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Ex-executivo diz que OAS também tinha ‘setor de propinas’

Segundo Agenor Medeiros disse ao juiz federal Sergio Moro, área era conhecida como 'controladoria' dentro da empreiteira

Em seu depoimento ao juiz federal Sergio Moro nesta quinta-feira, o ex-executivo da OAS Agenor Franklin Medeiros revelou ao magistrado que a empreiteira baiana, tal qual a conterrânea Odebrecht, mantinha um setor especializado na operação de propinas pagas agentes públicos e campanhas políticas. Responsável pela área de petróleo da empresa, Medeiros falou a Moro na condição de réu na ação penal que tem entre os acusados o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Existe uma área na empresa, que era justamente a área que trabalha nessa parte de vantagens indevidas, uma área chamada controladoria, onde doações a partidos, até de forma oficial, saíam do presidente, iam para o diretor financeiro e para o diretor dessa área. Nessa época da RNEST [refinaria Abreu e Lima], com PT e PSB, o gerente dessa área era Mateus Coutinho. Ele se reportava ao diretor financeiro, Sérgio Pinheiro, que se reportava ao presidente da empresa”, explicou o ex-executivo.

Segundo Medeiros havia, além de Coutinho, pelo menos mais três executivos cujas funções eram fazer com que propinas chegassem a seus destinatários. Ele relatou que coube à empreiteira, como parte dos consórcios que construíram as refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, o pagamento de propinas de 2% dos contratos a partidos políticos.

A Odebrecht, líder do consórcio, ficou responsável por encaminhar dinheiro sujo às diretorias de Abastecimento e Serviços da Petrobras, então comandadas por Paulo Roberto Costa e Renato Duque.

No caso da refinaria pernambucana, conforme Medeiros disse a Moro, o pagamento total de propinas foi de 72 milhões de reais. De acordo com o ex-diretor, os 36 milhões a serem pagos pela OAS foram divididos entre três partidos, o PP, o PSB e o PT.

“Dos 36 milhões que ficaram a nosso cargo, 13,5 milhões foi determinado pelo líder do consórcio, depois de uma conversa com [o ex-deputado] Janene, que seriam para o PP; 6,5 milhões seriam para o PSB, na campanha de Eduardo Campos em 2010 ao governo de Pernambuco”, relatou.

Segundo Agenor Medeiros, o dinheiro à campanha do ex-governador pernambucano, morto em 2014, foi pago por meio de fornecedores, como gráficas. Ele afirmou a Sergio Moro que a orientação foi dada por Léo Pinheiro, então presidente da OAS, após conversa com o senador Fernando Bezerra (PSB-PE).

O PT, afirmou Medeiros, foi beneficiado com os 16 milhões de reais restantes das propinas de Abreu e Lima, definidas em tratativas entre Pinheiro e o ex-tesoureiro da legenda João Vaccari Neto. “O PT era completamente diferenciado, justamente por ser um partido que tinha maiores valores envolvidos”, disse o ex-diretor, que informou a existência de um “caixa geral” do partido na empresa, gerido por Léo Pinheiro.

A respeito do tríplex no Guarujá (SP) supostamente reformado e reservado pela OAS ao ex-presidente Lula, cujo valor de 3,7 milhões de reais o Ministério Público Federal diz ter sido abatido da conta da propina do PT junto à empreiteira, Agenor Franklin Medeiros disse não ter informações.

Comentários

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  1. Por enquanto ninguém confirma o conto de fadas do triplex criado pelo tal de Léo Pinheiro para tentar sair da cadeia, nem mesmo aqueles que eram responsáveis pelo setor especializado no pagamento de propinas dentro da empresa.

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  2. É óbvio que todas as grandes empresas que interagem com o nosso Estado corrupto, têm um setor de propinas bem estruturado. É a atividade mais sofisticada dessas empresas, pela complexidade das operações. Odebrecht é apenas o um caso emblemático. É só puxar o fio da meada.

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  3. Assinem o abaixo assinado para que possamos retirar do STF os três juízes que estão querendo acabar com a lava jato . Entrem no change.org e assinem . Vamos mostrar que esse país pertence ao povo BRASILEIRO e ñ somos passiveis de corrupção .

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