Americano, norte-americano ou estadunidense?

    “Quem são os americanos, os norte-americanos e os estadunidenses? Nós brasileiros somos americanos ou não?” (Alexandre J.D.S.)

    A dúvida do leitor nos leva longe. As três formas têm adeptos no português contemporâneo – o que não quer dizer que se equivalham inteiramente – e sempre rendem discussões quentes.

    Como toda discussão quente, esta costuma ignorar argumentos baseados na razão, como o de que escolher entre americano, norte-americano e estadunidense não é uma questão de certo e errado, mas uma decisão vocabular legítima tomada por cada falante. Decisões vocabulares sempre revelam algo sobre o sujeito, seu grau de informação, modo de encarar o mundo e, sim, posição política.

    Americano é a forma mais comum e também a mais enraizada na história de nossa língua. De Machado de Assis a Caetano Veloso – “Americanos são muito estatísticos/ Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos” – existe uma tradição cultural séria a legitimar americano como termo preferencial para designar o que se refere aos Estados Unidos no português brasileiro.

    Sempre houve quem se incomodasse com isso, por acreditar que essa escolha aparentemente inocente trazia embutida uma concordância com o sequestro que os conterrâneos de John Wayne fizeram de termos mágicos – América, americanos – que deveriam ser propriedade de todo o Novo Mundo. Os brasileiros também somos, assim como argentinos, venezuelanos e tobaguianos, americanos, certo? Claro que está certo.

    Assim, de um impulso nacionalista ou continentalista, surgiram dois subgrupos, o que prefere norte-americano e o que opta por estadunidense. É provável que estadunidense – que já foi a terceira opção dos brasileiros e é a que contém maiores dosagens de antiamericanismo – tenha conquistado o segundo lugar durante o pesadelo dos oito anos de George W. Bush.

    O problema é que o principal argumento contra o uso de americano – o de que o termo está “errado” porque quer dizer tudo o que se refere às três Américas – é ingênuo. Americano quer dizer as duas coisas. Assim como mineiro pode designar tanto um trabalhador em minas, seja ele búlgaro ou cearense, quanto um natural do estado de Minas Gerais, e o contexto resolve qualquer possível ambigüidade. Isso não é argumento. E ainda que fosse, norte-americano sofreria do mesmo problema, o de excluir canadenses e – dependendo da classificação – mexicanos de um termo que deveria incluí-los por força de geografia e história.

    Quanto a estadunidense, bem, aqui a questão é política, ponto. Por que logo eles, os americanos, teriam o direito de usar como emblema, medalha azul-vermelha-e-branca no peito, a sonoridade de América? Se nós também somos América e temos até uma Iracema, isso não seria pura pilhagem cultural, muque colonialista, arrogância ianque?

    É claro que se pode pensar assim, e de certa forma foi isso mesmo que ocorreu. Mas o fato cru é que, quando grande parte do mundo estava sendo redividido e rebatizado, os caras foram espertos no trabalho de branding. Correram logo ao cartório mundial com o bebê no colo e assimilaram – se não a América-coisa, que é obviamente inassimilável – pelo menos a palavra América e uma ideia de América. São os Estados Unidos da América como nós já fomos os Estados Unidos do Brasil. Ninguém nos chamava de estadunidenses na época.

    Paciência, então? Isso vai de cada um. Minha paciência é menor com episódios de gato-mestrismo linguístico – “você está errado por falar como todo mundo, eu e uns poucos outros é que estamos certos” – do que com os Estados Unidos da América, sobretudo na era Obama. No fim das contas, bastaria o pernosticismo da palavra estadunidense para me indispor contra ela.

    Prefiro outra posição: a de que, do ponto de vista da língua, não existe certo ou errado aqui. Assim como a mandioca também pode ser, por questões regionais, chamada de aipim ou macaxeira, os termos americano, norte-americano e estadunidense são opções vocabulares à disposição do falante de português. Mas convém saber aquilo que cada um realmente implica antes de sair brandindo argumentos furados de autoridade.

    E você, como chama o nativo dos Estados Unidos?





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  1. Comentado por:

    Francisco

    Nós, além de sermos identificados pelas nossas nacionalidades (brasileiros, argentinos, uruguaios,etc.), também somos chamados de sul-americanos e de latino-americanos. O termo “americano” embora seja válido para identificar a todos os habitantes das Américas, quando pronunciado as pessoas só pensam nos habitantes dos EEUU. Norte-americano me agrada mais, embora, como foi já escrito, tenhamos ainda os canadenses e mexicanos nessa região. Estadunidense é uma identificação mais precisa da nacionalidade mas também poderia ser identificado com o termo anglo-americano.

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  2. Comentado por:

    J.L.Batista

    Estados Unidos é a nação constituida da união de diversos Estados sob uma unica bandeira e a inclusão América foi para identifica-lo como situado na região denominada América.Assim como se identifica um pais como localizado na região denominada Europa.Quanto aos Estados Unidos submeterem outras nações a seus interesses, isto sempre desde as guerras tribais em que fracos se submetiam, eram escravizados ou eram exterminados.Agora nações fortes com administradores competentes usam todos os meios para preservarem a integridade,interesses e soberania plena de nações legadas dos antepassados com muitas lutas,sangue e ousadia ou se fragmentam ou sucumbem.

