Governo aposta em PPP para revitalizar centro de SP

Projeto será apresentado nesta segunda-feira e objetivo é alcançar 10.000 unidades habitacionais populares na região. Empreendimentos serão voltados a quem ganha até cinco salários mínimos

O governo do estado de São Paulo vai convocar a iniciativa privada para tentar tirar do papel seu plano de revitalização para o Centro da capital paulista. Nesta segunda-feira, será lançada uma Parceria Público-Privada (PPP) para criação de 10.000 unidades habitacionais populares na região. O objetivo é fazer com quem investidores e companhias incorporadoras encampem projetos de construção ou de reforma de moradias em áreas subutilizadas. Os bairros selecionados para receber os investimentos são Santa Cecília, Barra Funda, Bom Retiro, Pari, Brás, Mooca, Belém, Cambuci, Liberdade e Bela Vista.

Os empreendimentos serão 90% voltados a quem ganha até cinco salários mínimos. Os 10% restantes, para quem recebe até dez salários. Do total de unidades, 2.000 serão reservadas a pessoas cadastradas por entidades de sem-teto e movimentos sociais selecionados pelo governo.

Entre as estratégias para seduzir a iniciativa privada está a desapropriação de terrenos e prédios vagos em favor de empreendedores com projetos de utilidade pública. “Nosso foco é beneficiar pessoas que trabalham, mas não moram no centro. Queremos repovoar a área, que fica vazia à noite”, diz o secretário estadual de Habitação, Silvio Torres. O plano, diz ele, é reduzir a demanda por transporte e aproveitar melhor a infraestrutura da região central, trazendo moradores da periferia.

Aluguéis – Pelo projeto, os compradores dos imóveis deverão pagar um preço menor do que a média dos aluguéis do centro. A parcela mínima será de 125 reais e a máxima, de 680 reais. Os valores, no entanto, só começariam a ser cobrados depois que as pessoas estivessem vivendo no novo imóvel.

Para mapear os locais que poderiam ser aproveitados, a secretaria contratou uma empresa que percorreu seis setores da cidade, catalogando prédios, barracões, estacionamentos e terrenos que poderiam ser mais bem utilizados do ponto de vista habitacional. Entre as áreas escolhidas há várias às margens de linhas de trem, onde existem terrenos vagos e prédios abandonados. No total, foram mapeadas aproximadamente 40 000 unidades. Quem quiser investir terá acesso ao material desenvolvido.