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Na CPI, Perillo nega ‘qualquer relação’ com Cachoeira

Por Ricardo Brito

Brasília – O governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo (PSDB), negou nesta terça-feira manter “qualquer relação” com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Perillo disse que, das 30 mil gravações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal durante três anos, em apenas uma houve uma ligação, feita apenas para cumprimentar Cachoeira pelo seu aniversário.

Em sua exposição inicial, Perillo disse que jamais houve outra ligação para o contraventor para seu telefone particular ou para o número de seu gabinete. E reforçou que, quando telefonou para Cachoeira, ligou não para um “um contraventor”, mas para um empresário que atuava no setor farmacêutico.

Para demonstrar distância de Cachoeira e do ex-diretor da Delta Cláudio Abreu, que atuava em conjunto com o contraventor, o governador disse que, durante sua gestão, 2 mil máquinas caça-níqueis foram apreendidas e que a empreiteira tem apenas 4% dos contratos do Estado em vigor.

Perillo afirmou ainda que, dos 12 mil policiais militares e 3 mil civis do Estado, sobre apenas 34 houve apuração de envolvimento na operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira. O governador reconhece que o número é elevado, mas frisou que todos foram afastados do cargo e respondem a processo disciplinar.

O governador de Goiás disse que não há nenhum ato que tenha beneficiado ou sugira qualquer beneficiamento ao grupo de Cachoeira. Ele disse que compareceu à CPI para “restabelecer a verdade dos fatos”. “Estou sendo vítima de todos esses acontecimentos deflagrados pela Operação Monte Carlo”, afirmou. Perillo lembrou que solicitou de “forma voluntária” o pedido de abertura do Ministério Público Federal contra ele e também esteve na CPI para se colocar à disposição para depor.

O governador continua fazendo neste momento sua exposição inicial, que começou às 10h30. Ele ainda não explicou a acusação do jornalista Luiz Carlos Bordoni feita ao Estado de S. Paulo de que um ex-assessor do governador fez um depósito com recursos de uma empresa de fachada comandada pelo grupo de Cachoeira na conta de sua filha para saldar uma dívida de campanha. Ele nega qualquer irregularidade e anunciou que vai processar o jornalista.

Perillo também deve apresentar os cheques para justificar a venda de uma casa avaliada em R$ 1,4 milhão. Há a suspeita de que recursos do contraventor tenham bancado a transação.