“Acho que ele tem raiva”

Suzane von Richthofen concedeu a VEJA em 2006 a primeira entrevista desde o crime e falou vagamente sobre o irmão, hoje internado em hospital psiquiátrico

VEJA desta semana narra o caso de Andreas Albert von Richthofen, cuja irmã, Suzane, planejou o assassinato dos próprios pais, em 2002. O jovem de 29 anos foi encontrado desorientado, com as roupas rasgadas e ferimentos no corpo, na região sul da cidade, e levado a um hospital psiquiátrico. Namorador, amigo solidário e excelente aluno, Andreas tinha se isolado completamente havia dois anos. Ao ser internado, não conseguia articular frases e demonstrava preocupação em manter junto de si uma corrente com o brasão dourado com o sobrenome da família.

Andreas sempre evitou a imprensa e procurou manter-se longe dos holofotes. Em 2015, na única vez em que se pronunciou sobre a tragédia, referiu-se ao crime cometido por ela ao lado dos irmãos Christian e Daniel Cravinhos como “nojento”. Naquele ano, Suzane progrediu para o regime semiaberto. O caçula temia tanto rever a irmã que chegou a dizer a amigos que pretendia se mudar para a Alemanha.

Andreas rompera com a irmã muitos anos antes. Ele chegou a visitar Suzane na prisão algumas vezes. Eventualmente, falavam-se pelo telefone, mas a conversa sempre terminava em briga. “Acho que ele tem raiva”, disse Suzane a VEJA em 2006, ao conceder a primeira entrevista desde o crime.

À reportagem, uma pessoa próxima dela dizia que a razão dos conflitos é a herança dos pais. Poucos dias depois, a Justiça decretou a prisão preventiva de Suzane por entender que ela punha em risco a vida do irmão. Ao final do ano, ela foi condenada por duplo homicídio qualificado. Em 2015, a Justiça considerou Suzane indigna da herança, determinando que todo o patrimônio do casal Richthofen fosse deixado para Andreas.

Clique para ler a reportagem de 2006 e confira abaixo a entrevista, em que Suzane se comporta como uma menina pré-adolescente, aparentemente muito bem instruída por seus advogados a mostrar-se perturbada psicologicamente:

VEJA de 12 de abril de 2006

VEJA de 12 de abril de 2006. Clique para acessar o Aquivo Digital (Reprodução/VEJA)

Desde que deixou a prisão, há nove meses, Suzane von Richthofen está morando em um apartamento, em São Paulo, com um casal de amigos de seus pais a quem ela chama de “pai” e “mãe”. Foi lá que ela recebeu, de camiseta com a estampa da personagem Minnie e pantufas em forma de coelhinho, a reportagem de VEJA, para sua primeira entrevista depois do crime.

Qual a lembrança que você tem dos seus pais? Meu pai é muito lindo. Minha mãe também. São os melhores pais do mundo. Esses dias, eu estava na cozinha, e senti meu pai me abraçando por trás.

O que você sente ao falar deles? Um buraco no peito. Dói muito falar deles. É tudo muito triste.

O que você se lembra daquele dia? De nada. Eu estava muito drogada. Tinha fumado maconha o dia inteiro. Eu não lembro de nada, nada.

Você tem alguma explicação para o que fez? (Suzane não responde.)

Você está arrependida? (Suzane responde afirmativamente com a cabeça.) Queria voltar naquele dia e apagar tudo. Queria a minha vida de volta.

Você tem falado com o seu irmão? (Andreas von Richthofen, que atualmente vive com parentes do lado materno.) Não. Ele está com um tio nosso, que o proibiu de falar comigo. De vez em quando, ele me telefona, mas a gente briga.

Por quê? Ele tem saudade dos nossos pais. Ele também não queria estar sozinho. Acho que tem raiva.

No dia do seu julgamento, você vai reencontrar, pela primeira vez, seu ex-namorado Daniel Cravinhos. O que você sente por ele hoje? Raiva, muita raiva. Eu não queria nunca mais vê-lo.

Do que você tem mais medo? Do dia do julgamento.

Como você vê o seu futuro? Tem algum sonho? Não. Entreguei tudo para Deus. Não tem condições.

Mas você não pensa, por exemplo, em voltar a estudar Direito? Eu já falei. Não tem condições, né?

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