À sua maneira, a morte de Santiago foi cuidadosamente planejada. Ou: Um vídeo com estrelas globais e um juiz que exalta a tática black bloc, que matou o cinegrafista

Como eu sou contra a censura; como eu me oponho ao cerceamento da imprensa; como eu acho que estamos lidando com fascistas asquerosos, que odeiam a liberdade, eu vou lembrar todos aqueles que ajudaram a criar o clima que resultou na morte de Santiago Andrade. No dia 28 de outubro, escrevi um post sobre a convocação […]

Como eu sou contra a censura; como eu me oponho ao cerceamento da imprensa; como eu acho que estamos lidando com fascistas asquerosos, que odeiam a liberdade, eu vou lembrar todos aqueles que ajudaram a criar o clima que resultou na morte de Santiago Andrade.

No dia 28 de outubro, escrevi um post sobre a convocação que descoletes globais e outros faziam para novos protestos no Rio. Vejam no arquivo quantas vezes este cão danado aqui apontou que, em Banânia, artista é tratado como pensador — e, infelizmente, muitas vezes, pensadores anseiam a fama de artistas. Os que deveriam buscar aplausos querem ser reconhecidos como filósofos, e alguns “filósofos”, por sua vez, só querem ser aplaudidos…

Abaixo, há um vídeo em que alguns rostos muito conhecidos, outros menos, convocam a população para um protesto. Assistam. Volto em seguida.

Voltei
1: Como vocês viram, um dos alvos da insatisfação é a tal “mídia”. Vocês sabem a quem pertence a agenda que, no fim das contas, criminaliza mesmo é a imprensa. Aliás, o maior “grupo de mídia” do país são as Organizações Globo, que detêm concessões de TV aberta, por assinatura e de rádio, jornal, revista etc. Assina a carteira de trabalho de boa parte dos bacanas. Isso não quer dizer que não possam e não devam dizer o que pensam e discordar. Mas, então, que deem nome aos bois. Qual “mídia” trata de modo inadequado os “manifestantes”? Como sabe toda gente, ao contrário do que se anuncia acima, A IMPRENSA TEM SE NEGADO A CRIMINALIZAR ATÉ MESMO OS CRIMINOSOS.

2: Quem não faz a distinção entre manifestantes e bandidos são os atores globais e os outros dois ou três que se manifestam. Notem:
a) não há uma só palavra de censura às depredações;
b) a polícia é vista como a única responsável pelos confrontos;
c) pessoas detidas depredando a cidade são chamadas de “presos políticos”.

3: Uma jovem chamada Bianca Comparato — nunca vi, mas parece ser atriz —, aos 3min23s, defende, as palavras fazem sentido, o quebra-quebra. Transcrevo sua fala (em vermelho):
“[órgãos de imprensa] só reportam o que é que foi quebrado, o que foi destruído. E eu também acho que tem de parar para pensar o que é que está sendo destruído. São casas de pessoas, como (sic) a polícia joga uma bomba de gás dentro de um apartamento? Não! São lugares simbólicos”.

Nunca vi a PM jogando bombas de gás dentro de apartamentos, mas Bianca viu. Ok. Mas isso não é o mais importante. É evidente que ela está defendendo a ação de destruição dos black blocs, mas só a dos “lugares simbólicos”. Do quê? Que eu saiba, quebram bancos, lojas, prédios públicos, praças, estações de trem, de metrô… Lugares simbólicos da civilização?

4: Algumas estrelas do vídeo merecem breves considerações:
a) Wagner Moura, hoje, é o líder dos engajados no Brasil. Tornou-se uma espécie de garoto-propaganda do PSOL, em especial da linha freixista (de Marcelo Freixo);
b) Marcos Palmeira é genericamente a favor de coisas boas, belas e justas, especialmente as ligadas à natureza. Foi uma das estrelas daquele vídeo patético contra Belo Monte. Palmeira sabe como cuidar da questão energética brasileira e, como se vê, é um profundo pensador da democracia. Eduardo Campos o quer como candidato ao governo do Rio pelo PSB.
c) Camila Pitanga é militante petista e garota-propaganda da Caixa Econômica Federal, em especial do programa Minha Casa Minha Vida. Já está engajada na candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Rio.

No dia 17 de junho, no Rio, aconteceu isto aqui, vejam:

Os “artistas”, evidentemente, não disseram uma só palavra de censura ao comportamento dos manifestantes. Linchar policias pode. Mas o silêncio não é o mais grave. No vídeo que convoca um novo protesto, a violência dos vândalos não só é negada como chega a ser bem-vista e estimulada por uma das participantes. Se quem editou as falas manteve a de Bianca Comparato e se todos concordam com o produto final, então é evidente que a endossam. Eu sou, claro!, um rottweiler feroz. Mansas são as pessoas que acham que “destruir lugares simbólicos”, num protesto, é coisa de gente que só quer um país melhor.

Um juiz na turma
Há algo ainda mais escandaloso no vídeo acima. Ali está também um juiz, conforme contei aqui no dia  30 de outubro:

Aqui está ele.

juiz manifestação

A personagem em questão é o juiz João Damasceno, da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Tento de novo: temos um juiz, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que participa de um vídeo que convoca manifestações e que acolhe as ações dos black blocs, que, afinal de contas, só depredam o que tem de ser mesmo depredado, segundo se entende….

O juiz Damasceno pertence a tal entidade “Associação Juízes para a Democracia”, como se fosse possível haver uma outra, em que juízes fossem contra a democracia. Esse grupo, declaradamente de esquerda (e sabemos como países socialistas foram verdadeiros reinos de justiça) tem noções muito particulares de direito. Já entrei em alguns embates com eles aqui. Um de seus membros resolveu que, se me ofendesse bastante, elucidaria os absurdos escritos num documento da entidade.

Não pensem que Santiago Andrade morreu por acaso. À sua maneira, essa morte foi cuidadosamente planejada.

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