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Gloria Coelho prega na SPFW que moda cura e dá amor

Por Flavia Guerra

São Paulo – Moda que cura e dá amor. Esta foi a frase que o código de barras, usado para estampar peças da coleção, formava e propagava para o próximo verão. Gloria Coelho se inspirou na singularidade, no código binário, nas listras (sempre as simples e misteriosas listras) e no universo quântico para criar um verão de sensualidade sutil e de construções quase arquitetônicas.

A estilista segue em sua pesquisa pelas formas e pela fluidez das peças, mas sem abrir mão de materiais tecnológicos, do couro, organza, da zibelina, do cetim e da tela (ou segunda pele). “Quero continuar pesquisando os tecidos desta coleção antes mesmo que cheguem às lojas. A organza é um material incrível, mas é um tanto rígido. Quero que esta coleção tenha fluidez sempre”, explicou a estilista para o jornal O Estado de S.Paulo no backstage do desfile.

Ainda que Gloria queira maleabilidade em seu verão, são exatamente as estruturas arquitetônicas que ela tão bem cria que fazem de sua moda única no Brasil. As listras, por exemplo, que a perseguem e são perseguidas por ela há anos, abriram o desfile em um estudo dos limites das formas. Ora verticais ora horizontais, ganhavam mais dimensões ainda com os casacos e casaquetos de levíssimo e opaco plástico, que sugeriam a sensação de holograma buscada por Gloria. É uma roupa que, assim como o holograma, muda de acordo com a luz, o ponto de vista, o clima…”.

Questionada por uma jornalista francesa sobre o que de sensualidade brasileira suas coleções têm, ela foi direta: “Pouco. Quer dizer, da sensualidade óbvia, das pernas sempre à mostra, de tops curtos etc, tem pouco. Mas tem a leveza, a graça…”

De fato, esta nova coleção, calcada em tons de cinza, prata, branco, vermelho, pink e fúccia, é leve e encorpada ao mesmo tempo. A mistura de influências, e das décadas, proporcionou a criação de vestidos que variam do tubinho ao lady-like anos 50. Impecável o vestido godê transparente com estampas de código binário. As dezenas de zeros e uns que estampavam a peça formavam a frase: Moda que cura e dá amor.

A mesma mensagem parecia tatuada no corpo em outro look de segunda-pele e saia. Destaque para as meias-calças holográficas. Transparentes na frente, com uma faixa colorida na panturrilha, as meias davam a impressão de que as faixas ou era tatuadas ou flutuavam nas pernas das modelos. Sensualidade de fato nada óbvia e ultradelicada.

Cristais Swarovski e aviamentos de metal criaram um brilho futurista.