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Polícia cumpre reintegração de posse em área invadida pelo MTST

Batizado de 'Portal do Povo' pelos sem-teto, o terreno da construtora Even localizado no Morumbi foi ocupado em 21 de junho

A Polícia Militar cumpre na manhã desta segunda-feira um mandado de reintegração de posse do terreno invadido pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) no Morumbi em 21 de junho. A juíza Monica Lima Pereira, da 2ª Vara Cível do Foro Regional XV – Butantã, determinou a desocupação do local e deu aos sem-teto até o dia 31 de julho para deixar o terreno de 200.000 m² na Rua Doutor Luís Migliano, região do Portal do Morumbi, Zona Sul de São Paulo. O local pertence à construtora Even. A reintegração estava prevista para o dia 17, mas foi suspensa porque um dia antes 400 sem-teto invadiram a sede da Even em São Paulo. O grupo só deixou a construtora após fimar acordo com a Justiça e a Polícia Militar para prorrogar por quinze dias o cumprimento da liminar de despejo.

A desocupação ocorre de forma pacífica e a maioria das famílias que ocupavam o terreno da construtora já deixou o local. Para que não houvesse confrontos e desentendimentos durante a reintegração, agentes da Polícia Militar se reuniram com representantes do MTST, o proprietário do terreno e oficiais de Justiça. Segundo o MTST, a ocupação conta com cerca de 3.000 famílias. Funcionários da prefeitura, porém, relataram ter visto, no máximo, cem pessoas no terreno durante a ocupação.

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Invasão – O terreno invadido fica na rua Doutor Luís Migliano, que liga as Avenidas Giovanni Gronchi e Francisco Morato e é rota para o Cemitério da Paz. No local, o valor médio do metro quadrado é de 8.000 reais e os apartamentos mais luxuosos chegam a 1,5 milhão de reais. Ao lado da invasão, está em construção um condomínio residencial com unidades de até 243 m². Na época da invasão, a página oficial do MTST classificava a região como um local onde a “especulação imobiliária se alastra como epidemia, tendo efeitos perversos, como o aumento desenfreado e abusivo dos aluguéis, levando à expulsão de famílias para bairros com menos estrutura.”

No entorno do terreno, prédios comerciais e residenciais de classe média alta dividem espaço com barracos da Favela da Vila da Praia. Parte dos moradores da favela, segundo o movimento, participa da ocupação, assim como famílias das comunidade Olaria e Viela da Paz.

(Com Estadão Conteúdo)