Presidente afastado da Andrade Gutierrez volta à cadeia

Esse caso não tem nenhum efeito de natureza legal no processo de impeachment de Dilma, que está em curso. Mas pode decidir o destino num outro julgamento: aquele que está no TSE, movido pelo PSDB, e que pede a cassação da chapa que elegeu a presidente, sob a acusação de abuso de poder político e econômico e de uso de dinheiro sujo na campanha

Otávio Marques de Azevedo, presidente afastado da Andrade Gutierrez, voltou a ser preso nesta quarta, depois de ter sido libertado na sexta. Trata-se de uma atrapalhação e de uma bateção de cabeça desnecessária da Justiça Federal, ainda que na combinação, ou “descombinação”, de juízes distintos. Vamos ver.

Naquela sexta-feira, noticiei em primeira mão que os dois diretores da empreiteira que estavam presos — o outro era Elton Negrão — seriam soltos pelo juiz Sergio Moro. Tinham feito o acordo de delação premiada, que virou uma precondição para os presos de primeira grandeza deixarem o xilindró.

E escrevi também, como se pode ler aqui, que Azevedo poderia continuar na cadeia porque havia outra prisão decretada contra ele — no caso da investigação do pagamento de propina na Eletronuclear. Se eu sabia, não é possível que a Justiça ignorasse, certo? Fiquei surpreso quando ele deixou a cadeia, e ninguém mais tocou no assunto da outra prisão decretada.

Pois é… Já no sábado, o juiz que cuida do escândalo na Eletronuclear, Marcelo da Costa Bretas, mandou prender Marques de Azevedo. Mas, segundo ele, os policiais se negaram a cumprir a ordem, o que só se fez nesta quarta. O caso dessa estatal, como se sabe, foi desmembrado do processo-mãe do petrolão e saiu da alçada de Sergio Moro. Está sendo investigado no Rio.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, se Moro tivesse informado a Bretas que Azevedo Marques estavam sendo posto em liberdade em razão de um acordo de delação premiada, a prisão poderia ter sido evitada. Mas parece que Moro não o fez. Se o acordo já tivesse sido homologado por Teori Zavascki, o presidente afastado da empreiteira não teria voltado à cadeia.

A delação da Andrade Gutierrez tira o sono da presidente Dilma e de uma fatia considerável do PMDB. Consta que a empreiteira decidiu contar que foi alvo de uma abordagem não muito amistosa de Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma, para aumentar a doação à petista. O método de persuasão teria sido o mesmo usado com Ricardo Pessoa, dono da UTC: lembrar as obras que a empreiteira tinha na Petrobras. E consta que o PMDB no Rio também vai ficar bastante infeliz. Vamos ver.

Olhem aqui: com um processo de delação em curso que, tudo indica, pode revelar aspectos ainda mais cabeludos da máfia que tomou contra do país, uma trapalhada como essa é desnecessária, para dizer pouco.

E que se note: esse caso não tem nenhum efeito de natureza legal no processo de impeachment de Dilma, que está em curso. Mas pode decidir o destino num outro julgamento: aquele que está no TSE, movido pelo PSDB, e que pede a cassação da chapa que elegeu a presidente, sob a acusação de abuso de poder político e econômico e de uso de dinheiro sujo na campanha.

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