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Comissão chama Denise Abreu para falar no Senado

A Comissão de Infra-Estrutura do Senado aprovou na manhã desta quinta-feira um convite a Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para ouvir as denúncias feitas por ela nesta semana sobre irregularidades na venda da VarigLog e da Varig ao fundo norte-americano Martlin Patterson. Também foram chamados os três sócios brasileiros do fundo americano (Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel), o ex-presidente da Anac Milton Zuanazzi e os ex-diretores da agênciaa Leur Lomanto e Jorge Veloso.

Para evitar que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fosse convocada, a base governista apresentou um requerimento dos convites à oposição. “O governo tem participado dos esclarecimentos e não teme nenhuma explicação. Não há blindagem. Temos maioria para rejeitar todos os requerimentos da oposição”, disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Pelo cronograma do Senado, Denise Abreu e os dois ex-diretores da Anac, que corroboraram a acusação feita pela ex-colega de que a Casa Civil influenciou na compra da companhia aérea Varig, deverão ser ouvidos na próxima quarta-feira.

Na outra semana deve ser a vez de Roberto Teixeira, advogado e amigo do presidente Lula, dono do escritório que representou os compradores.

Leur Lomanto e Jorge Velozo confirmaram, em entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, a denúncia de que houve favorecimento ao fundo Matlin Patterson no processo de aquisição da empresa.

“A ministra (Dilma Roussef) e a Erenice (Guerra, secretária-executiva) diziam que a gente estava criando dificuldades”, disse Lomanto. “Não sei se chamaria isso de pressão, mas o problema é que queriam culpar a Anac pela quebra da Varig. Mas a realidade era outra. Eles não cumpriam as exigências”, afirmou.

O ex-diretor disse que a transferência acionária da empresa de transporte aéreo de cargas VarigLog foi aprovada para que a Anac não fosse eventualmente acusada de ter quebrado a empresa. “Votamos em cima do parecer do procurador, que dizia que não era competência da Anac exigir os documentos”, justificou.

Provas – Na quarta, Denise Abreu afirmou que possui documentos que comprovam a ingerência da Casa Civil na venda da VarigLog e da Varig ao fundo americano. “Todo o processo da VarigLog está conosco e mostra a seqüência dos procedimentos adotados na Anac”, disse. Entre os documentos, haveria ofícios expeditos pela Anac requisitando a origem de capital e a declaração de renda dos sócios brasileiros, Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Gallo.

Segundo Denise, a ministra Dilma Rousseff e sua secretária-executiva, Erenice Guerra, pressionaram a direção da Anac a tomar decisões favoráveis ao grupo. Ela disse ainda que que não tem conhecimento se houve pagamento pelo favocimento na Casa Civil. “Desconheço quem tenha recebido qualquer tipo de benefício econômico, até porque eu não participei de nenhuma negociação que perpassasse por qualquer tipo de favorecimento.”

A ex-diretora deu ainda detalhes do favorecimento do governo sobre a agência. “Participávamos de reuniões técnicas, na Casa Civil, com um tipo de ingerência do poder central que é o governo sobre uma agência reguladora, que deveria ter autonomia absoluta nas suas decisões para bem regular o mercado”, contou.