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Joesley cita Renan e Machado e conclui: ‘a verdade não ofende’

Em conversa com Ricardo Saud, Joesley afirma que delatados sabem que cometeram irregularidades

Dono da JBS, o empresário e delator premiado Joesley Batista disse, em conversa gravada com o diretor de Relações Institucionais da empresa, Ricardo Saud, que autoridades delatadas por colaboradores não devem se ofender com as acusações de que são alvo. O diagnóstico de Joesley é simples: “a verdade dói, mas não ofende”.

A conversa entre Joesley e Saud integra o novo conjunto de provas apresentado pelos próprios delatores à procuradoria-geral da República. Para exemplificar seu raciocínio sobre os estragos de uma delação premiada, Joesley disse que ele próprio não tem “raiva” do ex-vice-presidente da Caixa Econômica, Fábio Cleto, que, como delator, revelou que houve pagamento de propina quando o FI-FGTS aprovou o repasse de 940 milhões de reais à Eldorado Celulose, empresa da J&F, holding que abriga também a JBS, a maior empresa de carnes processadas do mundo. Os investigadores descobriram que o doleiro Lúcio Funaro, nessa operação, arrecadou ao menos 9 milhões de reais, o que confere com o 1% de que fala Cleto. Nas investigações, a Polícia Federal fez busca e apreensão na sede da JBS e na casa de Joesley Batista.

O empresário também citou o caso envolvendo o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, para sustentar a versão de que “a verdade não ofende”. “A verdade não ofende. Ricardo, pega o Sergio Machado. O Renan esbraveja, todo mundo esbraveja, mas no final você acha que alguém genuinamente tem raiva dele? Não tem. Ninguém tem raiva do Sergio Machado pelo que o Sergio Machado falou. Foi a verdade”, analisou.

“A verdade dói, mas não ofende. Não ofende ninguém não, porque, no final, você sabe o que você fez, rapaz. Eu tô apostando isso. A minha aposta é a seguinte: nego vai espernear e ficar p…, mas no final do dia todo mundo deita a cabeça no travesseiro”, completa.

Em sua delação premiada, Sergio Machado afirmou aos investigadores da Operação Lava Jato que Calheiros o pressionava por mais repasses de propina e que, por isso, chegou a ter atritos com o senador. No ano de 2007, diante das pressões para que os cofres do peemedebista fossem irrigados mais generosamente, Machado afirmou que passou a ser alvo de notas na imprensa segundo as quais estaria de saída da empresa. De imediato, entendeu o recado e confirmou ao Ministério Público que “precisava ser eficaz na arrecadação de propinas ou não ficaria no cargo”.

Machado também relatou que ouviu em reuniões ocorridas na casa de Renan Calheiros que o PMDB receberia 40 milhões de reais em doações da JBS para as eleições de 2014. O pedido teria sido feito pelo PT e o dinheiro se destinaria à bancada do PMDB no Senado. Sem deixar claro se o dinheiro tinha origem ilícita, Machado afirmou que a bancada peemedebista da Câmara se irritou ao saber da doação aos senadores e foi se queixar com o então presidente do PMDB, Michel Temer. “Esse fato fez com que Michel Temer reassumisse a presidência do PMDB, visando controlar a destinação dos recursos dos partidos”, afirmou Machado.