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Miguel Nicolelis: ‘A ciência já superou a ficção científica’

O médico Miguel Nicolelis e o físico Pierluigi Piazzi discutiram a relação entre a ciência e a ficção científica na noite desta quarta-feira, na Bienal do Livro de São Paulo. Para Nicolelis, tanto as obras de ciência como as de ficção científica perderam seu caráter mágico. E por dois motivos: muitos de seus enredos se tornaram realidade com a evolução do conhecimento e a ficção científica atual vem mostrando um mundo sinistro, fadado à destruição. Nada encantador.

Segundo Nicolelis, a biologia influenciou escritores como Arthur Clarke (de 2001: Uma Odisseia no Espaço) e Isaac Asimov (de Trilogia da Fundação), que também eram cientistas. Mas, em determinado momento, a ficção científica foi além da realidade, criando cenários ainda distantes de serem alcançados pelo desenvolvimento científico. Como exemplo, ele citou o romance O Parque dos Dinossauros, de Michael Crichton, que depois deu origem ao filme de mesmo nome dirigido por Steven Spielberg. Na história, um cientista cria um parque com os seres pré-históricos a partir da extração de material genético preservado em insetos. O médico lembra que o procedimento mostrado no livro, de 1990, reflete “um ponto alto” da ciência biológica de vinte anos atrás. Mas hoje, 22 anos depois, esse tipo de experimento já é visto por cientistas como lugar-comum. O que era fantástico agora é padrão.

Por outro lado, nos últimos anos a ciência vem superando a ficção científica em muitos aspectos. Em áreas como a neurociência, os escritores ainda não atingiram o limite da imaginação dos cientistas, segundo Nicolelis. A autonomia do cérebro em relação ao resto do corpo é um campo que está em franco desenvolvimento em laboratório, com os primórdios de uma tecnologia que permite transmitir pensamentos à distância, mas não registra o mesmo avanço na ficção.

Explica-se. Num experimento feito no Japão, as informações cerebrais que comandam os movimentos de um macaco foram transmitidas, via computador, para um robô. Quando o cérebro do animal ordenava um movimento, ele era executado também pelo robô. O mais surpreendente era que o processo eletrônico chegava a ser 20 milissegundos mais rápido do que o “comum”. Ou seja, se o cérebro enviasse ao mesmo tempo uma mensagem ao corpo do macaco e ao robô para que eles pisassem o chão, o robô executaria a tarefa antes.

O novo mundo terrível – De acordo com Miguel Nicolelis, a ficção científica atual se vale de uma reciclagem de antigas ideias, empregadas para o “lado negro da força”. O mundo que ela mostra é caótico, à beira da destruição: “É uma realidade de terror. A ciência fornece material para a criação de um mundo pior do que o nosso”, disse ele. Se nos tempos de Asimov e Arthur Clarke a ciência era uma forma de conhecer um universo novo e mágico, hoje ela é vista como “condutora da nossa destruição”.

O médico contou que, quando visita escolas e diz que é cientista, as crianças até se seguram nas cadeiras, apreensivas. “É como se eu fosse revelar para elas de qual forma a Terra vai ser aniquilada”, brincou.

O físico e professor Pierluigi Piazzi concordou com o médico sobre o poder mágico da ficção científica que se fazia antes, aquela que o inspirou a estudar ciência. Para ele, o gênero não só influencia a formação de novos profissionais da área, mas também contribui para a criação de leitores, uma vez que suas histórias são instigantes. E, num país que lê pouco, a ficção científica pode ajudar a melhorar o quadro ainda modesto de jovens leitores.

Meire Kusumoto

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  1. Comentado por:

    ridesissi

    Sempre fui fã incondicional da ficção científica e com ela viajei pelo Universo, conheci novas civilizações e vivenciei aventuras malucas em outras dimensões. Mas concordo que a ficção hoje virou uma fábrica de monstros, que só se preocupa em mostrar a “breve” destruição da Terra de mil formas diferentes. É uma pena, pois é ela o caminho mais curto entre a verdadeira Ciência e o povo, que não pode ficar nas garras de religiosos de todas as matizes e suas crendices absurdas.

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  2. Comentado por:

    Diako

    Soube da experiência do sr. Nicolelis,mas não me agradou a futura
    construção de equipamento bizarro e caro,destinado à portadores de
    tetraplegia,acho que deveriam pesquisar sobre a restauração da ligação
    do cerebro e o resto do corpo por de um transmissor de sinais implantado
    no paciente.

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  3. Comentado por:

    Jhonatas Laire

    desde o meu primeiro filme de ficção cientifica sou apaixonado por este tema e vejo sim que os filmes e livros sobre ficção cientifica de hoje estão levando nossas mentes paa um mundo pré e pós apocaliptico que as veses aplicado a mentes frageis como as de crianças não são bem entendidos, gostei da parte onde o medico itou sua visita as crianças
    “O médico contou que, quando visita escolas e diz que é cientista, as crianças até se seguram nas cadeiras, apreensivas. “É como se eu fosse revelar para elas de qual forma a Terra vai ser aniquilada”, brincou.”

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  4. Comentado por:

    ROLLIM

    LULA, DILMA, DIRCEU, DELUBIO, MERCADANTE, TODOS PODERIAM SER COMANDADOS POR ROBOTS INTELIGENTES AO INVES DO QUE TEMOS AI.

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  5. Comentado por:

    Luis Zardo

    Bom, eu não citaria Asimov e Clarke como exemplo de “mundos maravilhosos”, o universo de Asimov mostra o nosso futuro se não revertermos o crescimento de nossa população e mostra um mundo superlotado, artificial e desumano (ler a saga dos robôs, sobretudo, Caves of Steel)
    Em contraste, Asimov mostra um mundo perfeito e natural em “Robôs do amanhecer”, produto de uma sociedade avançada onde a procriação é controlada, e, as pessoas conseguem viver centenas de anos devido à elevada qualidade de vida.
    Arthur C. Clarke mostra uma visão sombria da humanidade, guiada por estupidez, preconceito religioso e ganância, destruindo uma possibilidade de uma sociedade perfeita em “Rama”

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  6. Comentado por:

    Fabio Elorza

    Dois heróis anônimos, num país onde mulheres se tornam celebridades pelas suas nádegas e homens pelo seu futebol, onde imbecilidades televisivas tem a atenção de milhões, Dr. Nicolelis e Prof. Pierluigi são dois Quixotes que defendem a ciência e a busca do conhecimento contra os moinhos de vento da preguiça mental e da imoralidade crônicas do brasileiro… O primeiro é um criador de ciência, o iniciador de um projeto que nas próximas décadas devolverá a mobilidade a milhões de paraplégicos e tetraplégicos no mundo; o segundo é um divulgador da ciência, a quem eu tive a honra de ser seu aluno, e a quem eu e muitos outros devem o despertar científico e o amor à razão, acima de qualquer crendiçe ou ou baboseira metafísica.

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