Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

MP apura se gestão Doria ajudou empresa em contrato para Carnaval

Produtora teria sido orientada a redistribuir valores em proposta para patrocinar Carnaval de rua de 2017; prefeitura diz que mudança era prevista em edital

A Promotoria do Patrimônio Público, do Ministério Público de São Paulo, investiga se a gestão do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), favoreceu uma empresa em processo para a escolha de um parceiro para apoiar a organização do Carnaval de rua de 2017. A investigação, ainda em fase preliminar, vai apurar a suspeita de que a prefeitura teria orientado a produtora Dream Factory, associada à Ambev, sobre como vencer a disputa, o que acabou ocorrendo. O caso foi revelado nesta segunda-feira pela rádio CBN, que trouxe o áudio de uma conversa entre os diretores da produtora com a chefe de gabinete do secretário da Cultura, André Sturm.

Na disputa, a Dream Factory foi a empresa que apresentou a proposta de maior valor financeiro – 15 milhões de reais contra 8,6 milhões de reais da SRCOM. A questão é que o edital previa que a empresa vencedora seria aquela que apresentasse, independente do total global, o maior valor destinado a itens de interesse público, como segurança e ambulâncias – neste caso, a oferta da SRCOM, associada à Heineken, era de 5,1 milhões de reais contra 2,6 milhões de reais da Dream Factory.

Na conversa gravada, os representantes da Dream Factory são orientados a “aumentar o valor” destinado a itens de interesse público. Na discussão, que cita Sturm e o vice-prefeito Bruno Covas (PSDB), comenta-se que este teria dado “a saída” para o impasse, o que um dos diretores da Dream Factory trata por “mexer nos escopos”, entendido como uma nova subdivisão da verba. A suspeita, portanto, é que a prefeitura tenha favorecido a produtora associada à Ambev ao orientá-la a mudar a distribuição dos seus 15 milhões de reais e garantir a vitória na disputa.

A prefeitura nega a acusação. Em nota enviada a VEJA, argumenta que a proposta da Dream Factory havia sido de fato recusada por concentrar os gastos que propunha com ações de marketing, mas que a solicitação para que a empresa redistribuísse seus recursos foi feita por obedecer ao edital, que previa a possibilidade de alteração. A gestão Doria também “saúda” a decisão do Ministério Público de abrir a investigação, uma vez que “ficará comprovado ao final que foi cumprida a lei e que a ação da administração municipal beneficiou a população, que pôde ter acesso a um Carnaval com mais qualidade, preservando os cofres públicos, que deixaram de investir R$ 10 milhões”.

O governo municipal também argumenta que o edital autorizava a redistribuição, mas não o aumento no valor investido. Portanto, segundo esta lógica, o Executivo municipal poderia pedir que a Dream Factory investisse mais em itens de interesse público, mas não poderia oferecer à SRCOM a possibilidade de aumentar a sua oferta. “Não houve contato para favorecer uma das empresas, houve contato com a única empresa que teria condições de melhorar sua proposta, em benefício da população paulistana e do Carnaval”, alega a prefeitura, que ressalta o fato de ter realizado a festa sem a necessidade de investimento público.

A reportagem da CBN informou também que auditores do Tribunal de Contas do Município (TCM) encontraram uma série de irregularidades na elaboração do edital e no processo burocrático. O termo de parceria teria sido homologado no dia 27 de janeiro sem a assinatura da Dream Factory e o contrato assinado em 16 de fevereiro, onze dias depois de a empresa já estar atuando na organização do evento. Sobre essa apuração, a prefeitura alega que “a esta altura, as supostas irregularidades são apenas a opinião dos auditores, uma vez que o relatório não passou pela análise do conselheiro responsável nem foi a julgamento”.

Procurada, a Ambev confirmou o contrato com a Dream Factory e a redistribuição posterior dos valores, que atribuiu a um pedido da Comissão Avaliadora do Carnaval de Rua 2017. A empresa justifica, também, que a alteração estava prevista pelo edital de chamamento do Carnaval. “Não houve, portanto, qualquer alteração ou oferecimento de novo valor durante o chamamento público. Todo esse trâmite está registrado em processo administrativo, que é público e disponível para consulta de qualquer interessado”, afirmou a empresa.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Eu sabia! Era questão de tempo. E tem muito mais de onde essa saiu. Logo vai ter que explicar onde conseguiu seus 800 milhões…

    Curtir

  2. Wilson Coral

    Também, não passou?

    Curtir

  3. José Rosa Garcia

    Em alguns momentos, o nível de jornalismo praticado pela chamada “grande imprensa” se aproxima das bobagens divulgadas nas redes sociais. A licitação já estava definida em favor da empresa que apresentou a proposta de 15 milhões de reais. Não houve, portanto, qualquer favorecimento, mas apenas a redistribuição de parte do valor do contrato para alguns serviços, em vez de se gastar na publicidade. Qualquer “foca” das redações de vinte anos atrás entenderia isso.

    Curtir

  4. Gustavo Henrique

    doria já ta caindo no esquecimento, já não bastava defender temer

    Curtir

  5. Paolla França

    Que time dos crlh 6 por meia duzia

    Curtir

  6. É só no Brasil que a imprensa e MP contesta um edital para concorrência pública e quer que a empresa que ofereceu menos ganhe. Uma empresa lança 15 mi e outra 8 mi e querem que a empresa que lançou 8 mi ganhe. Imaginem se isso tivesse acontecido. Esse pais está indo de mal a pior.

    Curtir

  7. Paulo Bandarra

    Criminalização do nada. Ganhou o que oferecia mais.

    Curtir

  8. Hermes Alves de Matos

    Como já comentei aqui, estava “limpo” porque era insignificante no partido, agora está querendo ser importante, vão aparecer todos seus podres, se é amigo do Aécio, afilhado do Gerallllllllllldo, parceiro do Serra e demais é pilantra também…

    Curtir