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Morre Roger Garaudy, ex-comunista que aderiu ao negacionismo

O filósofo francês Roger Garaudy, nome de destaque entre os intelectuais comunistas antes de optar pelo negacionismo, faleceu na quarta-feira aos 98 anos em Chennevières (perto de Paris), informou a prefeitura da cidade.

Autor do livro “Os mitos fundadores da política israelense” (1996), foi condenado em 1998 por negar crimes contra a humanidade.

Professor de filosofia e doutor em letras, aderiu ao Partido Comunista francês em 1933. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi detido em 1940 pelo regime colaboracionista de Vichy e internado num campo de concentração na Argélia.

Recebeu a Cruz de Guerra 39-45 e a medalha da deportação.

Em 1945 passou a formar parte do comitê central do PC francês, e em 1956 do burô político.

Eleito deputado, formou parte das duas Assembleias Constituintes do pós-guerra (1945-46) e da primeira Assembleia Nacional, da Câmara Baixa do Parlamento francês (1946-51). Voltou a ser deputado entre 1956 e 1958 e entre 1959 e 1962.

Ensinou filosofia em diversas cidades da França no fim dos anos 50 e durante os anos 60. Foi professor de letras na universidade de Clermont-Ferrand (1962-65) e catedrático na Poitiers (1969-73).

Ao mesmo tempo, dirigia publicações comunistas e o Centro de Estudos de Pesquisas marxistas (1960-70). Depois de atritos por suas posições contestatórias, desencadeou a ira dos dirigentes comunistas com a publicação de seus livros “A grande virada do socialismo” (1969) e “Toda a verdade” (1970).

Após denunciar a situação na Tchecoslováquia e classificar o líder comunista francês de “coveiro do PC”, foi excluído do partido em maio de 1970.

Em 1982 converteu-se ao islã.

Autor de muitas obras, Garaudy foi premiado com o Deux Magots por seu “Apelo aos vivos” (1979). Em 1989 publicou suas memórias.