Blogs e Colunistas

Arquivo de 23 de fevereiro de 2012

23/02/2012

às 22:55

Depois de denúncia da ONU, forças de segurança matam mais 46 na Síria

Do Portal G1, com agências internacionais:
Pelo menos 46 pessoas, em sua maioria civis, morreram em atos de violência nesta quinta-feira (23) na Síria, informou o Observatório Sírio de Direitos HUmanos (OSDH). Entre as vítimas, figuram 13 membros de uma mesma família mortos na cidade de Kafar al-Ton, província de Hama (centro), num ataque das forças do regime, assim como três crianças e 16 soldados e membros dos serviços de segurança no país, segundo a OSDH.

A comissão de investigação internacional sobre a Síria, que tem mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU, denunciou nesta quinta-feira que o governo sírio fracassou em proteger seu povo. “Desde novembro de 2011, as forças sírias cometeram sérias e sistemáticas violações dos direitos humanos”, afirma a comissão, que interrogou 136 novas vítimas desde novembro, data do relatório anterior.

A comissão concluiu em seu primeiro relatório que as forças de segurança sírias cometeram crimes contra a humanidade na repressão brutal da revolta no país. Mais de 500 crianças morreram desde o início da rebelião, em março de 2011, segundo a comissão, que cita uma “fonte confiável”. Dezembro foi o mês mais violento, com 80 crianças mortas, seguido de janeiro de 2012 (72 mortes). O balanço da violência na Síria, segundo os ativistas, chega a 7.600 mortos, na grande maioria civis.

Dois jornalistas ocidentais estavam entre os mortos na quarta-feira, numa intensificação da ofensiva do governo contra a resistência em Homs, um dos epicentros da rebelião nacional contra Assad. A França e o Reino Unido exigiram que três outros jornalistas ocidentais feridos no bombardeio a uma casa em Homs recebam assistência médica imediata.

Nos EUA, os pré-candidatos republicanos a presidente Mitt Romney e Newt Gingrich apoiaram a ideia de armar a oposição síria. Romney disse que Washington precisa se juntar a seus aliados para ajudar os rebeldes. “Precisamos trabalhar com a Arábia Saudita e a Turquia para dizer: ‘Vocês ofereçam o tipo de armamento necessário para ajudar os rebeldes dentro da Síria’”, disse ele.A Casa Branca, que até agora se opõe a uma intervenção militar na Síria, já sugeriu que, caso uma solução política se mostre impossível, poderia considerar outras opções.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 22:45

Pré-candidato do PT à Prefeitura de SP decide conhecer o povo de perto

O trecho da reportagem abaixo está publicado no Estadão Online. O título é meu mesmo.

O pré-candidato do PT Fernando Haddad inicia na sexta-feira, 24, sua programação de rua rumo à eleição que definirá o sucessor de Gilberto Kassab (PSD) na Prefeitura de São Paulo. A agenda de visitas começará pelo M’Boi Mirim, no extremo sul da capital paulistana, onde ele pretende ouvir de lideranças e entidades locais os principais problemas da população e sugestões para seu futuro plano de governo. Haddad quer aproveitar o período em que está impedido legalmente de fazer campanha para fazer uma “imersão” nos problemas da cidade. A campanha eleitoral só estará liberada a partir de junho.

Em encontro do Conselho Político do pré-candidato no final de janeiro, o pré-candidato anunciou que dedicará as segundas e as sextas-feiras às visitas in loco, principalmente à periferia. “Quero conhecer os equipamentos públicos das áreas mais remotas, isso a legislação não impede. Não é agenda eleitoral, é uma atividade de conhecimento”, disse o petista na ocasião. Na próxima segunda-feira, 27, Haddad participará de uma plenária na Brasilândia, na zona norte, onde vai debater propostas para o seu projeto.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 22:32

PT de Campinas quer expulsão de Vaccarezza do partido

Por Marília Rocha, na Folha Online:
O PT em Campinas (93 km de SP) quer que o líder do governo na Câmara dos Deputados, Candido Vaccarezza (PT-SP), seja expulso do partido por ter indicado nome para a atual administração do município, que está interinamente a cargo do PDT.

O diretório municipal acusa o deputado de contrariar determinação de não integrar a atual gestão, que assumiu após a cassação do ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), e de seu vice, Demétrio Vilagra (PT). Dr. Hélio e Vilagra são acusados de participação em suposto esquema de fraudes em licitações. Eles negam. De acordo com o PT de Campinas, Vaccarezza indicou o atual secretário de Habitação do município, Clélio Leme (PT), após a sigla definir que todos os petistas deveriam deixar a gestão.

O pedido de investigação sobre Vaccarezza, que pode resultar em expulsão, foi aprovado por unanimidade pelo diretório municipal no último dia 11 e encaminhado ao Diretório Nacional. “A Executiva Nacional deve ouvir o deputado e, se entender que é o caso, instaurar a comissão de ética”, disse o presidente do PT em Campinas, Ari Fernandes. A resolução do PT campineiro diz que Vaccarezza está “zombando do PT, do seu estatuto e dos seus militantes”. Afirma que o deputado, como líder nacional da sigla, se considera “acima das decisões do partido”.

Outros 30 militantes petistas que continuaram na gestão do PDT em Campinas estão respondendo à comissão de ética, mas no âmbito municipal, por serem filiados ao PT local. Vaccarezza confirmou a indicação à Folha e disse que não pode ser acusado de infração em razão de seu posicionamento político distinto.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 22:25

Senador Suplicy dá mais um exemplo de equilíbrio, bom senso, prudência e responsabilidade

Eduardo Suplicy é aquele senador por São Paulo — petista, claro! — que levou ao Senado a denúncia de supostos estupros praticados por policiais militares durante a desocupação do Pinheirinho. Descobriu-se depois sobre a sua denúncia:
- as pessoas que fizeram a acusação não moram no Pinheirinho;
- os supostos eventos não se deram no dia da desocupação;
- alguns dos denunciantes tinham sido presos com drogas e armas;
- fez-se boletim de ocorrência, e os presos e familiares estavam acompanhados de sua advogada; ninguém falou em estupro nenhum;
- as denúncias foram feitas 10 dias depois da suposta ocorrência;
- a advogada dos presos já atuou na defesa de membros do PCC.

Contei essa história em detalhes. Mas vocês sabem… Suplicy é petista e não desiste nunca. A chamada desocupação do Pinheirinho já é a maior fonte de mentiras produzidas por petralhas e vagabundos de toda espécie. Quem não se lembra das acusações de que teria havido mortes durante a operação de reintegração de posse?

Pois bem! Embora o Pinheirinho estivesse sob o comando do PSTU, os petistas é que passaram a fazer a mais vil exploração política do caso. A Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida pelo petista Paulo Paim (PT-RS), está sendo transformada em mero palco de proselitismo contra o governo de São Paulo e a Polícia Militar.

Nesta quinta, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) resolveu reagir às provocações do Suplicy. Leiam o que informa o Estadão Online. Volto em seguida:

Na audiência pública realizada hoje pela Comissão dos Direitos Humanos do Senado houve bate-boca entre os senadores Eduardo Suplicy (PT) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), ambos de São Paulo, por causa da desocupação do bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos.

