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A discreta entrada dos partidos na manifestação

Apesar da tentativa de manter caráter apartidário, PSOL, PSTU e organizações de esquerda começam a ganhar força e aparecer na onda de protestos

Apesar do esforço dos manifestantes para manter o caráter apartidário da onda de protestos nas ruas do Brasil, aos poucos começa um movimento de aproximação do movimento com os partidos políticos. A entrada das siglas de esquerda é praticamente inevitável. Na Câmara de Vereadores do Rio, o vereador Eliomar Coelho, líder do PSOL na casa, protocolou, na quarta-feira, um requerimento pedindo a instalação de uma CPI para investigar os contratos de concessões das empresas de ônibus com a prefeitura. Eliomar precisa de outras 16 assinaturas para consegui abrir a CPI – tarefa difícil em uma câmara formada por uma maioria esmagadora da base aliada. O PSOL também capitaneou parte da defesa dos manifestantes presos, a partir da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) – cuja sede foi apedrejada na segunda-feira.

A CPI dos Ônibus é a resposta, no plano legislativo, a um movimento nascido no Facebook na véspera, pedindo a abertura da comissão para investigar irregularidades nos contratos de transporte público na cidade. Na quarta, a página ganhou mais de 3.000 seguidoras. Em um post publicado logo depois de o prefeito Eduardo Paes ter anunciado a suspensão do aumento da tarifa de ônibus, foi escrito o seguinte: “Com isso, o movimento não pode parar. Muito pelo contrário! Se fomos às ruas e conseguimos abaixar a tarifa, agora podemos pedir mais”.

Deputados e vereadores do PSOL estiveram no protesto de segunda-feira, no Centro do Rio. O deputado federal Chico Alencar e os vereadores Eliomar Coelho e Renato Cinco caminharam pela Avenida Rio Branco, sem, no entanto, assumir posições de destaque. Quem tentou ostentar símbolos partidários foi hostilizado, sobretudo as grandes bandeiras vermelhas do PSTU.

No núcleo das manifestações, no entanto, está um grupo formado pelo Movimento Passe Livre (MPL), a Associação Nacional de Estudantes Livres (Anel), o grupo Juntos, ligado ao PSOL, e a central sindical Conlutas, atrelada ao PSTU. “As organizações que estão debatendo o protesto e impulsionando essa luta inclui o nosso partido. Tenho feito contato com as centrais sindicais para pensar uma organização da classe trabalhadora”, afirma o presidente do PSTU, José Maria. Apesar de a maioria da população não querer misturar o protesto com os partidos, as definições em relação à organização e ao planejamento das manifestações são feitas em plenária, na UFRJ, por um grupo que em grande parte milita em partidos de esquerda.

“Os partidos estão participando dessa manifestação. O PSTU o faz de forma aberta porque somos francos e transparentes”, afirma José Maria, para quem os movimentos precisam de alguma orientação politica para se manterem.

Eliomar, do PSOL, também aposta numa futura partidarização do movimento. “Acho que as coisas vão ter que chegar a um ponto em que exista liderança politica e um objetivo. A melhor forma de corrigir o que está errado é pela política. As pessoas cairão nessa real”, afirma.

No Facebook, a necessidade de representação formal tem sido debatida e defendida por parte dos manifestantes. A avaliação de quem é favorável à inclusão dos partidos é de que, para que o movimento prossiga, é necessário envolver a representação oficial no legislativo. São citados como “amigos” PSOL, PSTU, PCdoB, PCO e até PSB e PT.