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  3. Comentado por:

    Richarlyson

    Isso só prova que eles não tem denominação alguma, eles se apropriam do que pertence aos outros, pois não tem identidade própria. Como sempre. É a cultura deles.

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  4. Comentado por:

    Charles

    Estadunidense. (Para redigir textos de forma Objetiva) Em outro caso resultaria necessário especificar Americano do Brasil, Americano dos Estados Unidos, Americano do Uruguay.
    Nesse caso resultaria necessário especificar estaduniense da América, estadunidense do México…

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  5. Comentado por:

    Matheus

    Todos nos que nacemos no continente “America” somos americanos assim como as pessoas que nasceram no continente “Europa” é europeu, mas o EUA não usa a nacionalidade do pais que é Estadunidense. Aqui no Brasil nos usamos muito a nacionalidade do pais que é Brasileiro!

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  6. Comentado por:

    Emília

    Então devemos autodenominarmo-nos republicofederativenses para combinar com estadunidense.
    A inveja chegou até no nome!!!

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  7. Comentado por:

    Carlos Henrique

    Edmar Carvalho, eu não estou ofendido.
    Ocorre, que por aqui há muitos invejosos, que acham ruim dos cidadãos dos EUA serem chamados de Americanos, e isso porquê eles mesmos é que gostariam de terem essa nacionalidade.
    Os mesmos ignoram que em 1507, o Brasil teve o nome de América.
    Se o Brasil fosse chamado de América, e então aqui todos fossem chamados de Americanos, esses mesmos, que ficam tão ofendidinhos por chamar de americanos os cidadãos dos EUA, achariam ruim se por serem cidadãos do país chamado América não fossem chamados de americanos.
    Pura invejinha de brasileiros – brasileiro o quê – quem mora no Brasil não é brasileiro nada. Brasileiro é pau, é madeira. Quem mora no Brasil é ypiranguense montelense.
    Bom, termino esse post por aqui.

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  8. Comentado por:

    Carlos Henrique Xavier

    Novamente volto a escrever pois até um “professor de geografia” que talvez seja tão burro quanto seus alunos, que não entende que um País pode ser chamado de América, tendo o mesmo nome de um Continente, e outros telejumentos invejosos iguais, resolveram demonstrarem sua ignorância.
    Para os tais invejosos de plantão, burros por natureza, incluindo o tal “Professor de Geografia”, só se for “Geografia da Ignorância”, o termo Americano é um gentílico para todos os cidadãos dos Estados Unidos da América, e América é nome próprio de um País.
    Portanto, existe um País chamado “América” além do Continente que é chamado de Continente Americano.
    O que esse “professor de geografia” fala demonstra claramente o lixo que está a Educação desse País chamado Brasil, pois com “professores” desse naipe, o Brasil só tende a piorar.
    Suponhamos que existisse um continente chamado Esmeralda, e nesse Continente houvessem cinco Países, e com os seguintes nomes:
    1. República Federativa de Esmeralda
    2. Reino Unido de Tulipa
    3. União Nacional de Boaventura
    4. Estados Federados de Roseiral
    5. Nova Roseiral do Oriente.
    E, suponhamos que eu fosse cidadão do Reino Unido de Tulipa. Eu seria Esmeraldiano ou Esmeraldense? Lógico que não. Eu seria Tulipiano, e não Esmeraldiano ou Esmeraldense. Esmeraldiano ou Esmeraldense seriam tão somente os cidadãos da República Federativa de Esmeralda. E por quê? Mas, o teu país não fica no Continente Esmeralda? Sim, mas Esmeraldiano ou Esmeraldense se refere exclusivamente a quem vive na República Federativa de Esmeralda, e o nome de tal País é Esmeralda, e o República Federativa só se refere ao Regime e a forma do Estado como aquele País está a se organizar. E, Esmeraldiano ou Esmeraldense é um gentílico referente exclusivamente para quem vive na República Federativa de Esmeralda. E, o mesmo se aplica se tal País se chamasse Estados Unidos de Esmeralda ao invés de República Federativa de Esmeralda.
    Para todos os demais que vivem no Continente Esmeralda se deve se usar outro termo, e não o termo Esmeraldiano ou Esmeraldense, que se é reservado exclusivamente aos cidadãos de Esmeralda. Entendeu?
    O mesmo se aplica ao caso em questão.
    Agora, para os invejosos que vivem no Brasil, e que são anti-americanos, e que são tão cegos e cheios de inveja dos EUA, ah! Vai s er bem difícil entender mesmo, pois não sabem raciocinarem direito.
    Bom, é isso!

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  9. Comentado por:

    Rodrigo

    Dizer Americano ou América para se referir aos Estadunidenses e Estados Unidos da América só faz sentido se a pessoa for estadunidense discriminando-se dos britanicos e Bretanha ou se for britanico, se referindo aos ex colonos, que se tornsram povo independente. Além disso é estadunidense se achando o centro do mundo, outros babando ovo pra estadunidense e EUA, ou ignorancia mesmo…pois uma ignorancia repetida muitas vezes, se torna norma culta.

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