Nunes Ferreira acusou os senadores Suplicy e Paulo Paim (PT-RS) de politizarem o episódio para favorecer o partido nas eleições municipais. Como argumento, o senador tucano disse que nenhuma atitude foi tomada pela CDH quanto a desocupações ocorridas no Distrito Federal e no Acre, cujos governadores são do PT. Paulo Paim, que é presidente da comissão, estava ausente.

“É um procedimento unilateral que visa a instrumentalizar a comissão por partidos políticos, no caso o PT, e outros grupos, como o PSTU, que o usa para terceirizar seu radicalismo”, disse Aloysio Nunes. Ele chamou os líderes comunitários dos que foram desalojados de “parasitas”, atribuindo a eles “a radicalização, o circo”, dias antes da reintegração da posse da área.
(…)
“Tinha gente querendo brincar de insurreição, pseudorrevolucionários prontos para radicalizar”, atacou Aloysio Nunes. Segundo o senador tucano, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB)), não mandou um representante para a audiência de hoje porque sabia que ali haveria um “teatro” dos que desejam explorar politicamente o episódio.

Voltei
A firmeza de Aloysio, que disse a verdade (já trato desse particular), deixou Suplicy apoplético. Sabem aquele senhor que gosta de posar de maluco beleza, com suas canções e outras momices? Pois é… Ele decidiu reagir aos berros, com a eloqüência habitual. E, como se nota, em sua fala, dá as acusações contra a PM como verdadeiras. Nada como a imunidade parlamentar para incentivar a irresponsabilidade, não é? Vejam
. Suplicy parece pertencer àquela categoria que acredita que “falar grosso” é falar a verdade.  O vídeo com o seu chilique está circulando. A resposta de Aloysio não está.

Nunes Ferreira não se intimidou a ironizou a gritaria do outro, dizendo que ela não o assustava.

E só para que vocês não se esqueçam: no dia 7 de fevereiro, escrevi um post cujo título é bastante eloqüente: “Atenção, governo de SP! Os ‘companheiros’ petistas têm de falar primeiro na Comissão do Senado! Questão de cronologia e gravidade! Eles é que têm de explicar três olhos furados!”]

Ações das Polícias Militares de estados governados pelos “companheiros” deixaram três pessoas cegas de um olho (Piauí, Bahia e Acre). Suplicy não quis nem saber. Nem Dilma. Nem Maria do Rosário. Nem José Eduardo Cardozo. Nem Gilberto Carvalho. Tião Viana, aliás, governador do Acre, voltou a recorrer às balas de borracha nesta terça-feira. E Suplicy nem canta nem grita.

O descontrole demonstrado por Suplicy borda com um exagero patético uma farsa política.

Para encerrar: os esbirros do petismo na grande imprensa costumam falar do Pinheirinho, ilustrando a sua peroração com uma cuidadosa seleção de imagens que provaria a barbárie. É só a verdade parcial — a imagem isolada — sendo usada a serviço de uma farsa político-partidária. Até hoje essa gente não teve a decência de exibir as imagens das três pessoas que ficaram cegas de um olho no Piauí, na Bahia e no Acre.

São os cegos esquecidos por Suplicy, o homem que, quando não canta, fala grosso.

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 20:07

Em edital de concurso na Bahia de Wagner, militância sindical e partidária contava mais pontos do que curso universitário; foi cancelado porque a “imprensa burguesa” descobriu!

Vejam esta imagem:

correio-da-bahia

É, como viram, uma manchete do jornal “Correio da Bahia”. Dá para entender por que os petralhas odeiam a imprensa e por que mantêm uma rede de difamação a soldo. Sim, O que está sintetizado aí é absolutamente verdadeiro: o governo do petista Jaques Wagner decidiu fazer um concurso em que os candidatos que fossem sindicalistas e militantes de partido — de qual, hein? — ganhariam pontos adicionais. Como a coisa veio a público, o edital foi suspenso. Ah, sim: essa militância tinha mais peso do que a formação universitária!

Da mulher de César, dizia-se que tinha de ser honesta e de parecer honesta. Naquele caso, ser e não parecer não ficava bem a alguém na sua condição. Mas, vá lá, num regime de aparências ao menos, bastaria parecer, ainda que honesta não fosse. Eu diria que os petralhas estavam nessa fase até outro dia. Nestes tempos, foi-se o último escrúpulo. Não sendo, acham já que nem precisam parecer. Estão de tal sorte convencidos de que nada nem ninguém os ameaça que podem fazer um edital escancaradamente dirigido.

Leiam trecho de reportagem de Carlos Mandeiro, no UOL:
A Secult-BA (Secretaria de Cultura do Estado da Bahia) cancelou o edital para contratação de nove representantes territoriais de cultura na tarde desta quinta (23). A seleção gerou polêmica porque a comprovação de anos de “experiência sindical e partidária” poderia acrescentar até dez pontos aos candidatos. A crítica de especialistas em concursos públicos sugere que esse item poderia favorecer militantes do PT (Partido dos Trabalhadores), que governa o Estado.

Procurada pelo UOL, a Secretaria disse apenas que o edital foi cancelado, que os itens previstos serão revistos e que não há prazo para publicação de um novo documento. Apesar de questionado, o órgão não comentou sobre os motivos que levaram à inclusão dos itens na seleção, nem informou de que forma a experiência sindical ou partidária ajudaria no exercício de um cargo na área cultural.

Tempo no sindicato valeria mais que faculdade
As inscrições deveriam ser iniciadas hoje para o certame. Os técnicos permaneceriam na função até dezembro, com salário mensal de R$ 1.980. O edital que gerou confusão foi publicado no início do mês e previa que um candidato ganhasse até 10 pontos pela atuação em sindicatos, partidos e organizações da sociedade civil. Para conseguir a pontuação, seria preciso provar que atuou por quatro anos - são 2,5 pontos por ano.

Pelos critérios do edital, o ano de atuação sindical ou política valeria mais que as atividades artísticas (atividade-fim da função), que prevê apenas dois pontos a cada 12 meses de participação. De acordo com o edital, uma pessoa que tenha feito graduação na área teria sete pontos na análise de currículo - três a menos que a atuação em sindicatos ou partidos. Já uma pós-graduação na área vale os mesmos dez pontos da atuação política. Já outras pós-graduações valeriam apenas sete pontos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 18:44

Novas considerações sobre o racismo. Ou: Como Heraldo Pereira ousa ser negro e livre? Isso é imperdoável aos racistas de segundo grau

Pô, os "donos do progressismo" queriam o negro Heraldo livre, mas assim já é demais! O que eles fazem de sua "generosa piedade", né?

Pô, os "donos do progressismo" queriam o negro Heraldo livre, mas assim já é demais! O que eles fazem de sua "generosa piedade", né?

Por que alguém se considera no direito de tachar um dos jornalistas mais talentosos e mais bem-preparados de sua geração de “negro de alma branca” e de afirmar que ele “não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde”, como fez um senhor chamado Paulo Henrique Amorim com Heraldo Pereira? Minhas caras, meus caros, essa história vem de longe. E será preciso apelar aqui à origem de certas idéias, que acabaram definindo alguns paradigmas. Antes que entre propriamente no aspecto mais perverso e quase invisível do racismo, terei de fazer algumas considerações.

