COMO A PRIMEIRA VERSÃO PARA O IMBRÓGLIO DO PROGRAMA SOCIALISTA FOI DESMORALIZADA POR ESTE BLOG, O PT CRIOU OUTRA, AINDA PIOR!

Vocês acompanharam anteontem a confusão sobre os dois programas que o PT entregou ao TSE, aquele que traz o que os petistas realmente pensam, o dos socialistas, e o outro, o das socialites, edulcorado para fazer o partido se parecer com mocinhas do Colégio Sion da década de 50… Pego no flagra, o partido se […]

Vocês acompanharam anteontem a confusão sobre os dois programas que o PT entregou ao TSE, aquele que traz o que os petistas realmente pensam, o dos socialistas, e o outro, o das socialites, edulcorado para fazer o partido se parecer com mocinhas do Colégio Sion da década de 50… Pego no flagra, o partido se saiu com uma história um tanto rocambolesca: teria entregado o documento errado ao TSE! Como vocês viram ontem neste blog, o “documento errado” trazia, no entanto, a rubrica da candidata Dilma Rousseff em cada uma das páginas. Republico abaixo uma das imagens só para refrescar a memória. Não só a dela: a outra, que aparece ao lado, é do presidente do partido e coordenador geral da campanha, José Eduardo Dutra. Este blog desmoralizou a versão de que houve uma mera troca de papéis, certo? Hora de arrumar uma nova desculpa. Mas qual?

rubrica-pt-dois2Como vocês sabem, o PT tem sempre uma explicação para o batom e para os dólares na cueca. Confrontados com a rubrica, os petistas criaram, então, uma história ainda mais inverossímil: como o texto tinha de ser mandado às pressas para o TSE – ??? – e tendo sido entregue o documento errado para Dilma e Dutra, ambos assinaram o papelório sem ler. Entendi! Dispenso-me de indagar se, uma vez eleita, Dilma vai se interessar em saber onde põe a sua assinatura. E me dispenso porque a história parece falsa como nota de R$ 3.

Os petistas são mestres também no “enrolation”. No Estadão de hoje, André Vargas, secretário de comunicação do PT, afirma:
“Por volta de 15h30 recebi uma ligação que indagava sobre algo que eu não sabia responder. Fui à página do TSE verificar o que estava ocorrendo e percebi a troca dos programas. Foi uma terrível falha nossa, que certamente vai nos dar dor de cabeça por uns dias, talvez semanas.”
Agora leiam trecho de reportagem da Folha de ontem:
No início da noite, o secretário de comunicação do partido, André Vargas (PR), ainda sustentava que a decisão de apresentar o texto foi da coordenação da campanha. “Não há problema em ter pontos polêmicos nele. Nós somos polêmicos. Isso não é problema, é qualidade. Agora, é um texto provisório que vai ser sempre discutido.”

Vargas, como vocês vêem, é um petista típico. O partido tem dois programas, e ele tem duas versões. Num post abaixo, vocês lêem trecho de uma reportagem do Estadão com a justificativa oficial do PT para o imbróglio: Dilma teria ficado verdadeiramente furiosa. Como a gente sabe, o radicalismo não lhe cai bem. Onde já se viu tomar champanhe na casa de Abílio Diniz e depois propor controle da mídia e fim da propriedade privada? Isso é coisa que não se faz. Não é elegante!

Quantas faces tem Dilma?
Começa a ficar complicado saber quem, afinal de contas, é candidata à Presidência da República, qual das Dilmas. A que agora se diz contrária à descriminação do aborto é a mesma que a defendeu numa entrevista à revista Marie Claire, em 2007? A que concede entrevista em Uberlândia e em Recife contra as invasões de terra do MST é a mesma que mete na cabeça o boné do movimento ao discursar em Sergipe? A que defende a liberdade de imprensa é aquela que rubrica — Dilma, a distraída! — um programa que prega o controle da mídia?

É a primeira vez? Não é a primeira vez. O decreto que trazia o Programa Nacional Socialista dos Direitos Humanos ganhou forma final, como é praxe, na Casa Civil e também trazia a assinatura da então ministra Dilma Rousseff. Ela foi, diga-se, uma das inspiradoras do documento, ao lado do ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e do então ministro Tarso Genro (Justiça). O programa verdadeiro enviado ao TSE, o rubricado, era inspirado naquela estrovenga. O governo Lula teve de recuar, e o programa de Dilma queria “avançar”.

Os petistas agora tentam fazer de conta que a candidata nunca teve nenhum compromisso com aquelas idéias. O programa dos Direitos Humanos, pelo qual a sua pasta responde, prova que sim.

Essa gente está tentando controlar a imprensa desde que botou os pés do poder. As tentativas, até agora, malograram. Mas vocês sabem: eles são petistas e não desistem nunca, sem aprender nada, sem esquecer nada.

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