DATAFOLHA: SERRA ESTÁ AGORA 10 PONTOS NA FRENTE; SEM CIRO, PODERIA VENCER ATÉ NO PRIMEIRO TURNO. E O SENSUS, HEIN?

Pois é! Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha neste sábado informa que o candidato tucano José Serra tem 38% das intenções de voto, contra 28% da petista Dilma Rousseff. Em 29 de março, ele aparecia com 36%, e ela com 27%. A diferença oscilou de 9 para 10 pontos.  Marina Silva, do PV, passa de 8% […]

Pois é!

Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha neste sábado informa que o candidato tucano José Serra tem 38% das intenções de voto, contra 28% da petista Dilma Rousseff. Em 29 de março, ele aparecia com 36%, e ela com 27%. A diferença oscilou de 9 para 10 pontos.  Marina Silva, do PV, passa de 8% para 10%, e Ciro, de 11% para 9%. No cenário em que o deputado ex-cearense não é candidato, Serra salta para 42%, Dilma vai a 30%, e Marina fica com 12%. Isso quer dizer que Serra poderia, nesse caso, vencer no primeiro turno. Mas isso não será dito pelos jornalistas isentos porque o PT os acusaria de “tucanice”.

Para que não corram esse risco, vocês notarão, há uma indiscreta tentativa de demonstrar que os números não são assim tão favoráveis ao tucano, já que, depois do lançamento de sua pré-candidatura, ele teria subido “apenas” dois pontos.  Certo! Os isentos, porque isentos, fazem uma análise que os petistas gotam de ler. Eu farei uma que  talvez seja preferida pelos tucanos. E isso faz de mim um serrista, é óbvio. Não sei se conseguiram entender a graça da coisa: quando petista aprova,  é isenção0; quando tucano aprova, é distorção!

Na pesquisa Datafolha divulgada em 1º de março, logo depois de Dilma se lançar pré-candidata no congresso do PT, anunciou-se com estardalhaço que a diferença entre os dois havia caído de 14 para 4 pontos. Empate técnico! E, se os números do Datafolha estavam certos (32% a 28%), caíra mesmo. Pois é. Em relação a qual pesquisa? A uma do Datafolha de 50 dias antes, 20 de dezembro de 2009, quando ele aparecia com 37%, e ela com 23%. Observei, então, que o momento do levantamento não poderia ser melhor para Dilma e pior para Serra: ela tinha acabado de ser estrela do noticiário, e ele enfrentava os dissabores do dilúvio em São Paulo, acompanhados de uma campanha sórdida — campanha mesmo!!! — de setores da imprensa que o culpavam pelo excesso de chuvas. Foi preciso que o Rio, a Bahia, o Rio Grande do Sul e o Sergipe, entre outros, ficassem debaixo d’água para que alguns descobrissem que não é Serra  que faz chover. Que Deus não mande a nenhum outro estado um dilúvio de 48 dias. Em certos casos, um só dia basta para que se conheça uma tragédia de dimensões épicas. Adiante.

Em 50 dias, segundo o Datafolha, ela crescera 5 pontos, e ele caíra 5. Quantos dos cinco pontos dela se deveram propriamente ao lançamento da candidatura? Não dá para saber. Certamente não foram os cinco. Dilma não saía do noticiário, oferecendo “bondades” ao lado de Lula. A campanha antecipada e ilegal correu solta. É possível que o lançamento propriamente tenha dado a ela o que deu a ele: uns dois pontos. O resto, ela pegou nos 49 (!!!) dias anteriores.

Para que o esgar analítico segundo o qual ele cresceu menos do que ela depois do lançamento da pré-candidatura faça sentido, seria preciso supor que, ao longo de 49 dias, ela tinha ficado estacionada. Só ganhou cinco pontos depois da festança. Alguém aposta nisso? Pois bem. Vinte e nove dias depois, a diferença de 4 passou a nove: Serra se recuperava —  para melancolia das Nereidas das Galochas — e alcançava 36 pontos no Datafolha. Huuummm…

O que aconteceu para que houvesse mudança tão significativa no caso dele? A chuva deu um tempo, é verdade. Mas certamente o Datafolha não é tão arrogante a ponto de descartar que possa ter havido um erro de apuração… Dilma, há duas semanas, oscilou um ponto para baixo.

Segundo turno e votos espontâneos
Na simulação de 2º turno, Serra chega agora a 50%, contra 48% há duas semanas, e Dilma aparece com 40%, contra 39% antes. Tudo dentro da margem de erro e com os mesmos 10 pontos de diferença. Nos votos espontâneos, sem a apresentação dos nomes dos candidatos, o tucano saltou de 8% para 12%, e Dilma passou de 12% para 13%. Tudo se moveu dentro da margem de erro, mas primeiro e segundo turnos e espontânea sugerem que ele se moveu com mais velocidade.

Sensus
Quem deve agora mais explicações do que antes é o Instituto Sensus. “Você está dizendo que os números do Datafolha são bons, e os do Sensus, ruins?” Não! Já escrevi largamente a respeito. Estou afirmando que os métodos do instituto é que são ruins — “métodos”, assim mesmo, no plural! O rigor técnico e a certeza de que não se administram resultados fazem a credibilidade dos institutos.

Ciro
E Ciro? Pois é… Está se desidratando de maneira vexaminosa. Obra cruel de Lula. Mais uma vez, poderá pegar a pesquisa e tentar esfregar na cara do presidente: “Veja como a minha presença é importante; sem mim, Serra poderia vencer no primeiro turno”. Ocorre que o demiurgo confia tanto que a eleição será uma espécie de homologação de sua escolhida que o apelo do ex-cearense não tem a menor chance de frutificar.

Para lembrar e se divertir
Há três semanas, uma penca de “especialistas” falava de boca cheia dos “erros” de Serra e de como a eleição caminhava célere para ser decidida no primeiro turno — em favor de Dilma, naturalmente. Não! Eu não digo se será ou não. Eu apenas vinha afirmando que, com os dados disponíveis, o que parecia análise era só torcida.

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