Vocês conhecem bem os ataques de que sou alvo porque me oponho, por exemplo, à política de cotas raciais. Alguns militantes da causa, brancos e negros, acusam-me, por isso, de “racista”. Não vou debater cotas agora porque desviaria este post de seu propósito. Já escrevi muito a respeito. Pretendo abordar um aspecto do racismo que a muitos passa despercebido porque praticado, ou cultivado, por supostos porta-vozes de causas consideradas “progressistas” ou “de esquerda”, como queiram.

Nesta madrugada, publiquei um longo post sobre o livro “Aguanten Los K”, do jornalista argentino Carlos M. Reymundo Roberts. Recomendo o artigo a quem não o tenha lido. Roberts trata justamente das hordas de partidários do “kirchnerismo” que atuam nos blogs, no Twitter e até nas rádios, para reproduzir as verdades eternas do governismo e tentar destruir a reputação daqueles considerados “inimigos”. Na Argentina como no Brasil, esses vagabundos são alimentados por dinheiro público e obedecem a um comando partidário. Lá, são “Los K”; aqui, são “os petralhas”. Tentam dividir o mundo em duas metades: a boa, “progressista e de esquerda” (eles), e a má, “reacionária e de direita” (os outros).

Outra referência bibliográfica importante nesse debate é “O Fascismo de Esquerda”, do jornalista americano Jonah Goldberg. O autor procede a uma breve reconstituição histórica de alguns valores tidos nos EUA como “liberais” (lá, essa palavra quer dizer “à esquerda”) e evidencia o seu parentesco com teses e proposta do fascismo. Nos melhores momentos do livro, demonstra como as propostas mais autoritárias, discriminatórias mesmo!, podem ser consideradas verdadeiros poemas humanistas, desde que abraçadas por “liberais”, e como valores ligados aos direitos fundamentais do homem podem ser tidos como “autoritários” se defendidos por conservadores. A síntese é esta: os ditos “progressistas” serão sempre progressistas, mesmo quando reacionários; e os ditos “reacionários” serão sempre reacionários, mesmo quando progressistas. As esquerdas, em suma, mundo afora, se tornam “donas do humanismo”.

Atenção, meus queridos! Nenhum autoritarismo, por mais deletério e estúpido que seja, é tão estúpido e deletério quanto o das esquerdas e de seus apaniguados. É a história que me dá razão. O despotismo que se instala em nome da liberdade do povo é duplamente perverso porque pratica todas as violências com as quais prometeu acabar e ainda destrói a esperança.

Todas as ditaduras são asquerosas, de direita ou de esquerda. Mas as de esquerda são mais longevas e matam muito mais — incomparavelmente mais — porque seus assassinos falam em nome do bem da humanidade. Hitler era um facínora vagabundo, um recalcado homicida, que falava claramente em nome de um grupo, de uma “raça”. Já o seu antípoda complementar, Stálin, era tido como arauto de uma “nova humanidade”. Com razão e para o bem da civilização, os partidários do bigodinho assassino são reprimidos mundo afora; sem razão e para o mal da civilização, os admiradores do bigodão assassino ainda estão por aí, pautando, muitas vezes, o “debate de resistência”. Não é preciso ir longe. Integrantes dos governos petistas que tentaram instalar uma ditadura stalinista no Brasil, Dilma inclusive, dizem hoje se orgulhar da luta pela “democracia”… É uma mentira grotesca. Muito bem! E o que isso tudo tem a ver com Heraldo Pereira?

Vamos ao centro do racismo
É possível estabelecer a genealogia da discriminação racial nos vários países, inclusive no Brasil. Por razões específicas, na Europa e na Rússia, por exemplo, ela se voltou contra os judeus; no Brasil, contra os negros; na África subsaariana, contra tribos originalmente rivais — já que a cor da pele não tem importância. Combater a cultura e a prática da discriminação é um imperativo moral e ético. É matéria que diz respeito à civilização. A causa não é propriedade privada de uma ideologia, de um partido político ou de ONGs, movimentos sociais e seus associados.

O racismo bronco pode ser enfrentado com clareza porque visível. Os estúpidos, os bucéfalos, que saem por aí a vociferar o seu ódio contra negros, por exemplo, praticam o que costumo chamar de “racismo de primeiro grau”. São crus, desprovidos de qualquer ambição intelectual, mal escondem o seu recalque: ou acham que um negro bem-sucedido está a ocupar um lugar que lhes caberia por direito natural ou entendem que a presença do “outro” ameaça o seu próprio status. Merecem ser duramente enfrentados nas ruas, nas escolas, nas empresas, nos tribunais. Não, não acredito que o caminho sejam as cotas, mas, reitero, não entro nesse mérito agora.

O racismo de segundo grau
Já o racismo de segundo grau é coisa mais complicada. Embora seus cultivadores se digam inimigos da discriminação e aliados de todos os grupos que lutam pelos direitos das minorias, não compreendem — e, no fundo, não aceitam — que um negro possa ser bem-sucedido em sua profissão A MENOS QUE CARREGUE AS MESMAS BANDEIRAS QUE ELES DIZEM CARREGAR!

Eis, então, que um profissional com as qualidades de Heraldo Pereira os ofende gravemente. Sim, ele é negro. Sim, ele tem “uma origem humilde”. Ocorre que ele chega ao topo de sua profissão mesmo no país em que há muitos racistas broncos e em que a maior discriminação ainda é a de origem social. E chegou lá sem fazer o gênero do oprimido reivindicador, sem achar que o lugar lhe pertencia por justiça histórica, porque, afinal, seus avós teriam sido escravos dos avós dos brancos com os quais ele competiu ou que a luta de classes lhe roubou oportunidades.

Sabem o que queriam os “racistas de segundo grau”, essas almas caridosas que adoram defender minorias? Que Heraldo Pereira estivesse na Globo, sim, mas com o esfregão na mão e muito discurso contra o racismo na cabeça. Aí, então, eles poderiam dizer: “Vejam, senhores!, aquele negro! Por que ele não está na bancada do Jornal Nacional?” Ocorre que Heraldo ESTÁ na bancada do Jornal Nacional. E sem pedir licença a ninguém. Enquanto alguns negros, brancos, amarelos ou vermelhos choramingavam, o jornalista Heraldo Pereira foi estudar direito na Universidade de Brasília. Enquanto alguns se encarregavam de medir o seu “teor de negritude militante”, ele foi fazer mestrado — a sua dissertação: “Direito Constitucional: Desvios do Constituinte Derivado na Alteração da Norma Constitucional”.

Quando se classifica alguém como Heraldo de “negro de alma branca” — e já ouvi cretinos a dizer a mesma coisa sobre Barack Obama porque também insatisfeitos com a sua pouca disposição para o ódio racial —, o que se pretende, na verdade, é lhe impor uma pauta. Atenção para isto:
- por ser negro, ele seria menos livre do que um branco, por exemplo, porque estaria obrigado a aderir a uma determinada pauta;
- por ser negro, ele teria menos escolhas, estando condenado a fazer um determinado discurso que os “donos das causas” consideram progressista;
- ao nascer, portanto, negro ele já nasceria escravo de uma causa.

