Maksoud Plaza é arrematado em leilão por lance mínimo

Por Paulo Sampaio

São Paulo (AE) – O Hotel Maksoud Plaza foi arrematado hoje em leilão por R$ 70 milhões, o lance mínimo. Sem concorrentes, os empresários Fernando Simões e Jussara Elaine Simões, da empresa Júlio Simões Logística, com sede em Mogi das Cruzes (SP), deram apenas um lance e levaram o hotel.

Avaliado em R$ 140 milhões, o Maksoud fica na Bela Vista, região central de São Paulo, e tem 45 mil metros quadrados. O leilão foi para pagar dívidas trabalhistas do hotel e da empresa Hidroservice, do mesmo grupo.

Na terça-feira, o hotel entrou com pedido de cancelamento do leilão no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP), alegando que suas dívidas trabalhistas estavam quitadas. Na quarta-feira, o desembargador Luiz Antonio Moreira Vidigal acolheu parcialmente o pedido, mantendo o leilão, mas suspendendo todos os seus efeitos.

Os Simões entraram hoje mesmo com o pedido de registro de compra no processo de penhora, em nome da Locon Empreendimentos Ltda. Por enquanto, foram pagos 30% do valor. Com a decisão do desembargador paulista, de suspender os efeitos do leilão desta quinta-feira, a Locon vai precisar esperar a decisão definitiva da Justiça para dispor do imóvel.

Com o leilão, o protesto será encaminhado ao juízo auxiliar em execução – uma vara especializada – onde os credores das dívidas trabalhistas poderão se habilitar o que lhes devem. De acordo com a juíza Ana Carolina Nogueira, a ideia é quitar as dívidas com os credores o mais rapidamente possível.

Dívidas – A assessoria do Maksoud diz que o leilão foi decidido por causa de uma dívida trabalhista liquidada no valor de R$ 326 mil. O TRT afirma que o processo que levou o hotel ao leilão reúne, além dessa dívida, outras 19 ações de execução da empresa Hidroservice, somando mais R$ 16 milhões. Ainda há 90 ações em tramitação contra o hotel – algumas já executadas – e 87 contra a Hidroservice.

O Maksoud alega que, em setembro, o leilão de um imóvel de seus proprietários arrecadou R$ 37 milhões, suficientes para pagar as dívidas. O TRT afirma que o imóvel não foi arrematado à vista e apenas R$ 13,7 milhões foram pagos até agora.

O hotel já tinha ido a leilão em 2008. O Fórum Rui Barbosa, mesmo local do leilão de hoje, também estava lotado na ocasião, mas ninguém havia oferecido nem ao menos o lance mínimo de R$ 45 milhões.

Procurada, a direção do hotel não quis comentar a venda de hoje. E o hotel continua funcionando. As diárias do cinco estrelas custam entre R$ 960 a R$ 16 mil.