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“Mizael era um cavalheiro”, diz testemunha de defesa

Rita Maria de Souza foi convocada para relatar o bom relacionamento entre o ex-policial e a advogada Mércia Nakashima

Primeira testemunha de defesa a subir no plenário do Fórum Criminal de Guarulhos, a corretora de imóveis Rita Maria de Souza começou a dar seu depoimento por volta das 17 horas desta terça-feira. Rita foi convocada para relatar o bom relacionamento de Mizael Bispo de Souza e Mércia Nakashima. Acusado pela morte da ex-namorada, o advogado e ex-policial mantinha, desde 2004, um escritório de advocacia no imóvel localizado em cima da imobiliária na qual Rita trabalhava. Em 2005, Mércia passou a advogar no local.

“Ele era bastante educado e cavalheiro”, disse Rita. “Abria a porta do carro para ela. Sempre que eu a via ela estava feliz, alegre. O clima era de harmonia”.

Rita contou que, dois dias depois do desaparecimento de Mércia, Márcio Nakashima, irmão da vítima, foi até a imobiliária pedir para colocar na parede um cartaz de Mércia, então desaparecida. Rita permitiu, mas disse que retirou o papel uma semana depois porque ele estava manchando a parede.

Questionada pelo promotor Rodrigo Merli Antunes sobre um abaixo-assinado pedindo a libertação de Mizael feito na época do crime, Rita confirmou que assinou o documento, porque acreditava na inocência do ex-policial. “A senhora pediu assinaturas para esse abaixo-assinado durante oito dias, mas só deixou o retrato de Mércia na parede da imobiliária por uma semana?”, provocou Antunes.

Acusação – O depoimento de Rita começou logo depois do advogado Arles Gonçalves Júnior, última testemunha de acusação. Ele foi convocado por ter acompanhado um dos depoimentos de Evandro Bezerra, acusado de ser o coautor do crime. Na oitiva, Arles afirmou que não presenciou Evandro sofrer nenhum tipo de coerção por parte da polícia. O representante da OAB disse que o réu confessou ao ser confrontado com provas técnicas, como a localização dos celulares dele e de Mizael.

A tensão começou durante as perguntas do advogado de defesa, Ivon Ribeiro, que chegou a ser advertido pelo juiz Leandro Canno quando disse que Arles “só se lembrava do que lhe interessava”. As perguntas passaram a ser feitas, então, por intermédio do juiz, como já havia acontecido no testemunho do delegado Antonio de Olim e do irmão de Mércia, Márcio Nakashima.

A defesa questionou se Arles acompanhou o interrogatório de Evandro em Sergipe, onde foi encontrado foragido, e também onde, segundo o acusado, teria sido torturado pela polícia. Arles afirmou que não esteve presente nesse depoimento, e que acompanhou as investigações em São Paulo porque era de competência da seccional da OAB na capital.

Mizael é acusado de matar Mércia Nakashima em 2010. O segundo dia de júri, que está sendo transmitido ao vivo, começou com o depoimento da penúltima testemunha de acusação, Antonio Assunção de Olim, delegado de polícia que na época do crime realizou a investigação pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ao ser questionado pela acusação, o delegado foi enfático: “Conto apenas o que investiguei e apurei e posso dizer com certeza: não tenho dúvida nenhuma de que o Mizael matou a Mércia”.

A última testemunha ouvida no segundo dia foi o investigador Alexandre Simoni Silva, que auxiliou o delegado Antonio Assunção de Olim nas investigações relativas aos telefones. Num primeiro momento, os advogados tentaram desqualificar o trabalho do perito, perguntando se ele tinha alguma formação acadêmica na área. Silva respondeu que seu conhecimento havia sido adquirido nos 15 anos em que trabalhou na divisão antissequestro da Polícia Civil, atuando em mais de 150 casos.

De acordo com Silva, ao analisar o histórico de ligações feitas pelo telefone de Mércia, encontrou um número de celular usado por Mizael, mas que não havia sido fornecido pelo réu aos investigadores. Na época, embora Mizael tenha justificado que não costumava usar o número, a polícia descobriu que haviam sido feitas 19 ligações para o corréu Evandro Bezerra – foram 16 efetuadas e três recebidas – somente no dia 23 de maio, último dia em que Mércia foi vista com vida. “Foi esse número que nos possibilitou a identificação do Evandro”, revelou Silva. O celular estava cadastrado no nome de José Valdi e tinha no registro um endereço de Cotia. O número não foi mais usado depois do dia do crime.

Após o depoimento de Silva, o juiz encerrou a sessão, por volta de 20h30. O julgamento deve ser retomado na manhã de quarta.

(Atualizado às 21h)