Heraldo os ofende porque diz, com todas as letras e com sua brilhante trajetória profissional: “Sou o que quero ser, o que decidi ser, o que estudei para ser, o que lutei para ser. Eu escolho, não sou escolhido! Sou senhor da minha vida, não um serviçal daqueles que dizem querer me libertar”. Heraldo os ofende porque não precisa que brancos bem-pensantes pensem por ele. E há ainda uma ofensa adicional: não é reconhecido como um “progressista com carteirinha do partido”.

Que pena os racistas de segundo grau não poderem passar a mão na cabeça de Heraldo Pereira, condoídos com a sua condição de vítima não é!? Em vez disso, quem está no topo é Heraldo. Os que gostariam de sentir dele aquela pena militante só caminham para a lata de lixo do racismo de segundo grau.

Ladrões de alma
Caminhando para o encerramento, noto ainda que a expressão “negro de alma branca” pretende roubar do alvo da ofensa a sua individualidade, de modo a transformá-lo numa monstruosidade moral, sem lugar. Por negro, Heraldo seria sempre um estranho entre os brancos. Por ter a alma branca, sendo negro, tentaria forjar uma identidade que não é a sua. Não é difícil concluir que este ser, então, não teria lugar nem entre os brancos nem entre os negros.

Esse caso, meus caros, expõe as entranhas do pior lixo racista, que é aquele praticado pelos ditos “progressistas”. Como é mesmo?
“Nenhum autoritarismo, por mais deletério e estúpido que seja, é tão estúpido e deletério quanto o das esquerdas e de seus apaniguados. É a história que me dá razão. O despotismo que se instala em nome da liberdade do povo é duplamente perverso porque pratica todas as violências com as quais prometeu acabar e ainda destrói a esperança.”

Heraldo Pereira é um homem livre — livre, inclusive, da agenda que queriam lhe impor. E isso lhes parece imperdoável.

PS - Ah, sim! Prestem atenção ao silêncio ensurdecedor dos ditos “progressistas”…

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 17:12

Daqui a pouco…

… as minhas “novas considerações sobre o racismo”.

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 16:27

Comentários e a Musa da Galochas

Caras e caros,
há 160 comentários na fila neste momento. Já cuido deles. Antes, mais um post. Ah, sim: alô, Musa das Galochas, muita chuva em São Paulo! Hora de culpar o Serra, o Alckmin, algum outro não-petista qualquer. Gilberto Kassab também pode entrar na lista, mas só se ele não estiver junto com Fernando Haddad, certo? O mundo, afinal, se divide entre os culpados de sempre e os inocentes de sempre.

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 16:11

Blogueiro terá de se retratar por declaração racista. Ou: Uma vitória histórica do grande jornalista Heraldo Pereira

Heraldo Pereira na bancada do Jornal Nacional: o triunfo da "maioria dos homens de bem"

Heraldo Pereira na bancada do Jornal Nacional: o triunfo da "maioria dos homens de bem"

Existe alguma interpretação positiva ou alguma leitura virtuosa para a expressão “negro de alma branca”? Acho que não! Em outro post, que chamarei de “Novas considerações sobre o racismo”, exporei em detalhes como se manifesta a discriminação racial dos supostamente bem-pensantes, que se querem “progressistas” e monopolistas da virtude. Mas fica para daqui a pouco.

Pois bem. O senhor Paulo Henrique Amorim, em seu blog, recorreu àquela expressão asquerosa para definir Heraldo Pereira, repórter, comentarista político e integrante da bancada do Jornal Nacional, da Rede Globo. Não foi a única agressão de que o jornalista foi vítima. Segundo aquele senhor, Pereira seria “empregado de Gilmar Mendes” e faria apenas “bico na Globo”. Mais ainda: comentando a intervenção de um dos mais destacados profissionais da emissora nas comemorações dos 30 anos do Jornal Nacional, escreveu que ele “não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde.” É pouco? Ao criticar uma entrevista que o jornalista conduziu com Mendes, mandou ver: “Pereira se agacha, se ajoelha para entrevistar Ele.”

Pois é… Não restava mesmo outro caminho que não o Judiciário. Havia dois processos, um na área criminal, ainda em curso — com denúncia feita pelo Ministério Público Federal e já aceita pela Justiça, por crime de injúria racial e racismo —, e outro na área cível, que tem agora um desfecho. Amorim terá de pagar uma indenização de R$ 30 mil a uma instituição de caridade indicada por Pereira, será obrigado a retirar do seu blog todos os ataques feitos ao jornalista e se obriga a publicar em sua página e nos jornais Folha de S.Paulo e Correio Braziliense a seguinte retratação:

“Retratação de Paulo Henrique Amorim, concernente à ação 2010.01.1.043464-9:
Que reconhece Heraldo Pereira como jornalista de mérito e ético; que Heraldo Pereira nunca foi empregado de Gilmar Mendes; que, apesar de convidado pelo Supremo Tribunal Federal, Heraldo Pereira não aceitou participar do Conselho Estratégico da TV Justiça; que, como repórter, Heraldo Pereira não é nem nunca foi submisso a quaisquer autoridades; que Heraldo Pereira não faz bico na Globo, mas é funcionário de destaque da Rede Globo; que a expressão ‘negro de alma branca’ foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de racismo.”

Só para que vocês tenham uma idéia de como se deram as coisas, em sua defesa, referindo-se à expressão “negro de alma branca”, o réu Amorim chegou a afirmar (transcrevo literalmente):
“Com efeito, consistindo o racismo na crença de determinado grupo de pessoas de ser superior a outro, recriminando os indivíduos com base em características físicas, tais como a cor, forçoso concluir que a matéria em discussão não se enquadra no conceito racista, não possui cunho pejorativo e não menosprezou quem quer que seja, como pretendido pelo contestado, pelo contrário, enalteceu o jornalista Heraldo Pereira que, atualmente assume posição de destaque no jornalismo da Rede Globo.”

Vale dizer: o réu insistiu na tese de que “negro de alma branca” é, na verdade, um elogio…

Bem, meus caros, o que vai acima remete a um debate muito importante que está em curso no Brasil. Ele diz mais do que parece sobre certas convicções supostamente democráticas.
Heraldo Pereira ajuda a civilizar o Brasil.
Heraldo Pereira torna melhor o grupo a que todos pertencemos: a raça humana.
Heraldo Pereira não é a vingança da minoria, mas o triunfo da maioria: a maioria dos homens decentes e de bem!

Parabéns, Heraldo!

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 14:51

Serra desconstrói em artigo a privatização dos aeroportos e mostra por que ela é malfeita

O ex-governador José Serra publica hoje, no Estadão, um artigo em que desconstrói, de forma sucinta e objetiva, o modelo petista de privatização dos aeroportos. Nada contra a entrada da iniciativa privada no setor, não. Ao contrário! Serra deixa claro que ela chega com atraso. Sim, é verdade: dado o proselitismo antiprivatista — e falso! — do PT, o processo marca mais uma impostura do partido.

