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A prova mais difícil para os sobreviventes da escola Tasso da Silveira

Estudantes do 9º ano são os primeiros a cruzar o portão. "Ela precisa do nosso apoio, quem faz a escola somos nós”, defendeu a aluna Miriam Rodrigues

“Os alunos de fora não vão querer vir para esta escola. Nós, que estudamos há tempos aqui, temos que ficar. Temos que superar. Estava insegura, mas acabou tudo tranquilo”, disse Giovanna Mesquita, 14 anos

Os alunos do nono ano da Escola Municipal Tasso da Silveira enfrentaram, na tarde desta segunda-feira, uma prova mais difícil do que se pode supor para esta fase da vida. Aliás, para qualquer etapa da vida, independentemente da idade ou do grau de instrução. Estudantes mais velhos da unidade, os 140 adolescentes das quatro turmas da última série do ensino fundamental foram os primeiros a retornar à escola. A frequência ainda é baixa, mas todos acabaram aprovados com louvor na missão de enfrentar a reabertura dos portões e de dar o primeiro passo rumo à recomposição da escola.

“Os alunos de fora não vão querer vir para esta escola. Nós, que estudamos há tempos aqui, temos que ficar. Temos que superar. Estava insegura, mas acabou tudo tranquilo”, defendeu Giovanna Mesquita, 14 anos, uma das estudantes que compareceu para, sob orientação de psicólogos, passar pouco mais de duas horas no pátio da escola.

No início dos trabalhos, formou-se um círculo, onde foram explicadas as atividades e divididos os grupos. O dia foi basicamente de desenhos. Temas como paz, natureza e fé foram os preferidos dos alunos.

“Todo mundo se sentiu muito triste pelos amigos que se foram. Os professores falaram para esquecer isso e seguir em frente”, contou Lucas Alexandre Martins, de 14 anos. Á saída da escola, Miriam Rodrigues, 15 anos, contou que desenhou o Cristo Redentor e pássaros, numa forma de tentar afastar as imagens de dor e sofrimento. “A escola precisa do nosso apoio, quem faz a escola somos nós”, afirmou.

As atividades artísticas devem estar, a partir de agora, mais presentes nas atividades da Tasso da Silveira. Por volta do meio-dia, a secretária municipal de Educação, Cláudia Costim, reuniu-se com uma comissão de paz e prometeu atender aos pedidos encaminhados por eles para melhorar o ambiente na retomada das aulas. Os pais pediram posicólogo permanente na escola, atenção especial para crianças com comportamento apático, presença da guarda municipal na porta da unidade, mais dois inspetores e um posto de atendimento médico.

Primo do menino Luan Victor, ferido por um dos tiros do atirador Wellington Menezes de Oliveira e ainda internado, o aluno Igor Evangelista, 14 anos, teve dificuldades para retornar à escola. Ele recebeu o apoio da mães, a técnica de enfermagem Cíntia de Moraes Evangelista, 31 anos. “Foi bom reencontrar os amigos. Vou continuar. Agora já passou. Está tudo novo. Começamos a desenhar o refeitório, amanhã vamos pintar”, disse Igor.

Cíntia assumiu a postura que, para psiquiatras e psicólogos, é a mais recomendada neste momento. “Acompanhei o dia do meu filho. Viria só para trazer, mas quando chegamos perto da escola ele não queria entrar. Até eu fiquei nervosa quando cheguei. Vou tentar vir na próxima segunda-feira, que é quando devem subir para as salas, ver o lugar onde aconteceu tudo aquilo”, diz.