Mendes: divulgação de conversa entre jornalista e fonte ‘enche-nos de vergonha’

“É ataque à liberdade de imprensa”, diz ministro, sobre veiculação em inquérito de diálogo entre jornalista Reinaldo Azevedo e irmã de Aécio Neves

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira a divulgação do grampo telefônico de uma conversa entre o jornalista Reinaldo Azevedo e Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). “É um ataque à liberdade de imprensa e ao direito constitucional de sigilo da fonte”, afirmou em nota o ministro.

Apesar de não trazer nenhum indício de crime, o diálogo foi anexado ao inquérito aberto com base na delação de executivos da JBS para investigar Aécio, o presidente Michel Temer e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que teve o sigilo levantado junto com os demais documentos do processo, por decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF.

“A lei que regulamenta as interceptações telefônicas é clara ao vedar o uso de gravação que não esteja relacionada com o objeto da investigação. É uma irresponsabilidade não se cumprir a legislação em vigor”, frisou Gilmar. “O episódio envolvendo o jornalista Reinaldo Azevedo enche-nos de vergonha.” Mendes teve ele próprio conversa com Aécio gravada e divulgada em meio à montanha de dados do processo.

Na conversa com Andrea, revelada pelo site Buzzfeed, Azevedo critica reportagem de capa de VEJA de 5 de abril de 2017, o que o levou a pedir seu desligamento. Em seu post de despedida, o jornalista afirmou: “A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo”.

“Retaliação” – A divulgação do grampo também foi condenada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que expressou “preocupação com a violação do sigilo de fonte”. “A inclusão das transcrições em processo público ocorre no momento em que Reinaldo Azevedo tece críticas à atuação da PGR, sugerindo a possibilidade de se tratar de uma forma de retaliação ao seu trabalho.”

Em nota, a Procuradoria-Geral da República negou ser responsável pela divulgação do grampo. “Todas as conversas utilizadas pela PGR em suas petições constam tão somente dos relatórios produzidos pela Polícia Federal, que destaca os diálogos que podem ser relevantes para o fato investigado. Neste caso específico, não foi apontada a referida conversa”, diz o comunicado. A PF, por sua vez, afirmou que a PGR teve acesso de antemão aos arquivos e que cabe à Justiça decidir por sua eventual inutilização.

Comentários

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  1. Sejam jornalistas que comungam ideais da Esquerda ou ideais
    da Direita todos foram feridos e desprezados pela sujeira dos Políticos e da insignificância de nossa Justiça. Os pontos de vista são evidentes que não são iguais, no entanto a classe inteira do jornalismo brasileiro foi humilhada e desprezada. Nesta hora não pode haver combate entre os pensamentos que se divergem, mas a união para colocar um fim nessa selvageria que está transformando em cinzas a nossa Nação.

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  2. Jose Dionisio de Campos

    O sistema corrompe, seja na podridão ou no palacete, esqueceu-se do povo ao defender a justiça, e não a moral, pois estes bandidos nunca devem ser prestigiados com justiça, e foi com a moral que os ministros estão a agir, portando o seu pedido de demissão em nome da moral nos o povo acatamos e a justiça que o condene

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  3. José Carlos Saraiva

    Cadê meu comentário? Foi censurado? Só vale se for a favor? Isso também não é um atentado a liberdade de expressão?

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  4. O stf deveria ter vergonha em dar imunidade a ladrões. Vão dar imunidade para o Lula também?

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