Lideranças da oposição, no entanto, têm-se fixado excessivamente nesse aspecto, deixando de lado outro bem mais importantes: a privatização dos aeroportos é malfeita e potencialmente danosa para os cofres públicos e para os usuários. O PT privatiza, sim! Só que privatiza mal. Leiam trechos do artigo de Serra. A propósito: notaram o silêncio ensurdecedor de alguns notórios críticos das “privatizações tucanas”. Por que eles não tentam agora nos explicar por que as privatizações petistas são melhores? É nessas horas que a gente distingue o jornalismo do mero proselitismo partidário.

Mitos e equívocos

As avaliações sobre a recente privatização de três aeroportos brasileiros tem misturado duas coisas: a questão política, enfatizada pela maior parte da oposição e retomada pelo PT, e a da forma e conteúdo do processo.

Ao contrário do que se propalou, as privatizações dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas (Viracopos) não são as primeiras dos governos do PT. Basta lembrar as espetaculares privatizações na área do petróleo, lideradas pelo megainvestidor Eike Batista, sob a cobertura da lei aprovada no governo FHC - alterada recentemente para pior- e as na geração e transmissão de energia elétrica.

Outra ação privatizante digna de menção foi nas estradas federais, que fracassou, não obstante o clima de comemoração na época. Fez-se a concessão de graça, pôs-se pedágio onde não havia, mas os investimentos não chegaram, as estradas continuaram ruins e o governo federal só faz perdoar as faltas dos investidores. Um modelo furado, que pretendia ser opção vantajosa ao adotado por São Paulo, com vistas a dividendos eleitorais em 2010.
(…)
Para alguns representantes extasiados da oposição, com as concessões dos aeroportos, “finalmente o PT se rendeu à privatização”, como se este governo e o anterior já não tivessem promovido as outras que mencionamos. Poderiam sim ter lembrado do atraso de pelo menos cinco anos na entrada do setor privado na atividade aeroportuária -atraso ocorrido quando a  agora presidente comandava a infraestrutura do Brasil.

As manobras retóricas do petismo são toscas. O primeiro argumento, das cartilhas online e de grandes personalidades do partido, assegura que não houve “privatização” de aeroportos, mas “concessão”. Ora, no passado e no presente, os petistas chamavam e chamam as “concessões” tucanas (estradas em São Paulo, telefonia, energia elétrica, ferrovias, etc.) de “privatização”.

O PT argumenta ainda que a Infraero mantém 49% das ações de cada concessionária. Isso é vantagem? Em primeiro lugar, a estatal está pondo bastante dinheiro para formar o capital das empresas sob controle privado (sociedades de propósito específico, SPEs) que vão gerir os aeroportos. Além disso, vai se responsabilizar por quase metade dos recursos investidos, sem mandar na empresa.

Mais ainda: pagará 49% da outorga (preço de compra da concessão) de cada aeroporto. O total de outorgas é de R$ 25 bilhões, número comemorado na imprensa e na base aliada. Metade disso virá do próprio governo, via Infraero! Isto sem contar os fundos de pensão de estatais, entidades sob hegemonia do PT, que predominam no maior dos consórcios, ganhador do aeroporto Franco Montoro, de Guarulhos. Tais fundos detêm mais de 80% do grupo privado que comandará o empreendimento!

A justificativa de que a Infraero obterá os recursos para investimentos e outorgas da própria concessão é boba - até porque ela já está investindo nas SPEs e vai sacrificar seus retornos. De mais a mais, quais retornos? As outorgas são obrigatórias, enquanto as receitas são duvidosas. A receita líquida do aeroporto de Guarulhos foi de R$ 347 milhões em 2010. A bruta, 770 milhões. A outorga dessa concessão será paga em 20 parcelas anuais de R$ 820 milhões… Mesmo que a receita líquida duplicasse, de onde iriam tirar o dinheiro para os investimentos? No caso de Brasília, a outorga exigirá cerca de 94% da receita líquida…
(…)
O que poderá acontecer? As possibilidades são várias: mudanças nos contratos, revisão para cima de tarifas, atrasos nos investimentos necessários, subsídios do governo e  prejuízos para os cotistas dos fundos. Tudo facilitado pela circunstância de que a privatização (um tanto estatizada) tirará o TCU do controle e transparência de gastos com aeroportos…
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:55

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:47

Humanos de todo o mundo, uni-vos: a classe petralha é internacional! Ou: “O sonho de minha vida é ser um blogueiro petralha”

O texto ficou um tantinho longo. Mas acho que vale a pena ler até o fim. Há aqui uma dica de leitura. Imaginavam-me, no Carnaval, só com os pés na areia e a cabeça nas nuvens? Não! Estava pensando em vocês!
*
Um amigo jornalista me deu um presente delicioso: o livro “Aguanten Los K” (”Agüentem os K”), do jornalista argentino Carlos M. Reymundo Roberts, publicado pela editora Sudamericana.  E quem são “los K”? São os petralhas da Argentina; é como são conhecidos os partidários furiosos, ensandecidos, fanáticos mesmo, do casal Kirchner — no momento, de Cristina; Néstor, que morreu no dia 27 de outubro de 2010, já virou mito e estátua. No Brasil, o livro poderia se chamar “O País dos Petralhas”, hehe…  ”Aguanten Los K” reúne uma coletânea de artigos publicados na coluna “De no creer” entre 15 de janeiro de 2010 e 20 de agosto de 2011. Jornalista experiente, Roberts cobriu duas guerras (a do Golfo, em 1991, e do Peru com o Equador, em 1995), é professor universitário, um dos comandantes da redação do La Nacíon e colunista do jornal, onde trabalha há mais de 30 anos. Conhece o seu ofício.

Néstor Kirchner, amparado pela mulher, que o sucedeu, ascendeu ao poder com o apoio majoritário da imprensa. Dada a penúria a que havia chegado a Argentina e considerando a razoável, mas precária, estabilidade alcançada, o casal foi se tomando de ares imperiais. Hoje, Cristina pode ser colocada na galeria dos líderes latino-americanos que nutrem um desprezo muito pouco solene pelas regras da convivência democrática, na companhia de Hugo Chávez, Rafael Correa e Daniel Ortega. A sua investida contra a imprensa independente do país é só a face mais visível de seus arroubos autoritários. Não me estenderei agora sobre esse particular. Quero falar sobre o livro de Roberts — de que traduzo um artigo que nos fala de perto, como vocês lerão.

Liberal convicto, o autor recorreu a um truque inteligente em sua coluna. Resolveu escrever como alguém que tivesse se convertido à religião Kirchner. Criou um “alter ego” adesista, governista a mais não poder, entusiasmado mesmo! Apresenta-se, assim, com uma personalidade dividida, esquizofrênica. O editor se obriga a ser imparcial, crítico, severo, guardião dos valores democráticos. Mas o colunista… Deixemos que os dois se apresentem.

O jornalista
 ”Quero me apresentar: sou  Carlos María Reymundo Roberts, jornalista do La Nacíon há mais de trinta anos. Profundamente liberal, estou entre os antípodas do kirchenerismo. Trabalho, porém, num diário que não faz oposição, mas jornalismo independente.”

