As 10 Melhores Séries de 2010

Todo final de ano são publicadas listas dos 10 melhores disso ou daquilo. Com o universo das séries não é diferente. Publicações americanas começam a listar as dez mais do ano contando com a opinião de seus críticos e de jornalistas que acompanham a programação de TV. Para a revista Time, por exemplo, a lista […]

Mad Men (Foto AMC/Arquivo)

Todo final de ano são publicadas listas dos 10 melhores disso ou daquilo. Com o universo das séries não é diferente. Publicações americanas começam a listar as dez mais do ano contando com a opinião de seus críticos e de jornalistas que acompanham a programação de TV.

Para a revista Time, por exemplo, a lista publicada no dia 9 de dezembro elege “Breaking Bad”, “Mad Men”, “Parks and Recreation”, “Louie”, “Boardwalk Empire”, “Party Down”, “The Pacific” (minissérie), “The Good Wife”, “Rubicon” e “Terriers”, as duas últimas já canceladas.

Para a revista TV Guide, a lista é composta de 15 séries: “Mad Men”, “The Good Wife”, “Justified”, “Boardwalk Empire”, “Glee”, “Breaking Bad”, “Modern Family”, “Havaí 5-0″ (remake), “The Walking Dead”, “Community”, “Damages”, “Parks and Recreation”, “Terriers”, “Nikita” e “The Big C”.

Muitas publicações ainda não divulgaram suas listas, mas aqui vocês podem encontrar o Top 10 do AFI. Abaixo está ‘minha listinha’ de Top 10, com base na proposta e no desenvolvimento de conteúdo das séries.

1. Mad Men: trata-se de uma produção que consegue permanecer fiel à sua proposta e desenvolver seu conteúdo, apresentando questões pessoais e sociais que não ficam presas ou à mercê da vontade do público. Algo cada vez mais raro na TV que está levando até a produção a cabo a buscar as satisfações da audiência.

A maioria das séries tem um tempo de vida médio de cinco anos. Muitas são criadas com esse propósito. “Mad Men” também foi concebida para ter cinco anos, mas seu criador já avisou que está preparado para manter a história por seis temporadas, se necessário. A tendência de uma produção que chega ao quarto ano é perder o ritmo e declinar, trazendo falhas aqui e ali em seu desenvolvimento. Mas “Mad Men” vem crescendo e se consolidando a cada ano.

Atendo-se a um desenvolvimento interno dos personagens, eles se movimentam na trama, surpreendendo e mudando o rumo de suas vidas, de acordo com a época em que vivem. Nesta quarta temporada, temos a nova fase da vida de Don Draper. Profissionalmente bem sucedido, mas vivendo um caos pessoal. Porém, quando todos pensam que ele vai continuar caindo, Don toma uma decisão que promove uma reviravolta na sua vida. A pergunta que fica é: ele manterá um padrão de comportamento ou terá de fato mudado?

Em contrapartida, Betty continua caindo. Sua situação está longe de ser resolvida, já que ela ainda não olhou para si. Continua preocupada em manter as aparências como seu estilo de vida, construindo uma existência de acordo com os padrões da sociedade. O movimento que esta personagem faz na história retrata a revolução feminina do período, sem contundo levantar ‘a bandeira’.

A série é exibida nos EUA pelo AMC e no Brasil pela HBO. A quarta temporada já está disponível em DVD no mercado americano.

Breaking Bad (Foto AMC/Arquivo)

2. Breaking Bad: esta é uma produção que levei tempo para começar a assistir. Mas depois que se começa, não se consegue mais parar. O que mais chama a atenção, além da própria história, é a energia dos atores. Muitas são as séries que trazem um ótimo argumento e personagens, mas seus atores oferecem o mesmo nível de interpretação, prejudicando a evolução dos personagens e da história. Com isso, aqueles personagens que têm personalidades mais fortes ficam no mesmo nível daqueles que são mais fracos. Muitas vezes, para resolver isso, apela-se para a caricatura ou representação de um tipo. É necessário que cada ator encontre sua própria energia e a nivele às características de seu personagem, sem ignorar suas nuances. É o que acontece aqui.

Como se não bastasse, o desenvolvimento da história é excelente: um sujeito pacato que descobre ter câncer passa a se comportar como a própria doença ao destruir tudo que está ao seu redor. A montanha russa em que vive atinge sua família e seus amigos, que reagem a seu comportamento. Alguns o seguem, outros tentam resistir à sua força. Cada personagem é uma ‘célula’ que Walter vai destruindo conforme sua situação vai se deteriorando.  Interpretações e histórias são brindadas com uma belíssima fotografia.

A série é exibida nos EUA pelo AMC e no Brasil pelo AXN. A terceira temporada já está disponível em DVD no mercado americano.

