CARIDADE IDEOLÓGICA COM O NOSSO DINHEIRO

O Brasil cedeu às absurdas exigências do Paraguai por um conjunto de motivos. O mais imediato é mesmo fortalecer o esquerdista Fernando Lugo, presidente daquele país, cujo prestígio foi abalado com as evidências de que tomou como tarefa pessoal o “crescei e multiplica-vos”, a despeito das regras da sua Igreja. Quem não respeita uma entidade […]

O Brasil cedeu às absurdas exigências do Paraguai por um conjunto de motivos. O mais imediato é mesmo fortalecer o esquerdista Fernando Lugo, presidente daquele país, cujo prestígio foi abalado com as evidências de que tomou como tarefa pessoal o “crescei e multiplica-vos”, a despeito das regras da sua Igreja.

Quem não respeita uma entidade que, para os crentes, faz a mediação com o divino, por que respeitaria instituições que só têm compromisso com os homens? A Constituição de um país é, para um político, o que são os Dez Mandamentos para o cristão. Como cristão, Lugo é um péssimo político. Não sei se me entendem…

Lula decidiu, então, segurar a onda do seu aliado. Mas é claro que não é só isso. A “caridade” brasileira também tem um óbvio sentido ideológico. Não é a primeira vez que o presidente brasileiro abre mão dos interesses do seu país para fortalecer a posição de um “hermano” de esquerda. Parte dos bolivianos vibrou quando Evo ocupou militarmente as instalações da Petrobras boliviana, até que a tomou de vez — essa, sim, foi uma ação criminosa contra a empresa, não a CPI. O governo do Equador chegou até a fazer reféns brasileiros na disputa legal com uma empreiteira. A Argentina foi esmagando  o Mercosul um pouco por dia com a imposição de cotas e taxações a produtos brasileiros. O fato é que os “companheiros” sabem — exceção feita à Colômbia de Álvaro Uribe — que, no confronto com o Brasil, eles ganharão sempre. Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim acham que, assim, consolidamos a nossa força.

É só na economia? Não! Não menosprezem o papel do Brasil na pressão pela volta do bandoleiro Manuel Zelaya à Presidência de Honduras. Amorim é um dos incendiários da turma. O Itamaraty fez dessa volta uma questão de honra. Não recorre à linguagem belicista de Chávez, mas em nada difere do coronel: quer a volta do destituído sem as condições sugeridas no plano de Oscar Arias.

Fosse Lugo um presidente “de direita”, Lula ignoraria o pleito paraguaio para não dar força aos adversários. Imaginemos, por hipótese, uma Colômbia governada pela esquerda, com paramilitares de extrema direita, ligados ao narcotráfico, a ameaçá-lo. Será que o Top Top Garcia declararia a nossa “neutralidade” sobre o caráter terrorista do grupo?

Nesse como em outros casos, Lula está fazendo caridade ideológica com o nosso dinheiro. Chegou a hora de a oposição dizer ao distinto público quanto isso tem nos custado.

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