O colunista
“Quero me apresentar: sou Carlos M. Reymundo Roberts e, sob esta rubrica, público há pouco mais de um ano uma coluna política no diário La Nacíon. No início, foi, reconheço, um espaço editorial duro com os Kirchner, ainda que não só com eles. Na verdade, nem era tão duro, porque a minha não é a linguagem de quem pontifica, mas a de quem tem um olhar bem-humorado, mordaz, dos acontecimentos políticos. Como a muitos argentinos, a morte de Néstor, no fim de outubro de 2010, produziu em mim uma forte comoção. Primeiro em meu espírito; depois em minhas idéias. Dois meses depois, eu era um kirchnerista puro e duro e, por isso, pus minha coluna a serviço da causa.”

O editor reconhece que o modelo Kirchner é intolerante, aniquila a institucionalidade e destrói os valores republicanos. Já o colunista adesista acha que isso não é assim tão mau… Pode não ser, diz, uma “institucionalidade clássica, mas é a nossa”. O editor admite, atenção!, que “o governo cooptou e neutralizou todos os organismos de controle, que comprou prefeitos, governadores, opositores, juízes, intelectuais, sindicalistas, empresários jornalistas”. Já o colunista adesista pensa que “os prefeitos, governadores, sindicalistas, empresários e jornalistas se convenceram das bondades do modelo; os juízes julgam acertado o que estamos fazendo, e os intelectuais abraçam a causa nacional e popular porque nós os reconciliamos com suas velhas idéias e lhes demos uma razão para existir”.

Vejam só! O que em Roberts é uma blague, uma graça, uma saída irônica, é, em boa parte do jornalismo brasileiro, uma esquizofrenia verdadeira. Quantas vezes vocês já não viram  colunistas muito vetustos e severos a anuir com arroubos autoritários do petismo, achando que, afinal, é preciso mesmo pagar um preço “pela mudança”? As duas faces do jornalista argentino, separadas pelo humor, assumem, em certo jornalismo brasileiro, a gravidade de uma categoria de pensamento.

Humor
Como alguém que pretende se irmanar com os petralhas — ooops!, com “Los K” —, Roberts é desmedido no seu amor pelo governo e elogia, é claro!, algumas notáveis barbaridades. E aqui está uma graça adicional do livro. A cada artigo, segue-se a publicação de uma série de comentários. E a gente se dá conta da miséria intelectual destes tempos. Alguns admiradores e adversários do kirchnerismo percebem a ironia; os primeiros o desqualificam; os outros o aplaudem. Mas há aquele, de um lado e de outro, que tomam tudo ao pé da letra, e as posições, então, se invertem: os K o elogiam largamente, e os críticos do oficialismo lhe dão uma carraspana.

A exemplo de “O País dos Petralhas” no Brasil — modéstia às favas —, a seleção de artigos de Roberts serve como retrato de um período infeliz da política argentina; é visível que os instrumentos da democracia são usados pelo governo para solapar a própria democracia. Roberts inova, no entanto, ao criar esse “alter ego” governista, que expõe, pelo caminho da adesão, o ridículo do oficialismo. Fiquei cá pensando em dar vida à versão vermelha do Reinaldo Azevedo… Garanto que essa minha versão abestada saberia elogiar o governo com mais competência do que algumas expressões momescas do lulo-petismo.

Blogs
Também na Argentina — e em toda parte —, é na Internet que a canalha fascistóide se manifesta com mais virulência. Traduzo, abaixo, um dos artigos do livro, que nos fala — a mim e a vocês — mais de perto. Vejam como a “classe petralha é internacional” e como os esbirros do poder nunca surpreendem.
Vocês lerão um artigo de Roberts sobre o atual momento da política argentina e ficarão com a impressão de que ele fala do Brasil. Divirtam-se.
*
O sonho de minha vida: ser um blogueiro K

Já sei o que quero ser quando crescer: um blogueiro K. Se a vida quer me dar um presente, peço este: fazer parte de um exército de homens e mulheres deste país que, dia após dia, faça chuva ou faça sol, tomam a lança e saem em defesa do seu governo, mais para matar do que para morrer.

Em tempos de descrença generalizada, de fim das ideologias, de individualismo feroz, eles se agrupam para uma batalha diária contra os meios de comunicação e seus esbirros, os jornalistas.

A cena há de ser comovedora: milhares de jovens (bem, assim pensava eu, mas me dizem que os há de todas as idades), por pura vocação, movidos por suas mais profundas convicções democráticas e em defesa da pátria, acordam quando ainda está escuro, lêem rapidinho jornais e sites na Internet, detectam um inimigo e, antes mesmo de tomar um café ou de escovar os dentes, já estão armados, na frente de seu PCs. Convictos, entusiasmados, dão início à segunda parte de seu trabalho, que, na verdade, nem é tão complicada: consiste, basicamente, em destruir o autor do texto que ousou criticar o governo.

Destruí-lo significa isto: esmagá-lo, mexer com a sua vida, com a sua história, com seu nome, até com a sua aparência, pouco importa. Não é uma guerra de argumentos, claro! Eles não são necessários, e isso é o mais tentador do trabalho: se alguém critica os Kirchner, isso se deve ao fato de ser reacionário, fascista, atrasado; de estar a serviço da Sociedade Rural, do neoliberalismo e do capitalismo selvagem; ou, então, só o faz porque os donos do veículo de comunicação o obrigaram a escrever aquilo.

Para esse exército de esforçados servidores, não importa, ou importa muito pouco, o que diz o artigo em questão. Coitados! No apuro, nem tiveram tempo de lê-lo. Sabujos treinados, o título já lhes dá a pista. Temo que, de forma maliciosa, um dia alguém ainda escreverá um longo elogio ao governo, deixando claro na última linha que todo o que veio antes é uma farsa. Que horror! Quantos blogueiros K vão cair na armadilha! Algum deles chegará até a última linha?

O slogan dos nossos heróis parece ser este: é preciso entrar logo nos fóruns da Internet, nos blogs, no Twitter e deixar a marca. É preciso pautar o debate e fazê-lo antes dos inimigos: aqueles que gostaram do texto. Para estes, também haverá fogo, é claro!, mas sem perder de vista que são apenas soldados. O general é o autor do artigo. É preciso convencê-lo de que teria sido melhor escrever na revista dos bombeiros voluntários de seu bairro.

Será que é a admiração que me leva a identificar um blogueiro K e a não confundi-lo com qualquer outro defensor do governo? Não, não é a admiração, mas o cheiro! Há um certo ar de família nos blogueiros oficiais. Eles são madrugadores, são furiosos, não perdem tempo discutindo motivos; ficam horas diante das telas de computador, amam a desqualificação e não mostram a menor intenção de ceder nada a ninguém, nunca!

Outra característica comum é a sua reação quando alguém os descobre e os acusa — com total injustiça, é claro! — de trabalhar a soldo da Casa Rosada. Então seus mais baixos instintos despertam (se é que já não estavam despertos) e atacam sem piedade. Alguém comentava outro dia que era muito fácil entrar em um fórum e distingui-los: “Não argumentam; só insultam e agridem”.