Treme (Foto HBO/Arquivo)

3. Treme: será que sou a única que gostou dessa série? Não vejo críticos listarem essa produção em seus comentários sobre as melhores do ano. David Simon não consegue criar uma série ruim, mas nenhuma delas foi popular. “Homicide: Life on the Streets” foi subjugada por “Nova Iorque Contra o Crime”, série que conquistou público e crítica; “The Wire” passou despercebida pelo grande público, que na mesma época acompanhava “A Família Soprano”. E agora “Treme”, que está sendo ignorada até pela crítica.

É uma produção que traz um belo grupo de personagens, muito bem definidos. Cada um tem seus problemas e cada um segue suas próprias vontades, mas todos estão interligados pela mesma tragédia: a passagem do furacão Katrina por Nova Orleans. Tentando refazer suas vidas, cada um reagindo ao seu modo, eles são pressionados pela força de uma cultura que domina o ambiente.

Sem exageros ou melodramas, a série conseguiu estabelecer em sua primeira temporada um universo rico, cheio de possibilidades, tal qual as produções anteriores de Simon.

A série é exibida nos EUA e no Brasil pela HBO. A primeira temporada já está disponível em DVD no mercado americano.

Rubicon (Foto AMC/Arquivo)

4. Rubicon: esta foi outra série que demorei para conferir. Tal qual sua narrativa, levei tempo para penetrar no universo proposto. Mas desde o primeiro episódio, os personagens e as situações que viviam seduziram.

Seu cancelamento, embora previsto, entristece. Nem tanto pela produção em si, que mostrou a que veio e teve uma conclusão, mas pelo fato de que o canal AMC provou que nem ele está disposto a investir em um segmento que prefere o tipo de conteúdo e narrativa apresentados na série.

“Rubicon” foi um oásis em meio aos blockbusters de espionagem, que seduzia por seu tom intimista com um tema que normalmente apela para situações explosivas e, muitas vezes, burras. Comentários sobre a série aqui.

A série foi exibida nos EUA pelo AMC e estreia no Brasil em 2011 pelo canal I.Sat. “Rubicon” está disponível em video-on-demand no mercado americano.

Men of a Certain Age (Foto TNT/Arquivo)

5. Men of a Certain Age: essa estreou nos EUA na virada de 2009, tendo poucos episódios exibidos em 2010, chegando ao Brasil ao longo do ano. A segunda temporada recém estreou na TV americana. O que mais chama a atenção é o fato de que, apesar de explorar o universo masculino, não utiliza uma linguagem que retrata um comportamento de aparências.

A série penetra no íntimo de três personagens que vivem a crise da meia idade. Sem verbalizar ou ‘tentar discutir a relação’ eles revelam sua intimidade diante do público. Medos, anseios, sonhos, desejos e formas de pensar ou julgar situações e pessoas são passadas para o público de forma simples, mas sincera, que atinge seu objetivo muito mais profundamente que  qualquer melodrama.

Delicada e sem exageros, a série define personagens e situações que poderiam facilmente cair no clichê, mas escapa deles por conseguir explorar a realidade na qual cada um deles vive.

Recusada pela HBO, a série foi parar na TNT, que geralmente busca por produções de aventura, processuais ou mesmo dramáticas mas com desenvolvimento superficial. Comentários sobre “Men of a Certain Age” aqui.

A série é exibida nos EUA pela TNT e no Brasil pela Warner. A primeira temporada já está disponível em DVD no mercado americano.

Justified (Foto FX/Arquivo)

6. Justified: esta é outra produção que surpreendeu. Anunciada como um faroeste moderno, ela vai além do ambiente no qual está inserida. Trabalhando a relação entre justiça, tradições e religião, a história introduz personagens que, muitas vezes, parecem não ter muita importância na trama, mas seus desenvolvimentos revelam ramificações e interesses pessoais que os transformam em parte essencial para o conjunto da obra.

A trama também é aparentemente simples mas, no decorrer dos episódios, percebe-se que ela está apoiada a um enrraizamento cultural, que leva as histórias a um outro caminho com um significado muito mais profundo.

Excelentes personagens, muito bem introduzidos e desenvolvidos nessa primeira temporada.

A série é exibida nos EUA pelo canal FX e no Brasil pelo Space.

Downton Abbey (Foto ITV/Arquivo)

7. Downton Abbey: esta é uma produção inglesa que também trabalha com os aspectos culturais de uma época. De forma delicada, sem exageros, vemos os personagens se desenvolverem e se definirem ao longo de comportamentos corriqueiros. Personalidades são apresentadas de forma sutil, muitas vezes restritas a um comentário, um gesto ou um olhar.

A série segue a narrativa de “Assassinato em Gosford Park”, mas sem o crime. Temos aqui a relação patrões e empregados dentro de uma mansão inglesa no final da década de 1910. Mantendo reminiscências da relação que existia entre proprietário e escravo, a forma de se colocarem no mundo começa a se alterar quando chegam ao local pessoas vindas de fora, trazendo novas ideias e comportamentos.

