Espanha abre campanha eleitoral marcada pela crise e desemprego

María Luisa González.

Madri, 3 nov (EFE).- A campanha para as eleições gerais do próximo dia 20 de novembro na Espanha começa nesta sexta-feira sob o espectro da grave crise econômica que atinge o país, à beira dos 5 milhões de desempregados e submetido a forte pressão nos mercados financeiros.

A campanha será oficialmente aberta à meia-noite local (21h desta quinta-feira de Brasília), quando cartazes de propaganda política serão pendurados pelo país.

Os dois principais candidatos, Alfredo Pérez Rubalcaba, da legenda governista Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), e Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), elegeram, respectivamente, as províncias de Madri e Barcelona para lançar comícios em sua primeira mensagem de campanha.

Ambos fixaram como objetivo prioritário tirar o país da crise, embora por caminhos diferentes. Rajoy apoia a redução de impostos, apoio aos empreendedores e reforma trabalhista, enquanto Rubalcaba respalda a elevação de taxas ao tabaco e álcool, um novo imposto aos mais ricos e estímulos às empresas que criam emprego.

A contagem regressiva para a votação que elegerá o próximo Governo e um Parlamento renovado ocorrerá horas depois de os últimos dados sobre desemprego constatarem mais uma vez a incessante eliminação de postos de trabalho na Espanha.

Os dados divulgados nesta quinta-feira mostram que o desemprego sofreu nova alta em outubro: 134.182 pessoas ficaram sem trabalho, número que se soma ao divulgado na semana passada pela Pesquisa sobre População Ativa, que indica o desemprego à beira dos 5 milhões, 21,52% da população economicamente ativa.

O Governo de José Luis Rodríguez Zapatero (PSOE) reconheceu que esses dados afastam a Espanha de uma saída imediata da crise, conformando-se como um dos principais desafios do próximo Gabinete.

O outro grande desafio do país é a pressão dos mercados financeiros. Devido ao recrudescimento da crise da dívida grega, o Tesouro Público espanhol conseguiu captar nesta quinta-feira 4,49 bilhões de euros em bônus com vencimento em cinco e dois anos, vinculados a maiores taxas de juros.

Com este cenário de fundo, analistas indicam que a pressa em encontrar uma solução à crise, traduzida na estagnação da economia – que teve crescimento zero no terceiro trimestre do ano – e na eliminação de emprego, será o grande tema da campanha e o ponto determinante do voto popular.

Todas as pesquisas apontam uma folgada vitória do PP, que pode superar amplamente a maioria absoluta estabelecida em 176 cadeiras dos 350 que formam o Congresso dos Deputados da Espanha.

As pesquisas indicam uma forte punição dos eleitores ao PSOE de Zapatero devido às consequências da crise, ao plano de cortes de gastos elaborado para reduzir o déficit público e, sobretudo, ao desemprego.

A alta taxa de desemprego somado à situação econômica é a principal preocupação dos espanhóis, segundo a última pesquisa do Centro de Pesquisas Sociológicas – organismo oficial -, divulgada na semana passada. Já a ameaça da organização terrorista ETA, que anunciou o fim do combate armado no mês passado, está entre as últimas preocupações da população.

O jornal ‘ABC’ informa nesta quinta-feira que as pesquisas trabalhadas pelo próprio PP preveem uma maioria de 189 cadeiras ao partido de Rajoy e 116 ao PSOE, o que seria ‘o pior resultado da história’ dos socialistas.

Se a tendência das pesquisas se confirmar, o mapa político espanhol será dominado quase completamente pelo PP a partir do próximo dia 20, já que, atualmente, a legenda de centro-direita governa também na maioria das 17 Comunidades Autônomas da Espanha.

Segundo uma pesquisa de intenções de voto publicada no dia 30 de outubro pelo jornal ‘El Mundo’, o Partido Popular ganharia em 42 províncias, enquanto o PSOE só ficaria com 5.

Rubalcaba, de 60 anos, é um veterano dirigente socialista que foi vice-presidente do Governo, ministro do Interior e porta-voz do Executivo. Ele aceitou liderar as listas do PSOE depois que Zapatero – que continua como secretário-geral da legenda – anunciou sua desistência em concorrer a um terceiro mandato.

Os socialistas acreditam que o debate marcado para a próxima segunda-feira entre os dois principais candidatos à Presidência do Governo, retransmitido ao vivo para toda a Espanha, ajudará o partido governista a modificar as previsões das pesquisas.

Mariano Rajoy, de 56 anos, o grande favorito, concorre pela terceira vez à Presidência do Governo após ter sido derrotado por Zapatero nas duas anteriores, em 2004 e 2008, e após superar fortes crises dentro de seu próprio partido.

Quase 36 milhões de eleitores espanhóis poderão eleger entre 1.195 candidaturas no próximo dia 20, em eleições que abrigam 11 coalizões, incluindo a dos separatistas bascos, que se apresentam sob o nome de Amaiur. EFE