Dias atrás, publiquei no Twitter a suspeita de que essa tropa de choque da Internet também tem a sua divisão nos programas de rádio que veiculam as mensagens dos ouvintes. Alguns telefonemas em certo programa da manhã me pareceram muito suspeitos. Alguém respondeu que era assim mesmo: são os “telefonadores K”, superiores, na hierarquia, aos “tuiteiros K”, mas inferiores aos blogueiros K “, uma espécie de tropa de elite. Concluí que nem mesmo os Kirchner, tão igualitários, conseguiram impedir que, em suas fileiras, reine a luta de classes e a discriminação.

Dada a minha intenção de ser um dia um desses soldados, estou cheio de perguntas. Quem os comanda? Quantos são? Como são recrutados? Quantas horas é preciso dedicar à causa? E o grande tema: ok, aceito que não recebam um peso, que seja tudo vocação, que seja tudo espontâneo…, mas alguém poderia me dizer a quanto chega esse soldo que não cobram?

A propósito: também me pergunto como este corpo tão coeso, tão uniforme, lerá este texto que lhe dedico. Entenderão que está escrito com a intenção do elogio, do reconhecimento, ou vão acreditar, numa leitura superficial, que isto é uma crítica, mais uma das muitas que recebem nestes tempos? Há apenas uma forma de sabê-lo: dar o texto por terminado e ouvi-los. Soldados, se chegaram até aqui, sigam em frente; vocês têm a palavra.

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:39

Por Serra, DEM aceita “chapa pura” com tucanos

No Estadão:
Líderes do PSDB favoráveis à candidatura do ex-governador José Serra à Prefeitura de São Paulo fizeram chegar a integrantes do DEM que a chapa puro-sangue é uma das condições para o tucano entrar na disputa eleitoral deste ano.

A cúpula do DEM queria a vaga de vice para apoiar o PSDB na eleição, num cenário em que o candidato não é o ex-governador. Mas, com Serra na disputa, a tendência é que o aliado também abra mão da indicação. Anteontem, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) disse que seu partido não pleiteará a candidatura de vice-prefeito, caso Serra concorra.

Serra, que analisa o cenário para decidir, teria predileção pela chapa com um vice do PSDB. Em 2006, quando disputou o governo de São Paulo, lançou como vice o tucano Alberto Goldman. A indicação lhe deu segurança para renunciar e disputar a Presidência da República em 2010.

A formação de uma chapa puro-sangue também daria condições para costurar um acordo com o vencedor da prévia do PSDB, marcada para o dia 4 de março. Apesar de três dos quatro pré-candidatos serem secretários estaduais - Andrea Matarazzo, Bruno Covas e José Aníbal -, a avaliação hoje no Palácio dos Bandeirantes é a de que a disputa interna está muito avançada e que implicaria um risco político ao governador Geraldo Alckmin desmarcá-la sem a garantia de que Serra vai mesmo disputar.

No domingo, Matarazzo esteve com Serra em Buenos Aires. Para os defensores da candidatura do ex-governador, se ele não se posicionar até antes da prévia, e a disputa se tornar inevitável, a saída será apostar as fichas em Matarazzo e, depois, costurar um acordo com ele para vice. Nos últimos dias, Alckmin esteve com dois dos quatro pré-candidatos e afirmou que, se Serra decidir entrar na disputa antes da prévia, terá que convencê-los a abrir mão do processo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:37

Planos seguem emperrados sob o governo da “presidenta governanta”…

Por João Domingos, no Estadão:
As oito demissões involuntárias de ministros - sete por suspeitas de irregularidades e malversação do dinheiro público e um por rebeldia - ao longo do primeiro ano de mandato da presidente Dilma Rousseff têm causado problemas de continuidade nos projetos tocados pelas pastas. O cenário, somado ao perfil centralizador de Dilma, que fiscaliza diretamente todos os projetos de auxiliares, engessa obras e planos e irrita ministros que refutam a pecha de lentos e improdutivos.

 O próprio ministro Aloizio Mercadante (PT), ao deixar a pasta da Ciência e Tecnologia e ser transferido para a Educação, brincou dizendo que a presidente é uma “espancadora de projetos”, pois preocupa-se excessivamente com os mínimos detalhes e ordena reiteradas vezes que propostas sejam refeitas.

Projeto mais do que prometido pelo governo é o que visa regulamentar a compra de terra por estrangeiros. Por enquanto, segundo informações do Palácio do Planalto, está em exame, sob a coordenação da Advocacia-Geral da União (AGU). Dilma quer ler o texto final antes de enviá-lo ao Congresso.

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), projeto considerado prioritário pela presidente, é outro que não andou ainda. Quanto à proposta que regulamenta a radiodifusão - pelo qual setores do governo anseiam que contenha um controle social da mídia, o que é rejeitado pela presidente - é outro que está parado. Foi feito no final do governo de Lula pelo então ministro Franklin Martins (Comunicação Social), mas segue na gaveta.

Enrolada mesmo é a compra de novos caças para a Aeronáutica. O plano existe desde 2002, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso. Na Era Lula (2003-2010) foi tão falado que criou uma onda de agitação no mercado mundial de aeronaves de combate e mobilizou um forte lobby por parte das indústrias de aviões dos Estados Unidos, Suécia e França. Lula chegou a dizer que preferia os Rafale franceses. Mas Dilma Rousseff sentou-se em cima da proposta.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:35

Dos 47 deputados federais do PSD, só um teve votação para se eleger por conta própria

Por Daniel Bramatti, no Estadão
Dos atuais 47 deputados federais do recém-criado PSD, 46 tiveram votos insuficientes para se eleger por conta própria. Eles só chegaram ao Congresso graças à votação de seus antigos partidos - que, além de ter as bancadas reduzidas, ainda correm o risco de perder pelo menos R$ 13 milhões por ano para a legenda capitaneada pelo prefeito Gilberto Kassab. O fato de não ter uma bancada eleita com votos próprios fragiliza o argumento do PSD de que, como terceiro maior partido na Câmara, teria direito a fatias maiores dos recursos do Fundo Partidário e do horário de propaganda eleitoral.

Atualmente, a legenda de Kassab é tratada como “nanica” pela Justiça Eleitoral: recebe menos de 0,2% do Fundo Partidário. Isso porque 95% dos recursos públicos destinados ao financiamento dos partidos são divididos de acordo com o número de votos para a Câmara dos Deputados - e o PSD não participou da última eleição. Pelo mesmo motivo, a bancada do partido não é contabilizada no rateio da propaganda eleitoral gratuita, proporcional ao número de deputados eleitos por cada legenda.

