aumento da população acima da média da cidade na última década. Esta é uma das informações extraídas do Censo de 2010 divulgadas nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, referentes aos bairros dos municípios brasileiros. Entre as favelas consideradas bairros, a população da Rocinha, na zona Sul, foi a que mais cresceu: aumentou 23% na década, passando de 56,3 mil para 69,3 mil habitantes. A Maré, na zona norte, é a mais populosa, com 129,7 mil habitantes – 14% a mais do que tinha em 2000. É o nono bairro mais populoso da cidade, que tem 6.4 milhões de habitantes. O Complexo do Alemão, na zona norte, teve aumento de 6,3%, abaixo da taxa de crescimento da cidade, que foi 7,9% na década. Passou de 65 mil para 69,1 mil moradores.

O bairro da Mangueira, também na zona norte, aumentou a população em quase um terço (31%), mas nem todos os moradores vivem na favela. Na outra ponta, a Cidade de Deus perdeu moradores. Tinha 38 mil habitantes em 2000 e passou para 36,5 mil em 2010, uma queda de 3,95%.

Os dados do Censo 2010 mostram a alta concentração de jovens em bairros que têm grandes favelas. Em Manguinhos, 28,8% dos moradores têm até 14 anos de idade. Na Mangueira, são 27,9%. No Complexo do Alemão e na Maré, um em cada quatro moradores (26% e 25,6% respectivamente) é criança.

A praia de Copacabana vista do alto: inspiração para uma indústria criativa e lucrativa

A praia de Copacabana vista do alto: inspiração para uma indústria criativa e lucrativa (VEJA)

Zona Oeste – Outro destaque do Censo de 2010 é o crescimento de até 150% dos bairros da zona Oeste do Rio, enquanto algumas áreas da zona Sul perderam moradores. Principal foco de obras de infraestrutura de transportes e de instalações esportivas para a Olimpíada de 2016, a região Oeste concentra os nove bairros com maior crescimento absoluto de 2000 a 2010: juntos, receberam 278 mil moradores.

Os bairros de Camorim, Vargem Pequena e Recreio dos Bandeirantes mais que dobraram a população neste período, com aumentos de 150%, 136% e 118%, respectivamente. A taxa de crescimento da cidade foi de 7,9% na década. Dos dez bairros cariocas mais populosos em 2010, sete ficam na zona oeste: Campo Grande (328,3 mil), Bangu (243,1 mil), Santa Cruz (217,3 mil), Realengo (180,1 mil), Jacarepaguá (157,3 mil), Barra da Tijuca (135,9mil) e Guaratiba (110 mil). Completam a lista: Tijuca (163,8 mil), na zona norte, Copacabana (146,3), na zona sul, e Maré (129,7 mil), na zona norte. A Barra da Tijuca, bairro da zona oeste que começou a atrair grandes investimentos imobiliários na década de 70, continua ganhando moradores: cresceu 47% entre 2000 e 2010.

Retração – No caminho contrário, alguns bairros da zona sul da capital fluminense perderam moradores na última década. Humaitá tinha em 2010 uma população 12,5% menor que em 2000. Houve redução também em Ipanema (-8,7%), Gávea (-8,4%), Jardim Botânico (-7,9%) e Flamengo (-6%). Laranjeiras, Leblon e Copacabana tiveram pequena redução. Outros bairros da zona sul apresentaram aumento de população entre 2000 e 2010, como Lagoa (13,5%), Catete (10%) e Botafogo (5,9%). O centro do Rio, após décadas de esvaziamento, teve aumento de 5% na população residente. É um ritmo bem menor que o do centro de São Paulo, que cresceu três vezes mais: 15,4%.

Entre 2000 e 2010, o Rio de Janeiro ganhou dois novos bairros: Vasco da Gama, com 15,4 mil habitantes e Gericinó, com 15,1 mil. Com isso, a cidade chegou a 160 bairros.

O levantamento faz uma radiografia da população dos bairros de todos os municípios do Brasil, e utilizou o Rio de Janeiro como referência para demonstrar a importância dessas informações como subsídio para políticas locais. De acordo com o IBGE, o Brasil possuía, em agosto de 2010, 14.402 bairros, distribuídos da seguinte forma: 832 na região Norte, 2.661 na Nordeste, 5.595 na Sudeste, 4.184 na Sul e 1.130 na Centro-Oeste.

(Com Agência Estado)