Índios passam mal na Rio+20 com comida estragada

"Isso mostra que ainda somos tratados como verdadeiros selvagens", afirmou Cristiano Santos, de 18 anos, integrante da aldeia Pakuru

Um grupo de índios participantes da Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, passou mal após ingerir o almoço fornecido pela organização do evento na tarde deste domingo. O incidente chegou a interromper um dos principais debates do evento, que discutia soberania alimentar. O grupo foi medicado pela equipe de plantão no evento e liberado em seguida. A cúpula é o maior evento paralelo à Rio+20.

Logo que a comida foi distribuída por funcionários da empresa fornecedora, os índios reclamaram do cheiro de azedo dos alimentos e bloqueou o acesso à tenda onde aconteceria o debate. Na refeição fornecida aos indígenas, as quentinhas continham arroz, feijão e carne. Os participantes que chegaram a ingerir os alimentos reclamaram de fortes dores no estômago, tontura e muitos chegaram a vomitar próximo à entrada da tenda de debates.

“Minha pressão baixou muito e eu senti que ia desmaiar, a visão ficou escura. Um amigo que me levou ao posto médico”, afirmou Anderson Santos, de 21 anos, da etnia Pakuru, do oeste da Bahia. Após passar mal, ele foi medicado com uma injeção contra enjoo. A refeição estragada era a primeira alimentação deles fornecida pelos organizadores do evento.

“Esse fato mostra que ainda somos tratados como verdadeiros selvagens. As pessoas ainda têm esse preconceito contra os povos indígenas”, afirmou Cristiano Santos, de 18 anos, integrante da aldeia Pakuru.

A organização da Cúpula afirmou que providenciaria a substituição da empresa responsável pelo fornecimento das refeições ainda na noite deste domingo. De acordo com o coordenador da delegação indígena, Paolino Montejo, o fornecimento de alimentos teve que ser reforçado para atender a uma demanda extra de participantes e por isso não houve acompanhamento da produção.