A situação pode mudar se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolher uma ação que pede a redivisão do Fundo Partidário. Kassab e seus aliados alegam que os parlamentares, ao trocar de legenda, levam consigo os direitos relacionados à sua votação. Um parecer da assessoria jurídica da presidência do TSE considerou que o pedido do PSD não é descabido. Mas nada garante que o parecer seja levado em conta pelos ministros que decidirão a questão, em data a ser definida.
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Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:33

São Paulo discute exigir ficha limpa de seu funcionalismo

Por Uirá Machado e Daniela Lima, na Folha:
A Câmara Municipal de São Paulo resolveu pegar carona em recente decisão do Supremo Tribunal Federal para votar proposta que estende a Lei da Ficha Limpa a todas as futuras nomeações da administração pública. Se aprovado, o mecanismo atingirá “agentes ou servidores públicos” nomeados pelo prefeito ou pelos vereadores, em todos os escalões da administração municipal. Estarão vetadas nomeações de pessoas que se enquadrem nos critérios de inelegibilidade da Ficha Limpa, como condenação criminal em segunda instância. Hoje, a lei barra a candidatura de pessoas nessas condições.

Mas a regra na capital só deverá valer para novas nomeações, deixando a salvo atuais servidores. “A lei não vai retroagir. Vamos avançar com o ritmo que é possível”, afirma o vereador José Police Neto (PSD), presidente da Câmara Municipal. Com esse entendimento, estariam a salvo políticos como Uebe Rezeck (PMDB), secretário municipal de Participação e Parceria, que foi condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Para criar a Ficha Limpa administrativa, ao menos 37 dos 55 vereadores precisarão apoiar a proposta que altera a Lei Orgânica do Município. Police Neto garante que há acordo entre os líderes para aprovar o texto, que unifica propostas em tramitação na Casa desde 1999 e deve ser levado a discussão no plenário na próxima semana.

Porém, Chico Macena, líder do PT, diz que o acordo previa apenas a discussão com as bancadas. “Sou a favor da proposta, mas é preciso debater melhor.”Líder do PSDB, Floriano Pesaro prevê dificuldades, mas diz contar com o clamor público.

ESTADO
O governo estadual também prepara um decreto para barrar nomeações de condenados pela Justiça no Executivo. A norma foi preparada de modo a se sobrepor à legislação federal, que trata apenas dos cargos eletivos.
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Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:31

CNJ mira contracheques excepcionais de magistrados para pedir devoluções

Por Fausto Macedo, no Estadão:
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) quer saber quais índices de correção foram aplicados por Tribunais de Justiça estaduais e os períodos contemplados para calcular contracheques excepcionais concedidos a juízes e a desembargadores. Se identificar pagamentos irregulares, o CNJ poderá propor sanção com base no estatuto do servidor público, que prevê desconto em folha daquela quantia indevidamente creditada na conta dos magistrados.

 

O artigo 46, parágrafo 1.º, do estatuto disciplina que reposições e indenizações serão previamente informadas ao servidor para pagamento no prazo máximo de 30 dias, podendo ser parceladas a pedido do interessado. O valor de cada parcela não poderá ser inferior a 10% da remuneração, provento ou pensão.

Oficialmente, a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, não se manifestou sobre a busca aos índices de correção aplicados pelos tribunais. Mas é certo que o CNJ quer detalhes sobre a composição dos holerites especiais, quais benefícios foram incluídos na conta e, principalmente, se eles obedeceram ao prazo prescricional, cujo limite é de cinco anos. Em dezembro, o CNJ havia iniciado investigação na folha salarial do TJ de São Paulo para identificar créditos extraordinários e o patrimônio dos juízes.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:29

Síria - Ofensiva a Homs mata 2 jornalistas ocidentais

Por Andrei Netto, no Estadão:
Dois jornalistas estrangeiros foram mortos ontem em Homs, na Síria, durante o ataque das forças leais a Bashar Assad a um centro de imprensa improvisado na cidade. As vítimas foram o fotógrafo francês Rémi Ochlik e a repórter americana Marie Colvin, enviada especial do jornal britânico Sunday Times. Ambos trabalhavam em um prédio do bairro de Baba Amr, sob bombardeio há 18 dias. Três outros profissionais ficaram feridos.

As mortes foram anunciadas no início da manhã pela rede de TV Al-Jazeera e confirmadas pelo Ministério da Cultura da França duas horas depois, em Paris. A primeira informação foi repassada à Al-Jazeera pelo militante sírio Omar Chaker, que concedia entrevista via Skype sobre a destruição no distrito. “Dois jornalistas foram mortos em bombardeios que tinham nosso centro de imprensa, no bairro de Baba Amr, como alvo”, disse Chaker. “Três ou quatro outros jornalistas estrangeiros foram feridos.” Um dos feridos é Edith Bouvier, repórter francesa free lance, que está em estado grave.

Segundo as testemunhas, as mortes foram causadas pela explosão de uma granada de morteiro e de um foguete no prédio, uma casa convertida em redação. O francês Ochlik, de 29 anos, fotógrafo de guerra considerado experiente no meio jornalístico, trabalhava para sua agência de fotos, a IP3 Press. Há uma semana, ele tinha recebido o prêmio World Press Photo 2012 por seu trabalho sobre a revolução na Líbia.

Marie Colvin, americana de 56 anos, era especialista em mundo árabe. Em seu currículo, trazia coberturas das guerras dos Bálcãs, na época do desmembramento da Iugoslávia, além de reportagens especiais em regiões hostis como Irã e Sri Lanka, que lhe renderam uma das maiores distinções da imprensa britânica, o prêmio de Melhor Correspondente Estrangeiro. Na ilha asiática, perdeu a visão do olho esquerdo em razão da explosão de uma granada, em 2001. Desde então, ela tinha como marca registrada o uso de um tapa-olho. Marie vinha acompanhando a Primavera Árabe, primeiro na Tunísia, depois no Egito e na Líbia.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2012

às 6:27

EUA criticam Teerã por fracasso de inspeções

No Estadão:
O fracasso da missão ao Irã da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, é prova de que a república islâmica não quer cooperar com a comunidade internacional, afirmou ontem a Casa Branca. Ao mesmo tempo, a Rússia exortou as demais potências a “não tirar conclusões apressadas” dos desentendimentos entre os inspetores e as autoridades iranianas.

 “(O fracasso da missão da AIEA) é uma nova demonstração da recusa do Irã em respeitar seus compromissos internacionais”, disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. “Eles não mudaram de comportamento.”

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que as diretrizes da política nuclear da república islâmica permanecerão as mesmas. “Com a ajuda de Deus - e sem dar atenção à propaganda externa -, o Irã continuará firme em seu caminho nuclear”, disse Khamenei. “Pressões, sanções e assassinatos não terão resultado.”

Os inspetores da ONU admitiram o fracasso de sua missão ao Irã na terça feira, depois de uma visita extraordinária de dois dias. Um porta-voz da AIEA disse que uma delegação do órgão estava voltando para casa depois de ser impedida pelo Irã de obter acesso a registros e instalações estratégicas.

A equipe chegou a Teerã no domingo a convite do governo iraniano para pôr fim a anos de alegações de que os cientistas iranianos teriam feito experimentos com ogivas nucleares há quase uma década. Mas os funcionários da AIEA foram impedidos de visitar uma importante instalação de testes conhecida como Parchin, onde parte das supostas pesquisas teria ocorrido. Além disso, os representantes da ONU não conseguiram chegar a um acordo com o Irã envolvendo um plano básico para obter respostas sobre experimentos nucleares anteriores.
(…)

Por Reinaldo Azevedo


 

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