A influência é percebida  entre os empregados e patrões. Assim, tentando equilibrar suas vontades e sonhos com as imposições de uma sociedade que cobra um comportamento exemplar, os personagens vão se transformando lentamente. O elenco conta com a presença de Maggie Smith, como sempre, impagável.

A série é exibida na Inglaterra pelo canal ITV. A primeira temporada já está disponível em DVD nos mercados americano e inglês.

Wallander (Foto BBC/Arquivo)

8. Wallander: só três episódios da segunda temporada da produção inglesa em 2010, mas tal qual a primeira, marcantes. Mantendo o contraste de um belo visual com o a crueza do comportamento humano, a temporada desenvolveu ainda mais a situação de Wallander em seu trabalho e na relação com o pai, que sofre do Mal de Alzheimer.

As angústias do personagem não são consequências de um trauma sofrido na infância ou no passado recente. Elas são inerentes à sua natureza humana, mais sensível e desorganizada, levando-o a um conflito social e pessoal. Sem conseguir lidar com o ambiente em que vive, Wallander se fecha, se torna introspectivo, tratando a todos com mau humor ou impaciência, ao mesmo tempo em que parece estar resignado com o fato de que jamais conseguirá mudar.

A forma como Kenneth Branagh conduz essas nuances do personagem dão o tom da série e determinam o desenvolvimento de seu conteúdo. Nessa segunda temporada, ele mergulha ainda mais em seus conflitos e neuroses, que agora não estão restritas à relação com o pai, mas também com a filha, que começa a dar um rumo para sua vida.

A série é exibida na Inglaterra pelo canal BBC. A primeira temporada foi disponiblizada em DVD no Brasil. A segunda já foi lançada nos mercados americano e inglês.

The Good Wife (Foto CBS/Arquivo)

9. The Good Wife: quando começou parecia ser mais uma produção jurídica apoiada em debates entre advogados e promotores. Mas a trama que se desenvolve como pano de fundo tem conseguido explorar o potencial da série e de seus personagens, apoiada por um ótimo elenco.

Intimista e consistente, a narrativa conseguiu se desprender do escândalo que deu início à série, mostrando que por trás do fato existem muitas histórias e ramificações. Com isso, a história conseguiu ultrapassar os limites da narrativa processual, apresentando ao público uma trama de articulações políticas que questiona o comportamento ético de candidatos a cargos públicos. Em meio a esse universo, existe uma mulher que tenta se manter ilesa dos atos de terceiros. Assim, a série deixa de lado a ideia de que se trata apenas de uma série sobre uma mulher traída que precisa refazer sua vida.

A série é exibida nos EUA pela CBS e no Brasil pelo canal Universal. A primeira temporada será lançada em DVD no mercado brasileiro em abril.

Boardwalk Empire (Foto HBO/Arquivo)

10. Boardwalk Empire: apesar de achar que a série ainda não conseguiu atingir seu potencial nessa primeira temporada, ela teve um desempenho muito bom. Os primeiros episódios serviram apenas para apresentar os personagens com seus históricos e seus objetivos dentro da trama, situando o ambiente e a época. Dentro dessa visão, a série ofereceu um ótimo roteiro que conseguiu fazer um bom cruzamento entre as histórias de diversos personagens ficcionais com um ambiente e situações  históricas e pessoas reais. Caberá à segunda temporada dar a ‘partida’ no desenvolvimento da trama proposta.

O que me incomodou nessa primeira temporada foram as atuações de alguns atores que, em minha opinião, ainda não mergulharam nos conflitos internos de seus respectivos personagens. Mantendo um distanciamento seguro, eles atuam em um nível racional. Precisariam tomar para si as dores, angústias e solidão daqueles a quem interpretam, adotando uma atuação mais orgânica. Coadjuvantes como Aleksa Palladino (Angela), Dabney Coleman (Comodoro) e Jack Huston (Richard) conseguem fazer pela série o que os atores principais ainda não fizeram.

Pela forma como a história foi desenvolvida, a segunda temporada poderá estabelecer um nível de interpretação que colocaria a série no mesmo patamar que produções como “Mad Men”, “Breaking Bad” ou “Treme” (as três primeiras séries dessa lista).

“Boardwalk Empire” é exibida nos EUA e no Brasil pela HBO.

Séries que também valeram a pena conferir em 2010.

Comédias: “30 Rock”, “Modern Family” e “Parks and Recreation”.

Dramas: “Terriers”, “Sons of Anarchy”, “Damages”, “Thorne”, “Luther”, “In Treatment”,  “The Closer”, “Lone Star” e “Sherlock”.

Dramédias: “The Big C”, “Nurse Jackie”, “United States of Tara”, “Him & Her”, “Whites”, “Rev.”, “Afinal, o Que Querem as Mulheres?”, “Bored to Death”.

Ficção/Fantasia: “Doctor Who” e “Fringe”.
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Por Fernanda Furquim: @fer_furquim

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