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Motoristas de vans escolares protestam no Centro de São Paulo

Condutores informam que não foram consultados sobre a nova proposta de pagamento do programa "Vai e Volta" e pedem reunião com Haddad

Motoristas de vans do Transporte Escolar Gratuito (TEG) realizaram um ato na manhã desta quinta-feira contra mudanças no modelo de pagamento e de credenciamento proposto pela gestão Fernando Haddad (PT) no programa “Vai e Volta”, que fornece transporte gratuito para alunos, professores e servidores da rede de ensino municipal.

O protesto começou na Praça Charles Miller, no Pacaembu, região central de São Paulo, às 5 horas da manhã, e, segundo organizadores, reúne pelo menos 1,5 mil veículos. Por volta das 8 horas, os motoristas saíram em carreata até a sede da prefeitura, no Viaduto do Chá – onde todas as faixas foram bloqueadas, incluindo a ciclovia.

A carreata seguiu pela Avenida Doutor Arnaldo, pelas Rua da Consolação, Dona Maria Paula e Líbero Badaró. Um carro de som ficou parado em frente do prédio da Prefeitura. Até o momento, a interdição permanece a partir da rua Liberó Badaró, na altura do Viaduto do Chá. Houve congestionamento, porém a CET não teve informações de quantos quilômetros de lentidão a região enfrentava.

Os condutores pedem uma reunião com Haddad e o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, e prometem acampar, caso não sejam atendidos. A categoria reivindica o cancelamento do cadastro dos motoristas, iniciado em novembro, para alterações no modelo de pagamento.

Do carro de som, manifestantes repetiram que não são “baderneiros” e que estavam prontos para “receber bem o prefeito, sem vaiar”. Haddad tem uma agenda pública em Santo Amaro, na zona sul, na manhã desta quinta. Uma comissão de motoristas do TEG foi recebida na prefeitura por volta das 10h15.

Agentes da São Paulo Transporte (SPTrans) acompanham o ato. Manifestantes ameaçam “tomar as canetas” se os veículos forem autuados. Os agentes da SPTrans afirmam que só estão fazendo relatório.

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Mudanças – Segundo os manifestantes, a prefeitura paga atualmente 46 reais por criança de até 12 anos transportada, cerca de 2 mil reais por aluguel de cada veículo e 0,25 centavos por quilômetro rodado. Com a mudança, os motoristas passariam a receber 150 reais por passageiro, sem os demais benefícios.Os profissionais temem que as novas regras criem uma “guerra” entre condutores de empresas de transporte particular e das vans escolares. Já a Secretaria Municipal de Transportes (SMT) informou que “a prefeitura pagará R$ 155,19 por assento (não é por criança). Um cadeirante ocupa 5 lugares, então a prefeitura irá pagar 5x o valor.”

“Não há demanda para andar com van cheia”, afirma Lauro Lisboa, porta-voz dos condutores. De acordo com ele, a categoria transporta 60 mil crianças por dia. Há 10 anos, eram 135 mil.

Os motoristas também reclamam que não foram consultados sobre a proposta. “Ninguém nos chamou para conversar, não houve audiência pública – só o decreto e nada mais”, diz Lisboa. Em nota, a SMT informou que “está em diálogo permanente com os profissionais que executam o serviço de transporte escolar para dirimir dúvidas e receber sugestões a respeito da futura execução do trabalho. Inclusive ontem, dia 20, ocorreu um encontro dos proprietários desses veículos com o Departamente de Transportes Públicos (DTP) e representantes da área da Educação.”

Já o presidente da Associação Regional de Transporte Escolar de São Paulo (Artesul), Hélio Menezes, diz que o valor é muito baixo e que a consequência será uma competição indesejada com motoristas de vans que fazem viagens particulares.Além disso, ele diz que as regras para inscrição dos estudantes vai diminuir o número de alunos atendidos pelo serviços. “Queremos que a prefeitura nos contrate, mas garanta a demanda”, diz Menezes.

Uma decisão do Tribunal de Contas do Município (TCM) negou um pedido de suspensão do credenciamento no programa, que a Artesul havia pedido, no dia 15 de janeiro de 2015. Segundo o conselheiro Edison Simões, que julgou a questão, os valores propostos no edital “são compatíveis com os atuais valores praticados nos contratos emergenciais que ainda estão vigentes e estão sendo cumpridos pelos respectivos condutores”.

(Com Estadão Conteúdo)