Brasileiro precisa de proselitismo ideológico, não de aula de matemática

Em agosto do ano passado, o Conselho Nacional de Educação deu um ano para as escolas de segundo grau de todo o país passarem a ministrar aulas de filosofia e sociologia. Um ano. Reparem que o prazo expira no início do segundo semestre para um curso cujo planejamento é anual. É a dificuldade funcional da […]

Em agosto do ano passado, o Conselho Nacional de Educação deu um ano para as escolas de segundo grau de todo o país passarem a ministrar aulas de filosofia e sociologia. Um ano. Reparem que o prazo expira no início do segundo semestre para um curso cujo planejamento é anual. É a dificuldade funcional da decisão dos gênios, onde brilha a inteligência de Marilena Chaui, aquela que acredita que o céu se ilumina quando Lula fala – embora ela já tenha mais de 60 e seja de esquerda…
O segundo grau no Brasil é um lixo. Tanto o público como o privado, com raras exceções nos dois casos. Professores que ganham salários miseráveis, em estruturas fossilizadas, sem chance de ascender profissionalmente, falam a alunos oprimidos ou pela miséria ou pela banalidade. Não é preciso fazer grande esforço para perceber a alfabetização precária mesmo das elites. O brasileiro comum se embasbaca em operações aritméticas simples. A quase totalidade dos universitários é incapaz de se expressar com correção.
Antes que nossos futuros marxistas recitassem a luta de classes, seria conveniente que aprendessem um pouco de matemática e língua portuguesa. O mais notável na decisão é que inexiste mão-de-obra para tanto. Ora, far-se-á como sempre: improvisa-se algum “humanista” na tarefa de desvendar as sombras da caverna de Platão.
A medida tem caráter ideológico. Dia desses, vi o material didático de história de uma renomada escola particular de São Paulo. É lixo submarxista. Os alunos são treinados para ver a história do país como uma seqüência de golpes das elites contra os interesses populares. No que diz respeito à história contemporânea, o imperialismo – americano, é claro – é culpado pelas mazelas do mundo.
Mesmo quando se sabe que há um conteúdo relativamente objetivo a ser ensinado, cobrado em vestibular, a coisa é assim. Imaginem como será quando o “sociólogo” e o “filósofo” estiverem obrigados apenas a “refletir” com os alunos. O único objetivo da medida é estimular o proselitismo e a patrulha.O capitalismo já faz pouco sucesso no Brasil, como vimos na campanha eleitoral. Os bananões preferem o Estado ineficiente a estatais privatizadas que funcionem. Precisamos convencer os nativos de que o mundo tem de ser justo, não eficiente. A boa notícia é que, nas escolas públicas, essa bobagem não vai dar em nada. Ainda que por maus motivos. Mas, nas escolas particulares, pode ser que a medida seja posta em prática. Que bom! O Brasil já tem muitos banqueiros. Precisamos de mais cineastas com bons sentimentos, não é mesmo?
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  1. Comentado por:

    Ricardo Braga

    É realmente o ensino anda muito mau, uma professora de português do segundo grau discutiu comigo afirmando que era correto o uso do “vou estar fazendo” ou ” vou estar verificando”. Imagine só a mesma em uma sala de aula repetindo isso para os alunos, oque eles iriam achar ? Que esta correto. Caro Reinaldo, não entendi bem você esta defendendo ou criticando o maxismo ?

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  2. Comentado por:

    Paulo Henrique Soares

    Formei na Universidade Federal de Uberlândia em 1996. Participei de alguns movimentos estudantis, estive no Congresso da UNE em Goiânia etc. Hoje com família aprendi que marxismo, socialismo, comunismo tudo isso é pura enganação. Os jovens com sua rebeldia natural sentem-se atraídos pelas mentiras ditas e repetem a idiotice ouvida de seus professores alienados, que sempre apresentam algo em comum pois são revoltados com a vida e com Deus. Se o mundo se tornasse marxista ele implodiria.

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